PF e Receita desmantelam esquema de R$ 86 bilhões no Rio
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PF e Receita desmantelam esquema de R$ 86 bilhões no Rio

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A Polícia Federal (PF), a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, nesta terça-feira (28), a Operação Mare Liberum. O objetivo central é combater um complexo esquema de corrupção instalado na alfândega do Porto do Rio. Esta ação coordenada visa desarticular uma rede criminosa que causou prejuízos bilionários ao erário público.

Segundo informações da Receita Federal, o esquema envolveu a movimentação de impressionantes R$ 86,6 bilhões em mercadorias. Este volume de transações irregulares ocorreu entre julho de 2021 e março de 2026, um período extenso que denota a complexidade e a profundidade da fraude. O valor movimentado inclui o pagamento de dezenas de milhões de reais em propinas.

A Fraude Bilionária na Alfândega: Mecanismos e Impacto

A Operação Mare Liberum lança luz sobre um dos maiores esquemas de fraude aduaneira já identificados no país. A investigação detalha como um grupo estruturado atuava na liberação irregular de mercadorias. Isso acontecia por meio de divergências significativas entre os produtos efetivamente importados e o que era declarado às autoridades fiscais.

O objetivo principal era evitar o pagamento dos tributos devidos. Tal prática caracteriza crimes como contrabando (entrada de produtos proibidos) e descaminho (sonegação de impostos sobre produtos permitidos). A magnitude de R$ 86,6 bilhões em mercadorias sem a devida fiscalização representa uma perda colossal para os cofres públicos. Além disso, distorce a concorrência leal no mercado, prejudicando empresas que atuam dentro da legalidade.

A Polícia Federal e a Receita Federal são órgãos essenciais na proteção das fronteiras econômicas do Brasil. Suas atuações conjuntas em operações como a Mare Liberum são cruciais para garantir a integridade do comércio exterior. A corrupção aduaneira não apenas desvia recursos, mas também facilita a entrada de produtos ilegais e a lavagem de dinheiro, impactando a segurança e a economia nacional.

Operação Mare Liberum: O Alcance da Investigação

A associação criminosa investigada era composta por diversos atores. Entre eles, destacam-se importadores, despachantes aduaneiros e, crucialmente, servidores públicos. Estes últimos, com acesso privilegiado e poder de decisão, facilitavam ativamente as práticas de contrabando e descaminho. A colaboração interna era essencial para a manutenção do esquema, demonstrando uma profunda infiltração.

Nesta terça-feira, a operação cumpriu 45 mandados de busca e apreensão. As diligências foram realizadas em dois estados: no Rio de Janeiro e em Vitória, no Espírito Santo. Além das buscas, foram aplicadas medidas administrativas e judiciais rigorosas contra os envolvidos:

* Afastamento de Cargos: 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários foram imediatamente afastados de suas funções. Totalizando 25 servidores públicos retirados de suas posições estratégicas na Receita Federal.
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Bloqueio de Bens: Medidas de bloqueio de bens foram decretadas pela justiça, visando assegurar a recuperação de parte dos valores desviados e coibir a lavagem de dinheiro, impedindo que os criminosos usufruam dos recursos ilícitos.
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Restrições Profissionais: Foram impostas restrições a atividades profissionais dos investigados, impedindo que continuem a atuar em setores que lhes permitiram cometer os crimes e facilitaram o esquema fraudulento.

A investigação que culminou na Operação Mare Liberum foi iniciada em 2022. Partiu de controles internos da corregedoria da Receita Federal e de denúncias recebidas. A mobilização para a operação atual envolveu mais de 100 servidores da Receita e 200 policiais federais, demonstrando a complexidade e o volume de trabalho necessários para desmantelar a organização criminosa. A atuação conjunta de diferentes forças-tarefa reforça a capacidade do Estado em combater grandes esquemas de corrupção.

A Maior Operação da Corregedoria da Receita e Próximos Passos

A Operação Mare Liberum é um marco histórico no combate à corrupção no Brasil. Ela foi categorizada como a maior operação da história da Corregedoria da Receita Federal. Este fato ressalta a gravidade e a abrangência da fraude, bem como a capacidade e o empenho das instituições em combater a corrupção sistêmica que afeta o comércio exterior e a arrecadação de impostos. A corregedoria atua como um órgão de controle interno, sendo fundamental para a detecção e o combate a desvios de conduta dentro da própria instituição, fortalecendo a confiança pública.

A Receita Federal já se manifestou sobre as ações futuras. O fisco declarou que está “estruturando imediatamente ações de apoio ao Porto do Rio de Janeiro para manter a fluidez do comércio”. Isso visa minimizar qualquer impacto nas operações legítimas de importação e exportação, garantindo que o fluxo econômico não seja prejudicado pela investigação. Além disso, a Receita se compromete a “revisar as operações irregulares realizadas no período investigado”, buscando identificar outras fraudes e recuperar tributos não pagos.

Novas medidas estão previstas para a responsabilização de todos os envolvidos. O foco agora se estende àqueles que pagaram as propinas, fechando o ciclo da investigação e garantindo que todas as partes da cadeia criminosa sejam levadas à justiça. Os investigados poderão responder por uma série de crimes graves, conforme a legislação brasileira, cujas penas podem ser bastante severas:

* Corrupção: Por oferecer ou receber vantagens indevidas.
* Associação criminosa: Pela organização de três ou mais pessoas para o fim de cometer crimes.
* Contrabando: Pela importação ou exportação de mercadoria proibida.
* Descaminho: Pela fraude no pagamento de impostos devidos na entrada, saída ou consumo de mercadoria.
* Lavagem de dinheiro: Pela ocultação ou dissimulação da origem, localização, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal.

A transparência e a integridade das operações aduaneiras são cruciais para a economia do país. A Operação Mare Liberum reforça o compromisso das autoridades brasileiras em garantir um ambiente de negócios justo e legal, combatendo a impunidade e protegendo os recursos públicos. A continuidade das investigações promete desdobramentos importantes e o aprofundamento na responsabilização de todos os culpados, fortalecendo as instituições e a confiança no sistema de comércio exterior.

Perguntas Frequentes

Qual o nome da operação deflagrada pela PF e Receita Federal?

A operação é denominada Mare Liberum**.

Qual o valor da fraude combatida na alfândega do Porto do Rio?

O esquema envolveu a movimentação de R$ 86,6 bilhões em mercadorias.

Quantos servidores públicos foram afastados de suas funções?

Foram afastados 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, totalizando 25 servidores.


28 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: 26.07.2020/Tânia Rêgo/Agência Brasil|Fonte da Informação ↗

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