Empresas assumem papel estratégico no combate à violência de gênero
Ultimas Noticias

Empresas assumem papel estratégico no combate à violência de gênero

Redação 5 min de leitura Ultimas Noticias

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, destacou, nesta terça-feira (31), no Rio de Janeiro, o papel crucial das empresas no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. Segundo Rosa, o setor privado precisa agir em três frentes essenciais: prevenção, intervenção e acolhimento das vítimas. Além disso, ele enfatizou a necessidade de promover transformações culturais profundas para combater as raízes do elevado número de feminicídios no Brasil.

Dados alarmantes, conforme o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), indicam que seis mulheres são mortas por dia no país. No ano passado, foram registradas 2,1 mil vítimas de feminicídio e 4,7 mil tentativas. Esse cenário sublinha a urgência de ações coordenadas entre governo, sociedade civil e setor empresarial.

Ação Empresarial: Além da Legislação Penal

Márcio Rosa participou de um evento no Museu de Arte Moderna do Rio, intitulado “Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, à Violência de Gênero e pela Transformação Cultural”. O encontro, promovido pela Petrobras, Governo Federal e Banco do Brasil, reuniu representantes de grandes empresas públicas e privadas para discutir o tema.

Durante o evento, o secretário-executivo defendeu que o combate à violência de gênero não pode se limitar ao endurecimento das leis penais após os crimes. Para ele, o foco deve ser a ação preventiva, começando pela garantia de ambientes de trabalho livres de violência. “Das empresas, o que se espera é a prevenção, a intervenção, o acolhimento, o suporte”, afirmou Rosa. Ele ainda frisou que as companhias devem estender essas práticas à sua cadeia de fornecedores, “indo além de suas fronteiras” e cobrando os mesmos padrões éticos.

Rosa classificou a inação das empresas no tema como uma “omissão institucional” e uma “falha ética”. Ele criticou as práticas corporativas que desencorajam denúncias, expõem as vítimas ou deixam de punir os agressores. Empresas que falham em criar canais de denúncia seguros ou que penalizam as vítimas, segundo ele, contribuem para perpetuar o problema. “É preciso, óbvio, combater a cultura interna permissiva a qualquer forma de assédio ou de violência”, reiterou.

Protagonismo Feminino e Mudança Cultural

O secretário propôs que as mulheres assumam um papel de liderança na construção de políticas internas dentro das empresas, com apoio da alta gestão. Ele ressaltou que a mudança cultural só se concretiza por meio de “ações cotidianas, concretas e naturais”. Ao reforçar o compromisso do MDIC com a causa, Rosa destacou que o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio envolve o governo e a sociedade civil, enfatizando que apenas a atuação conjunta pode romper o ciclo de violência. “Essa não é uma pauta para amanhã, já deveria ter sido adotada ontem”, concluiu.

Exemplos Práticos de Engajamento Corporativo

A empresária Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, apresentou o “Canal Mulher”, uma iniciativa criada para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica. O programa foi desenvolvido após uma funcionária ser vítima de feminicídio em 2017 e oferece suporte de psicólogos e advogados. A empresa já chegou a arcar com aluguel para ajudar funcionárias a sair de situações de risco. Em 2019, o aplicativo da Magazine Luiza incorporou um botão de denúncia que aciona o número 180 imediatamente.

Trajano relatou o pacto interno da empresa: “Nós fizemos um pacto, treinamos também homens para identificar e lidar com essa situação, e nunca mais a nossa empresa vai perder uma mulher por essa violência”. Ela elogiou a abordagem do Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, que direciona a comunicação aos homens. “O presidente [Luiz Inácio] Lula falou com os homens, e, na nossa empresa, estamos falando direto com eles: olha, vocês precisam atuar, porque um dia pode ser sua filha, uma sobrinha, uma irmã e vocês não sabem”, destacou.

A presidenta do Pacto de Promoção da Equidade Racial, Wania Sant’Anna, observou que as empresas têm empregado cada vez mais mulheres e é vital que essas funcionárias se sintam seguras e apoiadas por seus empregadores. Sant’Anna sublinhou o “papel extraordinário” das empresas na conscientização social sobre a inaceitabilidade da violência contra a mulher. “Os números não são um mero acaso, refletem uma cultura historicamente violenta contra as mulheres e que é tolerada”, avaliou, citando a gravidade e a crueldade dos crimes.

Wania Sant’Anna sugeriu que cada empresa adapte suas ações ao seu ramo de atuação, dialogando com colaboradores e o público. Ela citou exemplos como postos de gasolina estampando o assunto nas bombas, companhias aéreas adesivando aviões e aeroportos ou estações de metrô comunicando-se com passageiros. A Organização das Nações Unidas (ONU) também apoia as empresas nesse esforço por meio do Pacto Global, uma iniciativa que incentiva a adoção de princípios universais em áreas como direitos humanos e trabalho.

Perguntas Frequentes

Qual o papel das empresas no combate à violência de gênero, segundo o MDIC?

As empresas devem atuar em três frentes: prevenção da violência, intervenção em casos já existentes e acolhimento das vítimas, além de promover transformações culturais internas.

Quais são os dados recentes sobre feminicídio no Brasil?

De acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025 (UEL), seis mulheres são mortas por dia no país. No ano passado, foram 2,1 mil vítimas e 4,7 mil tentativas de feminicídio.

Como a Magazine Luiza atua no apoio às funcionárias vítimas de violência?

A Magazine Luiza criou o “Canal Mulher”, que oferece suporte psicológico e jurídico, e incorporou um botão de denúncia que aciona o 180 em seu aplicativo, além de treinar funcionários, incluindo homens, para identificar e lidar com situações de violência.


1 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *