Em Miami, os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, formalizaram neste sábado (7) uma coalizão militar na América Latina com 12 países. A iniciativa, chamada “Escudo das Américas”, visa combater cartéis de drogas e influências estrangeiras no hemisfério. O anúncio ocorreu durante um encontro de presidentes na Flórida.
O então presidente estadunidense, Donald Trump, destacou a importância da nova aliança. Ele comparou a ação na América Latina ao trabalho dos EUA no Oriente Médio. “Assim como formamos uma coalizão para erradicar o ISIS [grupo considerado terrorista] no Oriente Médio, devemos agora fazer o mesmo para erradicar os cartéis em nossos países”, afirmou Trump durante a cerimônia.
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A Coalizão Militar na América Latina: Objetivos e Alcance
A principal meta da coalizão militar na América Latina é erradicar os cartéis criminosos que operam na região. Além disso, a iniciativa busca afastar os “adversários” de Washington “de fora do Hemisfério”, uma referência indireta a potências como China e Rússia. A Casa Branca divulgou uma proclamação sobre a “Coalizão das Américas contra os Cartéis” detalhando a estratégia.
O documento oficial da Casa Branca especifica que “Os Estados Unidos treinarão e mobilizarão os militares das nações parceiras para alcançar a força de combate mais eficaz necessária para desmantelar os cartéis”. A ênfase não é apenas no combate às organizações ligadas ao tráfico de drogas, mas também na contenção da influência de potências estrangeiras. “Os Estados Unidos e os seus aliados devem manter as ameaças externas afastadas, incluindo as influências estrangeiras malignas provenientes de fora do Hemisfério Ocidental”, diz o texto. Essa abordagem tem sido interpretada como parte da estratégia dos EUA na disputa comercial com a China.
Países Participantes e Ausências Notáveis
A coalizão “Escudo das Américas” conta com a participação de 12 países latino-americanos. Estiveram presentes em Miami os presidentes de Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Panamá, Honduras, Guiana, Bolívia, Trinidad e Tobago, Costa Rica, República Dominicana e Chile. A cerimônia, no entanto, não incluiu falas dos presidentes das nações latinas, focando nas declarações do presidente Trump.
A criação desta coalizão militar na América Latina é precedida por declarações fortes de autoridades estadunidenses. Na semana anterior ao anúncio, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, havia ameaçado “agir sozinho” nos países latino-americanos “se necessário” para combater cartéis. Tal postura levanta questões sobre a soberania das nações da região.
Uma ausência notável no acordo foi a do México. O presidente Trump fez menção ao país vizinho durante o lançamento da coalizão, afirmando que “tudo entra pelo México” e que o país estaria “controlado” pelos cartéis. Ele expressou o desejo de ajudar o México a “erradicar os cartéis”, embora o país não tenha aderido à iniciativa militar.
Reações e Implicações Regionais
A presidente do México, Cláudia Sheinbaum, defende que o combate às drogas, em parceria com Washington, deve ser feito com “coordenação e sem subordinação, como iguais”. Ela tem reiteradamente rejeitado operações militares dos EUA dentro do território mexicano, citando questões de soberania nacional. A posição mexicana reflete uma preocupação regional com a autonomia e o respeito às fronteiras.
Para a interlocução com os 12 países latino-americanos, o governo Trump nomeou a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem. Responsável pelas fronteiras norte-americanas, Noem argumentou que, com as fronteiras dos EUA já seguras, o foco agora seria a segurança dos “vizinhos” no combate aos cartéis e à influência “estrangeira”. “Vamos combater e reverter essas influências estrangeiras nocivas que se infiltraram em muitos de nossos negócios, nossas tecnologias e que vimos se infiltrar em diferentes áreas do nosso modo de vida”, declarou Noem.
Trump também abordou a situação de Venezuela e Cuba em seu discurso. Ele elogiou o governo da chavista Delcy Rodríguez, na Venezuela, mencionando que estavam conseguindo “trabalhar juntos” com Caracas. Em contrapartida, voltou a ameaçar Cuba, afirmando que “Cuba está no fim da linha” e que aguarda “a grande mudança que em breve chegará” à ilha. As declarações indicam uma complexidade nas relações dos EUA com diferentes governos da região, mesmo em meio à formação da coalizão militar na América Latina.
A iniciativa “Escudo das Américas” representa um marco na política externa dos EUA para o continente. Suas implicações, tanto no combate ao narcotráfico quanto nas relações geopolíticas com China e Rússia, deverão ser acompanhadas de perto nos próximos anos. A coordenação e o respeito à soberania dos países parceiros serão cruciais para o sucesso e a aceitação da coalizão na região.
Perguntas Frequentes
O que é o “Escudo das Américas”?
É uma coalizão militar formada pelos Estados Unidos e 12 países da América Latina, lançada em Miami, com o objetivo de combater cartéis de drogas e afastar influências estrangeiras consideradas adversárias do hemisfério.
Quais países latino-americanos participam da coalizão?
Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Panamá, Honduras, Guiana, Bolívia, Trinidad e Tobago, Costa Rica, República Dominicana e Chile.
Qual a posição do México sobre a coalizão e as operações militares dos EUA?
O México não participou da coalizão e sua presidente, Cláudia Sheinbaum, defende “coordenação sem subordinação” no combate às drogas, rejeitando operações militares dos EUA em seu território por questões de soberania.
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