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Evacuação de navio com hantavírus começa em Tenerife após surto

Redação 6 min de leitura Ultimas Noticias

Passageiros e tripulantes do navio MV Hondius, onde um surto de hantavírus causou três mortes, começaram a ser retirados da embarcação em Tenerife, Espanha, neste domingo (10). A complexa operação envolveu equipes de resgate e segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a repatriação segura dos indivíduos.

Início da Operação de Desembarque em Tenerife

A retirada dos ocupantes do MV Hondius teve início por volta das 5h30 (horário de Brasília). O primeiro grupo a deixar o navio foi composto por quatorze espanhóis, sendo treze passageiros e um membro da tripulação. Esta ação ocorreu no porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife, onde o MV Hondius estava atracado.

Mais de 30 profissionais da Unidade Militar de Emergências (UME) do Ministério da Defesa espanhol participaram da remoção. Eles adotaram todas as medidas de segurança necessárias, incluindo a obrigatoriedade de passageiros vestirem trajes de proteção especiais. Após o desembarque, os espanhóis foram transportados para o Aeroporto de Tenerife Sul. De lá, seguiram em um avião militar até a Base Aérea de Torrejón de Madri, próxima à capital, onde deram entrada no Hospital Gómez Ulla para acompanhamento médico.

Na sequência, um grupo de cinco franceses também foi retirado do navio, com os mesmos cuidados rigorosos. Durante o voo de repatriação para Paris, um dos passageiros franceses, que até então estava assintomático, começou a apresentar sintomas relacionados ao hantavírus. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.

A empresa turística holandesa Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro, informou que há 102 passageiros e 47 tripulantes de diversas nacionalidades a bordo. A sequência de desembarque está sendo coordenada conforme a chegada dos voos de repatriação. A expectativa das autoridades é que a complexa operação de evacuação se estenda ao menos até a tarde de segunda-feira (11), utilizando lanchas para o transporte dos indivíduos.

O Surto de Hantavírus no MV Hondius

O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius resultou em três mortes confirmadas. O navio partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril. Dez dias depois, em 10 de abril, um passageiro holandês faleceu a bordo.

A cronologia dos óbitos e casos confirmados é a seguinte:
10 de abril: Um passageiro holandês morreu a bordo do navio.
24 de abril: O corpo do passageiro holandês foi desembarcado na ilha britânica de Santa Helena.
27 de abril: A esposa do passageiro holandês, também de nacionalidade holandesa, começou a passar mal e faleceu em Santa Helena.
2 de maio: Um terceiro passageiro, de nacionalidade alemã, morreu a bordo do MV Hondius.

Até a manhã deste domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia confirmado ao menos seis casos de hantavírus entre os viajantes, incluindo as três vítimas fatais. Outros dois casos suspeitos estão sendo analisados pelas autoridades de saúde.

Entenda o Hantavírus e Seus Riscos

O hantavírus é uma doença infecciosa grave, cuja transmissão ocorre principalmente pelo contato com animais roedores, como ratos silvestres, ou com suas fezes, urina e saliva. A inalação de aerossóis contaminados é a via mais comum de infecção. Em situações raras, a transmissão de pessoa para pessoa é possível, mas exige contato muito próximo com saliva ou secreções respiratórias de um indivíduo infectado, conforme diretrizes da OMS.

Os sintomas iniciais da doença incluem febre e dores pelo corpo. À medida que a infecção avança, pode levar a dificuldades respiratórias severas e cansaço excessivo, podendo evoluir para a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), uma condição grave com alta taxa de letalidade. O vírus identificado no MV Hondius é a cepa andina do hantavírus, conhecida por sua gravidade.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, se pronunciou sobre o caso em uma mensagem direcionada à população de Tenerife. Ele buscou minimizar os riscos de contaminação para os moradores locais, apesar da campanha liderada pelo presidente da comunidade, Fernando Clavijo, para que o navio fosse proibido de atracar na ilha. Adhanom afirmou que o risco para quem vive normalmente em Tenerife é baixo, garantindo que não estava sendo “leviano” em sua declaração. Ele ressaltou que, no momento, não há passageiros sintomáticos a bordo, um especialista da OMS está no navio, suprimentos médicos estão disponíveis e as autoridades espanholas prepararam um plano cuidadoso para a evacuação.

Recomendações da OMS e Planos Futuros do Navio

De acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, cada passageiro e tripulante evacuado deverá ser o mais rapidamente possível transportado por via aérea para seu respectivo país de origem. Ao chegar, todos deverão cumprir um período de quarentena. Esta medida é fundamental para monitorar o surgimento de sintomas e conter qualquer possível propagação do vírus.

A logística de repatriação é complexa e exige cooperação internacional, envolvendo os países de origem dos passageiros e as autoridades espanholas e holandesas. Após o desembarque de todos os passageiros e de uma parte da tripulação – cerca de 30 membros da tripulação deverão permanecer a bordo –, o MV Hondius será reabastecido e receberá os suprimentos necessários para seguir viagem.

O destino final do navio, após a conclusão das operações em Tenerife, será o porto de Rotterdam, na Holanda. A estimativa da Oceanwide Expeditions é que a viagem até a Holanda demore aproximadamente cinco dias. Durante este período, os tripulantes restantes a bordo provavelmente seguirão protocolos de monitoramento e biossegurança.

Perguntas Frequentes

O que é o MV Hondius e por que ele foi evacuado?
O MV Hondius é um navio de cruzeiro operado pela Oceanwide Expeditions, que foi evacuado em Tenerife, Espanha, após um surto de hantavírus a bordo. O surto resultou na morte de três pessoas e na confirmação de pelo menos seis casos, exigindo a remoção segura dos ocupantes.

Como o hantavírus é transmitido e quais são seus sintomas?
O hantavírus é geralmente transmitido por roedores ou suas secreções, e em casos raros, de pessoa para pessoa por contato muito próximo. Seus sintomas iniciais incluem febre e dores pelo corpo, podendo evoluir para dificuldade respiratória e cansaço excessivo em fases mais avançadas.

Qual a posição da OMS sobre o risco do hantavírus em Tenerife?
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, minimizou os riscos para a população de Tenerife, afirmando que o risco de contaminação é baixo. Ele destacou que não há passageiros sintomáticos a bordo e que as autoridades espanholas implementaram um plano de segurança rigoroso para a evacuação.


11 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: REUTERS/File Photo|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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