Mulheres negras fortalecem presença em postos de decisão no Brasil

O Festival Pacto das Pretas, em sua quinta edição, reuniu cerca de 1,5 mil líderes em três cidades brasileiras para debater o papel da mulher negra em postos de decisão. A iniciativa teve seu segundo dia de atividades nesta segunda-feira (21), no Museu de Arte do Rio (MAR), na capital fluminense.

O primeiro encontro ocorreu em Salvador na última sexta-feira (17), e o ciclo será encerrado em São Paulo na próxima sexta-feira (24). O evento tem como tema central o “Movimento: Mulheres Negras Criando”, focando em governança corporativa e diversidade.

A organização é do Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), uma plataforma nacional dedicada ao impacto socioeconômico. O PER conta com o apoio de grandes empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura.

A historiadora Wânia Sant’Anna, presidente do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, ressaltou a relevância desses debates. Ela enfatizou a necessidade de consolidar a presença de mulheres negras em posições estratégicas na economia e na tecnologia.

Sant’Anna explicou que o festival foi concebido para expor a visão e a prática de mulheres negras atuantes no mercado de trabalho. “Não é um evento de saúde e de educação. É um evento em que a grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares”, afirmou.

A presidente do conselho também destacou a importância de abordar os processos discriminatórios que muitas empresas ainda mantêm. Esses processos minimizam as entregas e negam oportunidades às mulheres negras. O festival busca confrontar e transformar essa realidade.

O Pacto de Promoção da Equidade Racial implementa um Protocolo ESG Racial para o país. Este protocolo é um conjunto de diretrizes que orienta empresas a incorporar a pauta antirracista de forma estratégica. Atualmente, 85 empresas são signatárias dessa iniciativa.

O Protocolo ESG Racial e seu Impacto

A sigla ESG refere-se a Environmental, Social, and Governance (Ambiental, Social e Governança). Ela representa um conjunto de padrões e critérios que as empresas buscam seguir para demonstrar responsabilidade social e ambiental. O objetivo é atrair investimentos conscientes e construir uma reputação sólida.

Quando o termo “Racial” é adicionado ao ESG, ele direciona o foco para a equidade racial dentro das organizações. Isso implica em avaliar e aprimorar as práticas corporativas relacionadas à diversidade, inclusão e combate ao racismo estrutural. O Protocolo ESG Racial busca medir e gerenciar o impacto social das empresas sob a perspectiva da raça, promovendo ambientes de trabalho mais justos e representativos.

A implementação de tal protocolo exige que as empresas revejam suas políticas de contratação, promoção, remuneração e desenvolvimento profissional. A meta é eliminar barreiras raciais e garantir oportunidades iguais para todos os colaboradores. Isso reflete um compromisso genuíno com a transformação social e a construção de uma economia mais inclusiva.

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, presente no encontro, salientou a força da liderança feminina negra. Ela disse que, ao liderar, a mulher negra não caminha sozinha, mas “abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres”.

Para Vitrolira, investir nessa liderança significa construir um futuro mais justo, próspero e representativo para toda a sociedade. A coletividade e o apoio mútuo são pilares fundamentais para essa transformação.

Ferramentas para o Empoderamento e Antirracismo Corporativo

Um dos lançamentos desta edição do festival é a Plataforma Black Hub. Lançada em 17 de junho em São Paulo, ela se apresenta como um “ecossistema digital” inovador. Seu foco é a educação antirracista, a cultura e a aceleração profissional de pessoas negras.

A viabilidade do projeto foi garantida pela Lei Rouanet, com investimentos de marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm. A Lei Rouanet é um mecanismo de incentivo fiscal que permite a empresas e pessoas físicas destinarem parte do imposto devido para financiar projetos culturais. Sua aplicação no Black Hub demonstra o reconhecimento da cultura e da educação como ferramentas de transformação social.

Dentro da Plataforma Black Hub, estão disponíveis importantes ferramentas:
– A Cartilha ESG Racial: Desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), ela oferece diretrizes e indicadores práticos. O objetivo é orientar o setor corporativo a integrar a pauta antirracista em suas práticas de gestão, governança e impacto social.
– A Cartilha de Enfrentamento à Violência: Liderada por Wânia Sant’Anna e desenvolvida com o escritório Daniel Law, signatário do PER. Este guia reúne recomendações, referências legais e orientações para apoiar empresas na prevenção, sensibilização e construção de uma cultura corporativa de proteção às mulheres.

No campo das artes, o livro Vozes que Ocupam é outra iniciativa marcante. A obra compila 16 crônicas inéditas escritas por importantes lideranças negras da cultura, comunicação e educação. Entre os autores estão nomes como Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza, Diogo Almeida, Dom Filó, Pedro Rajão e Isabel Fillardis.

O Mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Wânia Sant’Anna destacou a relevância do encontro ocorrer em julho, mês que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. Esta data, instituída em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, marca a luta e a resistência de mulheres negras contra o racismo e o sexismo.

A escolha da data para os encontros reforça a mensagem de empoderamento e visibilidade. “Nada melhor que falar sobre isso na semana do 25 de julho”, afirmou Sant’Anna. A celebração deste dia é um momento crucial para reconhecer as contribuições e desafios enfrentados por essas mulheres em toda a região.

Luna Vitrolira, vinda de Pernambuco, ressaltou que nenhuma transformação acontece sozinha. Sua experiência como poeta e cerimonialista a levou a conduzir o evento conectando estratégia, arte e sensibilidade. Ela defendeu que é possível falar de negócios, liderança e inovação sem perder de vista o afeto e a poesia.

A escritora enfatizou a necessidade de um futuro que reconheça a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente. “Quando uma mulher negra ocupa o centro da narrativa, toda a sociedade amplia seu horizonte de possibilidades”, concluiu. A grande demanda do público por esses espaços, segundo Vitrolira, evidencia a urgência e a importância da pauta.

Perguntas Frequentes

O que é o Festival Pacto das Pretas?

O Festival Pacto das Pretas é um evento que reúne líderes para debater o papel da mulher negra em governança corporativa, economia e tecnologia. Em sua quinta edição, busca impulsionar a equidade racial e o empoderamento feminino negro em posições de decisão.

Quem organiza o Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER)?

O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) é uma plataforma nacional de impacto socioeconômico liderada por um conselho deliberativo, cuja presidente é a historiadora Wânia Sant’Anna. Ele conta com o apoio e a assinatura de diversas empresas.

Qual a importância da Plataforma Black Hub?

A Plataforma Black Hub é um ecossistema digital focado na educação antirracista, cultura e aceleração profissional de pessoas negras. Lançada em São Paulo, ela disponibiliza ferramentas como cartilhas e guias para promover a equidade racial no ambiente corporativo.

O que significa o Protocolo ESG Racial?

O Protocolo ESG Racial é um conjunto de diretrizes implementado pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial. Ele visa orientar o setor corporativo a incorporar a pauta antirracista de forma estratégica, avaliando e aprimorando as práticas de gestão, governança e impacto social sob a perspectiva da raça.

Por que o evento ocorre em julho?

O evento ocorre em julho para coincidir com a semana do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. Essa data é significativa para a luta e a visibilidade das mulheres negras na América Latina e no Caribe.


22 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

Bruno Sampaio
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