Minerais estratégicos redefinem poder global e transição energética
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Minerais estratégicos redefinem poder global e transição energética

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Terras raras, minerais estratégicos e críticos, embora conceitos distintos, impulsionam a transição energética e tecnologias de ponta. Essenciais na geopolítica e economia global, esses recursos redefinem o cenário de desenvolvimento, com o Brasil emergindo como um ator crucial. A compreensão de suas particularidades é fundamental para entender o tabuleiro do poder mundial e as oportunidades para o país.

Esses minerais têm ganhado protagonismo crescente por seu potencial em diversas aplicações. Eles são a base para inovações tecnológicas e para a busca por fontes de energia mais limpas. Contudo, a confusão entre os termos é comum, e as diferenças conceituais têm implicações diretas na formulação de políticas públicas e estratégias de mercado.

Diferenças Fundamentais: Terras Raras, Estratégicos e Críticos

Os Elementos Terras Raras (ETR) constituem um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica. Isso inclui 15 lantanídeos, como o lantânio, cério, neodímio e disprósio, além do escândio e ítrio. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), eles são vitais para tecnologias de ponta.

Embora o nome sugira escassez, esses elementos não são necessariamente raros na natureza. A dificuldade reside em sua dispersão, o que torna a exploração econômica um desafio. Sua relevância se manifesta em turbinas eólicas, carros elétricos, baterias de alto desempenho, eletrônicos avançados e sistemas de defesa modernos.

Já os minerais estratégicos são definidos como aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico de um país. Sua importância deriva de aplicações em produtos e processos de alta tecnologia, segurança nacional e a transição para uma matriz energética mais sustentável. A lista desses minerais varia de nação para nação, refletindo prioridades e dependências específicas.

Por sua vez, os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode apresentar riscos significativos. Tais riscos incluem a concentração geográfica da produção, a dependência externa, a instabilidade geopolítica em regiões produtoras, limitações tecnológicas para extração ou processamento, e a dificuldade de encontrar substitutos viáveis. A criticidade de um mineral também é dinâmica, alterando-se com o avanço da tecnologia, novas descobertas geológicas e a evolução da demanda global.

Alguns exemplos de minerais frequentemente classificados como críticos são o lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio. É importante notar que as terras raras podem ser consideradas tanto minerais críticos quanto estratégicos, dependendo do contexto e da avaliação de cada país. Assim, toda terra rara tem o potencial de ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é uma terra rara.

O Potencial do Brasil em Minerais Estratégicos

O Brasil se destaca globalmente por sua riqueza mineral. O SGB aponta que o país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, totalizando cerca de 21 milhões de toneladas. Essa quantidade representa aproximadamente 23% das reservas globais, conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A maior parte dessas reservas está concentrada em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, que abrigam os principais depósitos com viabilidade econômica. Além das terras raras, o Brasil possui outras reservas estratégicas:

* Nióbio: O país é líder mundial, detendo 94% das reservas globais, com 16 milhões de toneladas.
* Grafita: É o segundo no ranking global de reservas, com 26% do total e 74 milhões de toneladas.
* Níquel: Ocupa a terceira posição global em reservas, com 12% do total e 16 milhões de toneladas.

Para o desenvolvimento interno, o Brasil publicou sua própria lista de minerais considerados estratégicos. A Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia (MME), categoriza esses minerais em três grupos:

* Minerais que precisam ser importados: Enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.
* Minerais usados em produtos e processos de alta tecnologia: Minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.
* Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: Minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

Geopolítica dos Minerais: Desafios e Oportunidades para o Brasil

A crescente importância desses recursos os tornou centrais na disputa geopolítica global. Atualmente, a China detém uma liderança expressiva no refino e na produção de terras raras. Essa concentração gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam ativamente diversificar suas cadeias de suprimento para reduzir a dependência.

Nesse cenário de reconfiguração global, o Brasil emerge como um ator de grande relevância devido às suas vastas reservas. No entanto, o desafio brasileiro vai além da simples extração mineral. A cadeia produtiva desses minerais é complexa, envolvendo etapas cruciais como o beneficiamento e o refino.

Conforme análise do professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, especialista em política, economia e mineração, essas etapas ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. Sem o domínio dessas fases de maior valor agregado, o país tende a continuar importando produtos manufaturados a custos mais elevados.

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, observa Jardim. Essa dinâmica impede o Brasil de capitalizar plenamente seu potencial, limitando a geração de empregos qualificados e o desenvolvimento tecnológico interno.

Além da dimensão econômica e geopolítica, a exploração desses recursos também levanta sérias questões ambientais e sociais. A atividade mineradora, por sua natureza, gera impactos significativos nos ecossistemas e nas comunidades locais. O comprometimento de recursos hídricos, a alteração da paisagem e a pressão sobre a biodiversidade são preocupações constantes.

A mineração também pode gerar pressões econômicas e sociais nos municípios onde ocorre. O professor Jardim aponta para um aumento da pobreza, da desigualdade e da violência urbana em algumas regiões, sugerindo que “o que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”. A busca por uma mineração mais responsável e com maior valor agregado é, portanto, um desafio multifacetado que o Brasil precisa enfrentar para transformar seu potencial mineral em desenvolvimento sustentável e equitativo.

Perguntas Frequentes

O que são Elementos Terras Raras (ETR)?

Os ETR são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas e carros elétricos. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas sua dispersão dificulta a exploração econômica.

Qual a importância dos minerais estratégicos para o Brasil?

Minerais estratégicos são vitais para o desenvolvimento econômico, alta tecnologia, defesa e transição energética do Brasil. O país possui grandes reservas de nióbio, grafita e níquel, além de uma lista própria de minerais considerados estratégicos para suas necessidades.

Por que a China lidera a produção de terras raras e qual o impacto?

A China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, gerando preocupação global sobre a concentração de suprimentos. Isso impulsiona outras potências a buscar diversificação de fornecedores e o Brasil se posiciona como um ator relevante nesse cenário.


26 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Sigma Lithium/Divulgação|Fonte da Informação ↗

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