Durigan articula proteção e minerais estratégicos em cúpulas globais
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Durigan articula proteção e minerais estratégicos em cúpulas globais

Redação 6 min de leitura Ultimas Noticias

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta terça-feira (12) que o Brasil debaterá os impactos econômicos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, além das negociações sobre minerais críticos, durante as próximas reuniões do Brics e do G7, visando proteger a economia nacional. As viagens ocorrerão em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas globais. A estratégia do governo brasileiro é antecipar cenários de turbulência internacional para salvaguardar setores como combustíveis, agronegócio e mineração.

Em entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, na TV Brasil, o ministro Durigan destacou que a agenda brasileira incluirá também discussões sobre investimentos estratégicos e segurança energética. Ele ressaltou a importância de o Brasil consolidar-se como parceiro estratégico em recursos minerais e tecnologia. Ao mesmo tempo, o país busca ampliar a cooperação internacional em áreas consideradas sensíveis para a sua economia. Durigan enfatizou que a preparação e proteção do Brasil contra os efeitos dos conflitos globais são prioridades máximas para sua gestão.

Estratégia Brasileira em Meio a Conflitos Globais

A agenda do ministro Durigan começa com a viagem a Moscou, na Rússia, onde desembarca na quinta-feira (14) para participar da reunião do Banco do Brics. Este grupo é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O foco principal em Moscou será a discussão de mecanismos para proteger a economia brasileira dos efeitos das guerras internacionais, especialmente no que tange aos preços dos combustíveis e ao agronegócio. O ministro pretende se reunir com representantes da Índia, de países do Oriente Médio e de outras nações do bloco para avaliar os cenários econômicos diante da atual instabilidade.

Durigan salientou que, mesmo sendo alheia à vontade dos brasileiros, a guerra afeta diretamente o país. Ele exemplificou a situação com a variação nos preços dos combustíveis, que impacta significativamente o cotidiano das pessoas. Essa preocupação se estende a toda a cadeia produtiva, do transporte à alimentação. A busca por alternativas e a mitigação de riscos são pautas essenciais para a delegação brasileira nas próximas cúpulas.

Outro ponto central da agenda em Moscou será a preservação de investimentos financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco do Brics. A instituição desempenha um papel crucial no financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros. Entre os projetos prioritários citados pela equipe econômica está o desenvolvimento do primeiro Hospital Inteligente da América Latina. Esta iniciativa, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), será financiada pelo Banco do Brics e prevê integração tecnológica internacional e cooperação entre especialistas de vários países.

Minerais Críticos: Soberania e Industrialização

A pauta dos minerais críticos será levada tanto à Rússia quanto à França, onde o ministro chega na segunda-feira (18) para a reunião do G7. O governo brasileiro tem como objetivo transformar o país em um dos principais fornecedores globais de matérias-primas consideradas essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética. Entre os minerais citados por Durigan estão as terras raras, o nióbio e o grafeno. Atualmente, a China lidera a produção mundial desses materiais, enquanto o Brasil busca consolidar sua posição como a segunda maior reserva global.

O ministro destacou que o novo marco legal recentemente aprovado pelo Congresso Nacional visa oferecer segurança jurídica aos investidores estrangeiros. Essa medida é crucial para atrair capital e tecnologia, sem que o Brasil abra mão do controle nacional sobre seus recursos. Durigan afirmou que o país quer dar segurança jurídica para um negócio que interessa ao mundo: os minerais críticos. O governo defende que futuras parcerias internacionais estejam vinculadas à industrialização local e à geração de empregos no Brasil, garantindo que o valor agregado permaneça no território nacional.

Para o governo, há dois pilares fundamentais nesta estratégia para o setor mineral:
– 1. Soberania: Manter o controle nacional sobre os recursos minerais estratégicos, assegurando que a exploração e o beneficiamento atendam aos interesses do país.
– 2. Industrialização Local: Incentivar a transformação da matéria-prima em produtos de maior valor agregado dentro do país, gerando mais riqueza e desenvolvimento tecnológico.

Durigan reforçou que o Brasil busca estimular a industrialização para evitar repetir um padrão histórico de dependência externa. Esse padrão, observado com o ouro, prata, cana-de-açúcar e minério de ferro, consiste em exportar a matéria-prima bruta para depois importar os produtos industrializados. A meta é, por exemplo, não apenas exportar minério de ferro, mas produzir e vender a placa de aço industrializada, ou refinar o petróleo para produzir diesel nacional. Essa mudança de paradigma busca fortalecer a economia interna e reduzir vulnerabilidades externas.

Investimentos e Cooperação Internacional

Em Paris, o ministro Dario Durigan terá encontros relacionados ao G7, grupo das sete democracias mais ricas do planeta, onde o Brasil participará como país convidado. Além dos debates sobre minerais estratégicos, a agenda deve incluir segurança global, impactos econômicos das guerras e alternativas para estabilização geopolítica. O Brasil pretende se apresentar como uma alternativa confiável para o fornecimento de minerais críticos, diante da atual dependência internacional em relação à China. A equipe econômica também busca ampliar as negociações com países europeus interessados em investir no setor mineral brasileiro sob as novas regras de exploração, que priorizam a sustentabilidade e o desenvolvimento local.

As viagens de Durigan também terão um forte foco na atração de investimentos estrangeiros para setores de tecnologia e infraestrutura. Conversas anteriores com empresas alemãs, durante a Feira de Hanover realizada em abril na Alemanha, já abriram espaço para futuras instalações industriais no Brasil. A estratégia do governo é vincular esses investimentos externos à criação de empregos qualificados, ao apoio a universidades e à transferência de tecnologia. Essa abordagem visa um desenvolvimento econômico mais robusto e autônomo para o país, criando um ciclo virtuoso de inovação e crescimento.

Perguntas Frequentes

O que o Brasil discutirá nas reuniões do Brics e G7?
O Brasil, representado pelo ministro Dario Durigan, discutirá os impactos econômicos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, além das negociações sobre minerais críticos. A agenda também inclui investimentos estratégicos e segurança energética, buscando proteger a economia nacional e promover o desenvolvimento.

Qual a importância dos minerais críticos para a economia brasileira?
Os minerais críticos, como terras raras, nióbio e grafeno, são essenciais para a indústria tecnológica e a transição energética global. O Brasil busca se posicionar como um dos principais fornecedores e, ao mesmo tempo, estimular a industrialização local para agregar valor, gerar empregos e garantir soberania sobre seus recursos.

Como o Brasil busca atrair investimentos estrangeiros para o setor mineral?
O governo brasileiro pretende atrair investimentos estrangeiros oferecendo segurança jurídica com um novo marco legal para o setor. Além disso, a estratégia é vincular esses investimentos à industrialização local, à criação de empregos qualificados, ao apoio a universidades e à transferência de tecnologia.


13 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Valter Campanato/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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