Jovens ativistas elaboram proposta sobre água para conferência da ONU

Jovens de diversas comunidades vulneráveis se reuniram neste sábado (6) na Fundição Progresso, localizada próximo aos Arcos da Lapa no Centro do Rio de Janeiro. O encontro tem como tema central o direito à água, e é parte de uma série de painéis que abordam também a importância do saneamento e a resiliência climática. Esta iniciativa foi organizada pela Águas Resilientes, uma organização da sociedade civil que visa promover a discussão sobre o acesso à água e seus impactos sociais.

O evento culminará na elaboração da Declaração das Juventudes, um documento que reunirá propostas que serão enviadas a autoridades brasileiras e à Conferência de Água da Organização das Nações Unidas (ONU), programada para ocorrer entre 2 e 4 de dezembro nos Emirados Árabes Unidos. Este encontro é destacado como um dos mais relevantes sobre a temática da água, buscando fortalecer sua governança a nível global e elevar a pauta nas discussões internacionais.

Custo da universalização do saneamento

A especialista em planejamento urbano Andrea Pulici trouxe à tona a questão do custo envolvido na universalização do saneamento no Brasil. Segundo o Marco Legal do Saneamento, que define diretrizes para todas as esferas de governo, o país deve alcançar a universalização até 2033. Essa meta implica que 99% da população brasileira deve ter acesso à água tratada e 90% à coleta e tratamento de esgoto.

De acordo com Pulici, para atingir essas metas, são necessários investimentos de aproximadamente R$ 114 bilhões por ano. Esse dado está alinhado com as estimativas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que sugere um investimento total em torno de R$ 900 bilhões até 2033.

Ela enfatiza a importância de considerar o “custo de não fazer”, questionando seu valor social: “Quanto vale ter uma comunidade inteira sem medo de uma inundação? Quanto custa o acesso à água para uma família?”. Pulici ressalta que a falta de saneamento impacta diretamente na cidadania, exemplificando com a situação de crianças sem acesso à água nas escolas.

Atualmente, dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico revelam que 84,1% da população brasileira tem acesso à rede de abastecimento de água, enquanto 62,3% é atendida por redes de esgoto, e apenas 51,8% do esgoto gerado recebe tratamento.

Água e dignidade

A ativista Johari Silva, da Ação da Cidadania, liga a discussão sobre o direito à água à dignidade humana, afirmando que: “Sem água não temos dignidade, sobrevivência alimentar ou saúde”. Ela defende que a diplomacia climática deve incluir a voz das comunidades mais afetadas, como povos indígenas e moradores de áreas periféricas.

Johari também destaca os projetos da sua organização, que visam capacitar jovens para que possam ocupar espaços de decisão onde frequentemente estão ausentes.

Carta para a ONU

A diretora de Planejamento da Águas Resilientes, Verena Meirelles, reforçou a importância de ouvir aqueles que enfrentam dificuldades no acesso à água. Ela considera que levar a Declaração das Juventudes à ONU representa um passo significativo para a missão do instituto. “Devemos agir agora e com todos”, afirma.

O fundador e diretor-presidente da organização, Erleyvaldo Bispo, destaca que a declaração serve para reafirmar a importância da água e para garantir que o Brasil e a América Latina sejam parte central desse debate internacional. Ele mencionou que cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável, sendo que cerca de 35 milhões dessa população estão no Brasil.

“Precisamos ser vistos nesse espaço multilateral”, ponderou Bispo, questionando por que a água ainda é tratada com tão pouco valor.

Força da juventude

Neste cenário desafiador, a força e a mobilização dos jovens se mostram essenciais na luta pelo direito à água. Ao se unirem em eventos como este, eles não apenas defendem suas necessidades, mas também se tornam agentes de mudança, moldando políticas e inspirando uma nova geração a cuidar do nosso planeta e de seus recursos hídricos.


7 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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