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Vapes camuflados ameaçam saúde de jovens e revertem avanços

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 01/06/2026 às 02:21
Joédson Alves/Agência Brasil
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 01 de junho de 2026, às 02:21

No Dia Mundial sem Tabaco, a Fundação do Câncer, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), lança um alerta grave sobre o crescente consumo de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, entre os jovens. Novas tecnologias disfarçam esses dispositivos, dificultando a detecção e expondo adolescentes a riscos severos de saúde, como o câncer e a dependência de nicotina, comprometendo décadas de avanços no controle do tabaco.

Ameaça invisível: como vapes camuflados enganam jovens

A tecnologia de camuflagem dos vapes tem se tornado um desafio significativo para as autoridades de saúde e educação. O diretor executivo da Fundação do Câncer e cirurgião oncológico, Luiz Augusto Maltoni, expressa preocupação com a estratégia da indústria. Dispositivos disfarçados não possuem cheiro, ou contêm aromatizantes que mascaram o vapor, tornando seu uso quase imperceptível. Essa característica abre caminho para o vício precoce, formando uma nova geração de dependentes da nicotina.

Maltoni critica veementemente a forma como a indústria articula esses disfarces. Ele destaca produtos como os *vaporizer hoodies*, moletons com vaporizadores integrados ao tecido, onde o bocal fica escondido na ponta do cordão do capuz. Essa inovação permite que o jovem inale nicotina de forma totalmente discreta, até mesmo em ambientes como o metrô ou a escola, sem que outras pessoas percebam. “De uma maneira totalmente articulada, e muito mal articulada do ponto de vista da ética, criam até casaco com bocal escondido para a pessoa fumar”, afirma Maltoni. Ele complementa que tudo é feito “para tornar o jovem viciado”.

A campanha da OMS para o Dia Mundial sem Tabaco, lembrado em 31 de maio, alinha-se a esse alerta com o tema “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”. A OMS já sinalizou que 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos fumam cigarros eletrônicos, evidenciando a escala global do problema. No Brasil, o INCA também reforça os perigos dos cigarros com sabor e aroma entre jovens, enquanto instituições preparam orientações para intensificar as pesquisas sobre vapes.

Proibição e o mercado paralelo de cigarros eletrônicos

Apesar da comercialização de vapes ser proibida no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso desses dispositivos cresceu exponencialmente. A facilidade de compra em redes sociais, sites e no comércio informal contribui para a disseminação desses produtos, mesmo sob proibição.

Números da Receita Federal reforçam a urgência de combater o mercado ilegal de vapes. Entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas 238.801 unidades de cigarros eletrônicos no país, o que equivale a mais de 4 mil dispositivos por dia, em média. Esse volume de apreensões sublinha a dificuldade em controlar a entrada e a distribuição desses produtos no território nacional.

O cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni enfatiza que esses dispositivos camuflados representam um risco real de retrocesso nas políticas de controle do tabaco no Brasil. O país é reconhecido mundialmente por seus avanços na redução da prevalência de fumantes. “O que estamos vendo agora é um risco real de retrocesso, agora embalado em tecnologia e integrado ao cotidiano dos jovens”, alerta Maltoni. Ele defende a adoção de medidas mais rigorosas para coibir a produção e comercialização de vapes.

O impacto dos vapes na saúde e no desenvolvimento juvenil

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 apresenta dados alarmantes: a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos quase dobrou, passando de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Este aumento significativo indica uma crise de saúde pública em formação. Maltoni descreve essa estatística como “alarmante”.

A consultora da Fundação do Câncer na área de tabagismo, Milena Maciel de Carvalho, ressalta que o problema dos cigarros eletrônicos entre estudantes transcende a escolha individual. A exposição à nicotina na adolescência acarreta consequências graves e duradouras, incluindo:

1. Danos cerebrais: A nicotina pode afetar o desenvolvimento do cérebro, especialmente áreas relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos.
2. Aumento da vulnerabilidade à dependência: Aumenta a propensão à dependência de nicotina ao longo da vida.
3. Exposição a substâncias tóxicas: Os dispositivos expõem os usuários a partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados.
4. Riscos respiratórios e cardiovasculares: Estão associados a problemas respiratórios e cardiovasculares, comprometendo a saúde a longo prazo.

Além dos riscos físicos, os novos dispositivos incorporam tecnologia e interatividade, como tela sensível ao toque, jogos, música e sistema de troca de mensagens. Isso cria uma fusão entre dependência química e dependência digital, conforme avalia Maltoni. “O vape deixa de ser apenas um dispositivo e passa a funcionar como um acessório interativo, integrado à rotina”, alerta. Alguns vapes até “reagem” se o usuário para de usar, apitando e criando um ciclo de estímulo contínuo.

Campanhas e o futuro do controle do tabaco

Em resposta a essa crescente ameaça, a Fundação do Câncer resolveu fortalecer seu Movimento Vape Off. A instituição lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”, um filme no formato de reportagem que mostra três jovens anônimos comentando um relacionamento abusivo que os levou ao adoecimento. A iniciativa visa alertar a juventude sobre a propaganda enganosa da indústria do tabaco, que minimiza os males dos cigarros eletrônicos.

A mensagem da campanha é clara: a forma como a indústria apresenta esses cigarros é mentirosa e esses dispositivos fazem realmente mal. O objetivo é desestimular a experimentação e encorajar quem já fuma a parar. “E sugere que quem nunca experimentou que não experimente para não viciar. E quem já está fumando que pare”, salienta Maltoni, reforçando a importância da prevenção e do abandono do vício. A luta contra os vapes é um pilar essencial para proteger a saúde pública e garantir o futuro de uma geração livre da dependência de nicotina.

Perguntas Frequentes

O que são os vapes camuflados e por que representam um desafio?
Vapes camuflados são cigarros eletrônicos que utilizam tecnologia para se disfarçar em acessórios ou objetos do cotidiano, como moletons. Eles representam um desafio porque sua discrição dificulta a detecção por pais e educadores, facilitando o uso por jovens e promovendo o vício precoce em nicotina.

Quais são os principais riscos à saúde associados ao uso de vapes por jovens?
O uso de vapes por jovens está associado a diversos riscos à saúde, incluindo o desenvolvimento de câncer, dependência de nicotina, danos ao desenvolvimento cerebral (atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos), e exposição a substâncias tóxicas como partículas ultrafinas e metais pesados, além de riscos respiratórios e cardiovasculares.

Como o Brasil tem combatido o uso e a comercialização ilegal de vapes?
A comercialização de vapes é proibida no Brasil desde 2009 pela Anvisa. Apesar disso, o combate se dá por meio de apreensões realizadas por órgãos como a Receita Federal, que confisca milhares de unidades ilegalmente importadas. Campanhas de conscientização, como a “Spoiler: ele não te ama” da Fundação do Câncer, também são estratégias para alertar a população, especialmente os jovens.


1 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Joédson Alves/Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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