MPRJ aprofunda inquérito sobre morte de empresário por policiais
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MPRJ aprofunda inquérito sobre morte de empresário por policiais

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O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) acompanha as investigações da morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, ocorrida na última quarta-feira (22), na Pavuna, zona norte do Rio. O objetivo é esclarecer as circunstâncias da ação policial que culminou com a prisão de dois PMs.

O caso foi comunicado ao plantão de monitoramento, conforme previsto na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Este acompanhamento visa garantir a transparência e a conformidade dos procedimentos investigativos.

Acompanhamento Rigoroso do MPRJ e ADPF 635

A atuação do GAESP/MPRJ neste caso reflete o compromisso do Ministério Público em fiscalizar a segurança pública e as ações de agentes estatais. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública é designado para atuar em situações de alta complexidade, envolvendo crimes contra a vida praticados por ou contra agentes de segurança, ou em incidentes de grande repercussão. Sua presença garante que a apuração seja conduzida com o máximo de rigor e imparcialidade.

O monitoramento segue o que foi estabelecido pela Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. Esta decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma série de restrições e diretrizes para as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. Entre elas, a obrigatoriedade de comunicação imediata ao Ministério Público sobre mortes e feridos em operações, além da preservação de vestígios e o uso de câmeras corporais. A ADPF 635 é um marco na busca pela redução da letalidade policial e pela responsabilização em casos de violência.

O GAESP/MPRJ segue acompanhando de perto o andamento das investigações. Estas são conduzidas por duas frentes distintas: a Corregedoria da Polícia Militar e a Delegacia de Homicídios da Capital. O objetivo é um esclarecimento completo das circunstâncias da ação policial. Busca-se identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime, mas que possam ter contribuído para a cadeia de comando.

Detalhes da Abordagem Policial e Prisão dos PMs

Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, foi morto após o carro em que estava com dois amigos ser alvo de disparos. Testemunhas relataram que cerca de 23 tiros atingiram o veículo durante uma abordagem policial na Pavuna. A intensidade dos disparos levanta questionamentos sobre a proporcionalidade da força utilizada.

De acordo com relatos, Daniel tentou sinalizar com os faróis do carro. A intenção era indicar que ele e seus amigos eram moradores da região, uma prática comum em áreas de conflito para evitar confusões. Contudo, os disparos não cessaram. Este detalhe é crucial para a investigação, pois sugere uma possível falha na comunicação ou na observação dos agentes.

Em decorrência do ocorrido, o sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo PM Rodrigo da Silva Alves foram presos em flagrante. A prisão foi efetuada pela própria Corregedoria da corporação, um indicativo da gravidade do caso e da seriedade da investigação interna. Eles foram acusados de homicídio doloso, caracterizado quando há intenção de matar. O crime é previsto na Justiça Militar, o que direciona a competência para o julgamento dos agentes. Após passarem por audiência de custódia, o juiz manteve os dois policiais presos, reforçando a materialidade e os indícios contra eles.

A prisão dos policiais e a acusação de homicídio doloso são desdobramentos significativos. Elas demonstram que as instituições estão agindo para investigar e responsabilizar agentes em casos de suposto uso excessivo da força. A decisão de manter a prisão em custódia sublinha a seriedade das evidências apresentadas até o momento.

Ação da Comissão de Direitos Humanos e Contexto de Violações

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também se mobilizou. A comissão atendeu a viúva de Daniel Patrício Santos de Oliveira, Karina Paes, prestando apoio e colhendo informações. A atuação de órgãos legislativos e de defesa de direitos humanos é fundamental para dar voz às vítimas e suas famílias, além de exercer um controle externo sobre as ações policiais.

A comissão vai oficiar a Corregedoria da Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública. O objetivo é solicitar esclarecimentos detalhados sobre os protocolos adotados na ação policial que resultou na morte de Daniel. Além disso, a CDDHC buscará informações sobre o uso das câmeras corporais pelos agentes envolvidos. A presença e o correto funcionamento desses equipamentos são pontos críticos para a transparência e a elucidação de incidentes como este.

Para a presidente da CDDHC, deputada Dani Monteiro, o caso de Daniel Patrício evidencia uma lógica recorrente de violações. A deputada ressaltou a existência de “indícios graves de uso desproporcional da força e quebra de protocolos”. Ela contextualizou o ocorrido em um cenário mais amplo de violência.

A deputada Dani Monteiro fez uma comparação com outro caso recente e de grande repercussão:
* A morte da médica Andrea Marins, ocorrida no mês passado.
* Ambos os incidentes apontam para um padrão preocupante.
* A deputada enfatizou que “isso não é episódio isolado”, destacando a necessidade de uma revisão profunda das práticas e protocolos policiais no estado.

A dor da família de Daniel, que o descrevia como “carinhoso, sorridente, feliz”, ecoa a gravidade do ocorrido e a interrupção abrupta de uma vida. Incidentes como este também geram um impacto mais amplo. A violência que se manifesta em abordagens policiais pode interromper transportes e afetar o acesso à educação em comunidades, criando um ciclo de instabilidade e medo para os moradores.

Ações como a do MPRJ e da CDDHC são cruciais para garantir que a justiça seja feita. Elas visam prevenir futuras ocorrências e reconstruir a confiança entre a população e as forças de segurança.

Perguntas Frequentes

Quem está investigando a morte de Daniel Patrício?

As investigações são acompanhadas pelo GAESP/MPRJ e conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Quais policiais foram presos no caso?

O sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo PM Rodrigo da Silva Alves foram presos em flagrante por homicídio doloso.

O que é a ADPF 635?

A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, é uma decisão do STF que estabelece diretrizes para operações policiais no Rio de Janeiro, visando reduzir a letalidade e aumentar a transparência.


28 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil|Fonte da Informação ↗

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