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Governo Federal destina 1,9 mil imóveis a famílias e serviços

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 12/06/2026 às 05:13
Ricardo Stuckert / PR
Leitura: 7 Min
Última Atualização: 12 de junho de 2026, às 05:13

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou na quinta-feira (11) a destinação de quase 1,9 mil imóveis da União para diversos fins, como moradias populares, regularização fundiária, saúde e educação, beneficiando 400 mil famílias em todo o Brasil.

A iniciativa, parte do programa Imóvel da Gente, visa transformar bens públicos ociosos em ativos com função social e econômica. Este programa, lançado em 2023, atua no mapeamento e na destinação estratégica de propriedades federais. Os imóveis incluem desde terrenos urbanos e rurais até edificações em centros históricos.

Um evento no Palácio do Planalto marcou o balanço das ações do programa desde seu início. Contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, gestores municipais e representantes de movimentos sociais. A cerimônia reforçou o compromisso do governo com a revitalização de áreas abandonadas.

O presidente Lula destacou a urgência de dar uso a prédios vazios em grandes cidades. Ele mencionou os “centros velhos” de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Muitos desses imóveis estão há anos em situação de abandono, frequentemente envolvidos em processos judiciais. A ideia central é resgatar a função social dessas propriedades, muitas vezes subutilizadas ou sem ocupação. A revitalização busca oferecer soluções para a crise habitacional e a carência de infraestrutura pública.

A regularização fundiária é um processo complexo que visa garantir o direito à moradia e o acesso à terra. Ela formaliza a posse ou a propriedade de ocupações informais em áreas urbanas e rurais. No Brasil, milhões de famílias vivem em condições de irregularidade fundiária, sem o título de suas casas. Isso gera insegurança jurídica e impede o acesso a serviços básicos e investimentos.

Este processo envolve etapas como o levantamento topográfico, a identificação dos ocupantes e o registro cartorial dos imóveis. A finalidade é integrar assentamentos precários ao contexto legal e urbanístico das cidades. A ação do governo, por meio do Imóvel da Gente, busca acelerar essa formalização, conferindo dignidade e segurança.

Destinação Ampla e Impacto Social

Dados da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao MGI, revelam o potencial transformador do programa. As destinações realizadas desde 2023 podem beneficiar aproximadamente 400 mil famílias em todos os estados brasileiros. A área total abrangida supera 18,5 mil quilômetros quadrados, um espaço equivalente a três vezes o tamanho do Distrito Federal.

A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, enfatizou a mudança de paradigma. “A gente está transformando imóveis abandonados em moradias, em títulos de propriedade, em escolas, em hospitais, em oportunidades”, afirmou. Segundo ela, o patrimônio da União voltou a cumprir sua função social e socioambiental e a servir ao povo brasileiro.

Os imóveis em questão não se limitam a residências isoladas, mas incluem áreas extensas que podem abranger bairros inteiros. Essa abrangência permite uma intervenção urbanística mais ampla. A SPU identificou 370 áreas da União com ocupação habitacional ainda sem titulação, após cruzar dados relevantes sobre o território nacional.

O processo de titulação de bairros envolve parcerias estratégicas com estados e prefeituras. Esses entes federativos são cruciais na urbanização do território, parcelamento dos imóveis e identificação das famílias. A etapa final é o registro em cartório, que confere segurança jurídica aos moradores e garante a propriedade.

Investimento e Colaboração Federativa

Para custear a titulação desses imóveis, o programa PAC Periferia Viva disponibiliza cerca de R$ 200 bilhões. Este montante cobre inclusive os custos cartoriais, que muitas vezes representam uma barreira para famílias de baixa renda e dificultam a regularização. Do total de 370 áreas identificadas, 129 já contam com parcerias firmadas entre o governo federal e os municípios.

A ministra Esther Dweck citou o exemplo de Belém, capital do Pará. Na cidade, cerca de 15 bairros poderão ter a situação de suas casas completamente regularizada em nome das famílias ocupantes. Isso representa um avanço significativo na política habitacional e de inclusão social para a região.

Além da moradia, a destinação dos imóveis federais abrange outras áreas vitais para o desenvolvimento social. Cerca de 68 propriedades foram direcionadas para a construção ou expansão de hospitais, unidades básicas de saúde e unidades de assistência social. Outros 141 imóveis ociosos foram transferidos para a educação pública, incluindo a criação de 25 campi de institutos federais.

As principais destinações dos imóveis da União incluem:
– Regularização fundiária em áreas urbanas e rurais, garantindo títulos de propriedade.
– Construção de moradias populares para famílias de baixa renda e em situação de vulnerabilidade.
– Criação e ampliação de equipamentos de saúde, como hospitais, unidades básicas de saúde (UBS) e unidades de assistência social.
– Desenvolvimento de infraestrutura educacional, com novas escolas, creches e campi de institutos federais.
– Venda no mercado imobiliário para compor um fundo de investimentos governamental, gerando receita.
– Repasse a comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, fortalecendo seus territórios tradicionais.

Resgate Histórico e Dignidade Social

Uma vertente importante do programa é a destinação coletiva, que reconhece a diversidade cultural e social do país. Foram repassadas 196 áreas da União para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Essa medida fortalece os direitos territoriais desses povos e promove a justiça social. Inclui glebas federais com centenas de hectares, aeroportos abandonados e grandes galpões em zonas urbanas.

Um exemplo emblemático é o dos armazéns do antigo Instituto Central do Café, na Vila Carioca, centro de São Paulo. Esses galpões estão na mira do governo para destinação desde 2009, ainda no segundo mandato do presidente Lula. O presidente compartilhou sua conexão pessoal com o local, próximo de onde viveu na infância. “Isso para mim é um sonho, poder entregar ao povo da Vila Carioca esse armazém”, expressou ele na cerimônia.

Embora a destinação final do imóvel da Vila Carioca ainda leve tempo, o governo planeja um projeto arquitetônico de múltiplos usos. A proposta será discutida diretamente com os moradores do bairro, por meio de consultas públicas e audiências. A ideia é criar um equipamento híbrido, com centro cultural e áreas de lazer, valorizando a história local e as necessidades da comunidade.

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, ressaltou o caráter exemplar da iniciativa. Ele afirmou que o governo federal está transformando “abandono em dignidade”. Boulos citou um dado alarmante do IBGE: o Brasil possui 11 milhões de imóveis ociosos e 6,2 milhões de famílias sem casa. Essa disparidade histórica de desigualdade, segundo ele, é um dos motores do programa.

A busca pela função social da propriedade é um princípio constitucional no Brasil. A Constituição Federal estabelece que a propriedade deve atender a essa função, o que implica em seu uso produtivo e benéfico à coletividade, em vez de permanecer ociosa. O programa Imóvel da Gente alinha-se a essa diretriz, buscando reverter a lógica de imóveis vazios enquanto há um déficit habitacional significativo no país.

Perguntas Frequentes

O que é o programa Imóvel da Gente?

O programa Imóvel da Gente é uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). Lançado em 2023, ele mapeia e destina imóveis e áreas públicas federais que estão ociosas ou subutilizadas. Seu objetivo principal é dar uma função social e econômica a esses bens, utilizando-os para moradia popular, regularização fundiária, construção de equipamentos de saúde e educação, entre outros usos.

Quantas famílias serão beneficiadas pela destinação dos imóveis?

As destinações realizadas pelo programa Imóvel da Gente desde 2023 têm o potencial de beneficiar cerca de 400 mil famílias em todos os estados do Brasil. Além disso, a iniciativa também visa melhorar a infraestrutura pública, com a criação de hospitais, escolas e unidades de assistência social, impactando positivamente um número ainda maior de cidadãos ao melhorar os serviços públicos disponíveis.

Quais são os principais usos para os imóveis federais destinados?

Os imóveis federais estão sendo destinados para diversas finalidades que atendem a necessidades sociais urgentes. As principais incluem a regularização fundiária de assentamentos informais, a construção de moradias populares, a transformação em equipamentos de saúde (como hospitais e unidades básicas) e educação (como escolas e campi de institutos federais). Parte dos imóveis também será vendida para compor um fundo de investimentos, e áreas específicas são repassadas a comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

O que significa “regularização fundiária” e qual sua importância?

A regularização fundiária é o processo de legalizar a posse ou a propriedade de imóveis que estão em situação irregular. Ela garante o direito à moradia, à segurança jurídica e ao acesso a serviços públicos para milhões de famílias que vivem em assentamentos informais. É importante porque transforma ocupações precárias em bairros planejados, integra comunidades à cidade formal e permite que os moradores tenham o título de suas propriedades, facilitando o acesso a crédito, serviços e outros benefícios que antes eram inacessíveis.


12 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Ricardo Stuckert / PR|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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