Fazenda critica Rondônia por recusar corte de ICMS no diesel
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Fazenda critica Rondônia por recusar corte de ICMS no diesel

Redação 7 min de leitura Ultimas Noticias

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta quarta-feira (6) sua insatisfação com a decisão do governo de Rondônia de não aderir à proposta federal de redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre o diesel. A medida, pensada para amenizar a alta dos combustíveis no Brasil, foi motivada pela escalada dos preços internacionais, influenciada pela guerra no Oriente Médio. Durigan classificou a recusa de Rondônia como uma decisão estritamente política, contrastando com a adesão da maioria dos estados brasileiros.

Contexto da Proposta Federal e o ICMS sobre Combustíveis

A proposta do governo federal de reduzir o ICMS sobre o diesel surge em um cenário de instabilidade econômica global. A guerra no Oriente Médio tem sido um dos principais fatores a impulsionar a cotação do petróleo no mercado internacional, impactando diretamente os preços dos combustíveis em diversos países, incluindo o Brasil. Diante dessa realidade, o governo federal buscou uma ação coordenada com os estados para aliviar o peso desses aumentos sobre os consumidores e a economia.

O ICMS é um imposto estadual que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços, sendo uma das principais fontes de arrecadação para os governos estaduais. No caso dos combustíveis, a alíquota do ICMS é um componente significativo do preço final pago pelo consumidor nas bombas. A redução temporária dessa alíquota, proposta pelo governo federal, visava atuar como um amortecedor, minimizando o repasse da volatilidade do mercado internacional para os bolsos da população e para os custos de transporte e produção.

A adesão dos estados a essa iniciativa federal é voluntária, mas representa um esforço conjunto para estabilizar a economia e proteger o poder de compra dos cidadãos. O ministro Durigan destacou que a maior parte dos estados, inclusive aqueles governados por políticos de oposição ao governo federal, aceitou a proposta. Essa ampla adesão reforça a percepção de que a medida é tecnicamente válida e necessária para enfrentar a conjuntura econômica.

A Recusa de Rondônia e as Razões Políticas Apontadas

Rondônia, ao lado do Rio de Janeiro, foi um dos poucos estados que não aderiram à iniciativa federal de redução do ICMS sobre o diesel. O ministro Dario Durigan foi enfático ao afirmar que as razões para essa decisão são “estritamente políticas” e não se baseiam em argumentos técnicos. Ele argumentou que, se houvesse questões técnicas impeditivas, os outros 26 estados e o Distrito Federal também as teriam apontado.

O governo de Rondônia é atualmente liderado pelo Coronel Marcos Rocha, que no início do ano fez uma mudança partidária, saindo do União Brasil para se filiar ao PSD. Durigan não detalhou as motivações políticas específicas, mas a sua crítica sugere uma dissonância entre os interesses estaduais e a articulação nacional em um momento de crise. A postura do governo rondoniense, segundo o ministro, contraria o “esforço nacional em benefício da população” que está sendo realizado.

A não adesão de Rondônia é vista pelo Ministério da Fazenda como um ato isolado que pode prejudicar o próprio estado. A dependência do transporte rodoviário é uma característica marcante da economia rondoniense, que tem na malha viária a principal via para escoamento de sua produção agrícola e mineral, além do transporte de cargas e passageiros. A alta dos combustíveis, portanto, impacta diretamente os custos de vida e a competitividade dos produtos locais, podendo gerar inflação e frear o desenvolvimento econômico.

Impactos e Desdobramentos da Não Adesão no Estado

A decisão de Rondônia de não reduzir o ICMS sobre o diesel traz consequências diretas para a população e para a economia local. Entre os principais pontos levantados pelo ministro Durigan e pelo contexto da situação, destacam-se:

Prejuízo à população rondoniense: A manutenção de um ICMS mais alto significa que o preço final do diesel nas bombas será maior do que poderia ser, impactando diretamente os motoristas, transportadores e, por consequência, o custo de vida geral.
Dependência do transporte rodoviário: Rondônia, pela sua localização e infraestrutura, depende intensamente do transporte por rodovias para praticamente todas as suas atividades econômicas. Um combustível mais caro eleva os custos de frete, os preços de produtos e serviços e a logística em geral.
Diferença em relação a outros estados: Enquanto a maioria dos estados busca aliviar a carga tributária sobre o diesel, Rondônia se mantém fora desse movimento, o que pode gerar desvantagens comparativas para o estado e seus cidadãos.
Impacto na produção e consumo: Produtores agrícolas e industriais de Rondônia terão custos mais elevados de transporte, que tendem a ser repassados ao consumidor final, resultando em produtos mais caros.

Durigan ressaltou que estados com governadores de oposição, que frequentemente travam “discussões duras” com o governo federal no Congresso Nacional, aderiram à proposta. Isso indica que a demanda por alívio nos preços dos combustíveis é uma preocupação transversal, percebida por diferentes matizes políticas em benefício de suas populações. A recusa de Rondônia, portanto, é considerada ainda mais “lamentável” por parte do Ministério da Fazenda.

Ações Federais e a Busca por Soluções para Rondônia

Diante do impasse e da percepção de que a população rondoniense pode ser penalizada pela decisão do governo estadual, o ministro Dario Durigan afirmou que levará o caso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é que o presidente avalie possíveis “medidas alternativas” que possam beneficiar a população local, mesmo sem a adesão de Rondônia à redução do ICMS.

As medidas alternativas que podem ser consideradas pelo governo federal não foram detalhadas no momento. No entanto, o histórico de ações do governo federal em momentos de alta de combustíveis inclui a possibilidade de subsídios diretos ou outras formas de compensação. Notícias relacionadas indicam que o governo já havia proposto um subsídio de R$ 1,20 ao diesel anteriormente, mostrando a disposição em buscar soluções para o setor. Essas alternativas visam garantir que os impactos dos preços internacionais não recaiam de forma desproporcional sobre uma região específica devido a uma divergência política local.

A tentativa da Agência Brasil de contatar o governo de Rondônia para obter um posicionamento sobre a não adesão e as críticas do ministro demonstra a busca por clareza e por uma perspectiva completa da situação. A expectativa é que, com a intervenção do presidente, uma solução que minimize os prejuízos à população de Rondônia possa ser encontrada, reforçando o compromisso federal com o bem-estar dos cidadãos em todo o país. A discussão sublinha a complexidade das relações federativas e a importância da coordenação entre os entes federados para enfrentar desafios econômicos de grande escala.

Perguntas Frequentes

Por que o Ministro da Fazenda criticou Rondônia?
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou Rondônia por não aderir à proposta do governo federal de reduzir o ICMS sobre o diesel. Ele afirmou que a recusa tem motivação política, e não técnica, o que considera lamentável em um momento de esforço nacional para conter a alta dos combustíveis.

Qual o impacto da não adesão de Rondônia na redução do ICMS?
A não adesão de Rondônia à redução do ICMS sobre o diesel tende a prejudicar o próprio estado, que depende fortemente do transporte rodoviário. Isso pode resultar em preços de combustíveis mais altos para a população, elevando custos de transporte e impactando a economia local.

Quais as possíveis medidas alternativas do governo federal?
O ministro Durigan afirmou que levará o caso ao presidente Lula para avaliar medidas alternativas em benefício da população de Rondônia. Embora não detalhadas, essas ações podem incluir subsídios diretos ou outras formas de compensação para amenizar o impacto dos preços dos combustíveis na região.


6 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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