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Inverno dispara internações por asma e exige atenção máxima para crianças

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 11/07/2026 às 17:35
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 11 de julho de 2026, às 17:36

O inverno intensifica as crises de asma no Brasil, especialmente entre crianças e adolescentes, devido a viroses, ambientes fechados e alérgenos. Especialistas da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Umane e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) alertam para a importância da vacinação e tratamento contínuo para evitar internações e complicações sérias.

A estação mais fria do ano traz consigo uma série de fatores que podem agravar a condição respiratória de pessoas com asma. Embora o senso comum aponte o frio como o principal inimigo, especialistas esclarecem que o verdadeiro problema reside nos hábitos e na maior circulação de agentes infecciosos. O coordenador da Comissão Científica de Asma da SBPT, Emilio Pizzichini, destaca que não é a baixa temperatura diretamente que provoca as crises.

Um dos principais fatores que desencadeiam as crises é a proliferação de vírus no ambiente. A maior circulação de patógenos respiratórios, como o vírus da Influenza (gripe), o SARS-CoV-2 (Covid-19) e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), pode acarretar infecções nas vias aéreas. Essas infecções, por sua vez, atacam uma asma que não esteja devidamente controlada, intensificando a inflamação nos brônquios.

Pizzichini explica que uma asma não tratada adequadamente ou mal controlada torna o indivíduo mais vulnerável. Um simples resfriado ou virose adiciona uma camada extra de inflamação nas vias aéreas, potencializando a ocorrência de uma crise severa. É fundamental, portanto, que o tratamento da asma seja mantido durante todo o ano, pois a maioria dos casos requer medicação contínua para controlar a inflamação crônica.

O papel crucial da vacinação e da atenção primária

A prevenção é um pilar essencial no manejo da asma. A vacinação contra viroses respiratórias, como a da gripe (Influenza), a da Covid-19 e, quando disponível, a do VSR, desempenha um papel protetor significativo. Elas diminuem o risco de inflamações graves e, consequentemente, a chance de uma crise de asma que possa levar à hospitalização.

Segundo Emilio Pizzichini, o Brasil abriga cerca de 20 milhões de asmáticos. Esse contingente de pessoas, que geralmente enfrenta uma ou duas infecções respiratórias anualmente, sobrecarrega o sistema de saúde. O especialista ressalta que o país carece de um número suficiente de especialistas para atender a toda essa demanda. Por isso, a infecção respiratória, especialmente em crianças, deve ser tratada na atenção primária. Muitas vezes, os pequenos não realizam testes respiratórios específicos para identificar se sintomas como o chiado são realmente decorrentes da asma, dificultando o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

Crianças e adolescentes são os mais afetados: dados de internação

A vulnerabilidade de crianças e adolescentes é um ponto de atenção. Dados alarmantes do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), compilados pela organização Umane, revelam que essa faixa etária é a mais atingida. Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos foram responsáveis por 70,5% das internações por asma em julho de 2024.

Nesse mês, foram registradas 4.034 internações nessa faixa etária, quase o dobro das 2.108 contabilizadas em janeiro do mesmo ano. Em um panorama mais amplo, o Datasus indica que, durante todo o ano de 2024, o Brasil somou 52.087 internações por asma. Destas, 73,7% ocorreram com crianças e adolescentes até 14 anos, evidenciando a urgência de medidas preventivas e educativas direcionadas a esse grupo.

Prevenção e cuidados essenciais para evitar crises respiratórias

A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, detalha uma série de cuidados práticos que podem minimizar drasticamente as chances de uma crise de asma em casa:

– A casa deve estar sempre bem arejada, com o sol batendo para inibir o crescimento de mofo e reduzir a umidade.
– Mantenha cortinas limpas e evite o acúmulo de brinquedos, bichos de pelúcia ou outros objetos que possam juntar poeira no quarto da criança.
– Prefira edredons a cobertores, pois estes últimos tendem a acumular mais ácaros.
– Em vez de varrer a casa, o que levanta poeira e alérgenos, opte por usar um pano úmido (apenas com água) ou um aspirador de pó com filtro adequado.

Outro fator crucial a ser evitado é a proximidade com fumantes. A exposição ao fumo passivo, seja de cigarro comum, eletrônico ou narguilé, é um dos piores gatilhos para crises de asma, irritando as vias aéreas e aumentando a inflamação.

A especialista Marcela Marques lamenta a falta de orientação dos serviços de saúde para que as famílias iniciem o tratamento da asma logo na primeira internação. Um tratamento preventivo e contínuo pode tornar novas internações raras. Ela enfatiza que, ao serem orientadas sobre os gatilhos das crises, suas causas e o que fazer no início de um episódio, as famílias conseguem evitar idas frequentes ao pronto-socorro. É essencial que cada família tenha um plano de crise e saiba quando procurar o serviço médico se o plano não for suficiente.

Ambientes fechados e aglomeração: o perigo invisível do inverno

O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, do Departamento Científico de Asma da Asbai, reforça a dinâmica do inverno. Devido às baixas temperaturas, as pessoas tendem a permanecer mais tempo em lugares fechados e, consequentemente, mais aglomeradas. Este cenário é propício para a transmissão de vírus respiratórios.

“Então, realmente, a gente tem um aumento da frequência, que a gente chama de prevalência, de infecções virais, nessa época, e, por consequência, acaba tendo mais crises de asma também”, explica Giavina-Bianchi. Ele recomenda que os asmáticos evitem contato com pessoas gripadas ou resfriadas, especialmente nesta época do ano. Além disso, a vacinação deve ser rigorosamente mantida, não apenas para a Influenza, mas também para a vacina pneumocócica, que protege contra bactérias que podem causar pneumonia.

O membro da Asbai sublinha a eficácia do distanciamento social nessas situações, citando a pandemia da Covid-19 como um exemplo claro. O uso de máscaras não apenas preveniu a Covid-19, mas também reduziu a transmissão de outros vírus respiratórios, como rinovírus e influenza, demonstrando a importância de tais medidas em contextos de alta circulação viral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos para crises de asma no inverno?

Os principais gatilhos no inverno incluem a maior circulação de vírus respiratórios (Influenza, Covid-19, VSR), o contato com alérgenos presentes em ambientes fechados (ácaros de cobertores e casacos guardados, poeira, mofo) e a fumaça de cigarros, tanto ativa quanto passiva. O frio em si não é o vilão, mas as condições associadas a ele.

Por que crianças e adolescentes são mais afetados pela asma?

Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos são mais vulneráveis devido a um sistema imunológico em desenvolvimento e à maior exposição a ambientes de aglomeração, como escolas, onde a transmissão de vírus é facilitada. Dados do Datasus mostram que essa faixa etária representa a maioria das internações por asma no Brasil.

Qual a importância da vacinação para asmáticos?

A vacinação é crucial para asmáticos, pois diminui o risco de contrair infecções respiratórias graves, como gripe (Influenza), Covid-19 e doenças pneumocócicas. Ao prevenir essas infecções, as vacinas reduzem significativamente a chance de desencadear crises de asma severas e a necessidade de hospitalização.

Que cuidados devo ter em casa para prevenir crises?

Para prevenir crises em casa, é recomendado manter o ambiente arejado e ensolarado, livre de mofo e umidade. Limpe cortinas regularmente, evite o acúmulo de objetos empoeirados (como bichos de pelúcia) e prefira edredons a cobertores. A limpeza deve ser feita com pano úmido ou aspirador, evitando varrer para não levantar poeira.

O que fazer em caso de uma crise de asma?

Em caso de crise de asma, é fundamental seguir o plano de crise orientado pelo médico, que geralmente inclui o uso de medicação de alívio. Se os sintomas não melhorarem conforme o plano ou se houver agravamento (como dificuldade severa para respirar, lábios azulados), procure imediatamente um serviço médico de urgência.


11 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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