PM desocupa reitoria da USP e estudantes relatam feridos
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PM desocupa reitoria da USP e estudantes relatam feridos

Redação 7 min de leitura Ultimas Noticias

A Polícia Militar (PM) realizou, na madrugada deste domingo (10), a desocupação do saguão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), em uma operação que pôs fim a um protesto de estudantes iniciado na última quinta-feira (7). Cerca de 150 pessoas ocupavam o local para reivindicar melhorias em programas de apoio e moradias estudantis, com relatos de feridos durante a ação policial.

Ação da PM na USP e Relatos de Feridos

A operação de desocupação contou com a participação de aproximadamente 50 policiais. Segundo informações da Polícia Militar, a ação transcorreu sem o registro de feridos entre os envolvidos. No entanto, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP apresentou uma versão diferente dos fatos, relatando que seis estudantes foram feridos e encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno.

Desse total, dois estudantes já receberam alta, enquanto quatro permanecem sob cuidados médicos. Um dos internados teve o nariz fraturado, conforme detalhado pelo DCE. A entidade estudantil também afirmou que os policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes durante a desocupação, o que teria causado os ferimentos nos estudantes. A Polícia Militar, por sua vez, reforçou que eventuais denúncias de excesso na conduta dos agentes serão rigorosamente apuradas, demonstrando um compromisso com a transparência e a legalidade da intervenção. O policiamento foi mantido no local após a desocupação para assegurar a ordem pública e a integridade do patrimônio.

Reivindicações Estudantis e o Contexto da Ocupação

A ocupação da Reitoria da USP foi uma manifestação direta das preocupações dos estudantes com as condições de permanência na universidade. As principais reivindicações do movimento estudantil giravam em torno de questões fundamentais para a vida acadêmica e social dos alunos. Esses pontos incluem:

– Aumento no valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAF), um auxílio crucial para muitos universitários.
– Melhorias significativas nas moradias estudantis, que são essenciais para garantir um ambiente adequado de estudo e descanso.
– Aperfeiçoamento dos restaurantes universitários, popularmente conhecidos como “bandejões”, visando oferecer alimentação de qualidade a preços acessíveis.

A Reitoria é o coração administrativo de uma universidade, simbolizando a gestão e as decisões institucionais. Ocupações desse tipo, embora controversas, são historicamente um método de protesto utilizado por movimentos estudantis para dar visibilidade às suas pautas e pressionar por negociações. A USP, como uma das maiores e mais prestigiadas universidades públicas da América Latina, tem um histórico de engajamento estudantil em questões que afetam a comunidade acadêmica e a sociedade. A busca por melhores condições de permanência é uma pauta recorrente em diversas instituições de ensino superior, dada a importância de garantir que o acesso à educação não seja limitado por barreiras socioeconômicas. Programas como o PAF e estruturas como as moradias e restaurantes universitários são pilares para a inclusão e o sucesso acadêmico de estudantes de diversas origens.

Danos ao Patrimônio, Apreensões e Posicionamento da USP

Após a desocupação, a Polícia Militar realizou uma vistoria no prédio da Reitoria. A inspeção revelou uma série de danos ao patrimônio público. Entre os prejuízos constatados, a corporação listou:

1. A derrubada do portão de acesso ao saguão.
2. Portas de vidro quebradas.
3. Carteiras escolares danificadas.
4. Mesas avariadas.
5. Danos à catraca de entrada do local.

Além dos danos materiais, a PM informou que foram apreendidos no local entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes. A lista de itens incluía facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Quatro pessoas foram detidas e levadas ao 7º Distrito Policial, onde foi registrado um boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após serem qualificadas, essas pessoas foram liberadas. O registro de ocorrência é um passo inicial para a investigação e eventual responsabilização pelos danos causados.

Em nota oficial, a Universidade de São Paulo (USP) lamentou profundamente os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse. A instituição fez questão de ressaltar que não foi informada previamente da desocupação do espaço pela Polícia Militar. A nota da USP também destacou o esforço da Reitoria em manter um canal de diálogo permanente com o movimento estudantil ao longo de todo o período da ocupação. No entanto, a universidade afirmou que as negociações atingiram um limite, apontando os seguintes motivos:

– O atendimento de diversos itens da pauta de reivindicações por parte da Reitoria;
– A constituição de sete grupos de trabalho específicos para estudar a viabilidade de outros pontos da pauta;
– A insistência dos estudantes em reivindicações que não podiam ser atendidas pela administração;
– Itens de pauta que estavam fora do âmbito de atuação da Universidade;
– A presença de pessoas externas à comunidade acadêmica na ocupação.

Apesar do impasse e da desocupação, a USP reiterou sua disposição para um novo ciclo de diálogo. O objetivo é consolidar os encaminhamentos já acordados nas reuniões anteriores com a representação estudantil, sempre pressupondo “a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços” da universidade, um princípio fundamental para o funcionamento de qualquer instituição de ensino e pesquisa. A continuidade do diálogo é vista como essencial para resolver as tensões e endereçar as demandas legítimas dos estudantes, buscando um equilíbrio entre o direito à manifestação e a preservação do ambiente acadêmico.

Desdobramentos e Futuro do Diálogo na USP

A desocupação da Reitoria da USP marca um ponto de virada no confronto entre a administração e os estudantes, mas não encerra a discussão sobre as reivindicações. A presença da Polícia Militar no campus, ainda que para garantir a ordem pública e o patrimônio, levanta questões sobre a autonomia universitária e a forma como tais conflitos são gerenciados. A diferença nos relatos sobre o número de feridos entre a PM e o DCE sublinha a complexidade e a polarização inerente a esses eventos, tornando essencial a apuração rigorosa de todas as denúncias de excesso, conforme prometido pela própria corporação.

A USP, ao expressar que não foi informada previamente da ação policial, busca preservar sua imagem e reforçar seu compromisso com o diálogo como via preferencial. A reabertura de um “novo ciclo de diálogo” proposta pela universidade é um indicativo de que as pautas estudantis ainda podem ser discutidas e, potencialmente, encaminhadas, desde que dentro dos limites da atuação da instituição e respeitando o direito de toda a comunidade acadêmica. O desafio reside agora em reconstruir a ponte de comunicação e confiança, transformando as tensões em soluções construtivas para as demandas de permanência e formação estudantil, que são cruciais para a inclusão e o sucesso dos alunos em uma universidade pública.

Perguntas Frequentes

O que motivou a ocupação da Reitoria da USP?
A ocupação foi motivada por reivindicações estudantis focadas em melhorias no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAF), nas condições das moradias universitárias e nos serviços dos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões. O movimento buscava pressionar a administração da USP por essas melhorias essenciais.

Houve feridos durante a desocupação da USP?
A Polícia Militar informou que não houve feridos em sua ação. No entanto, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP relatou que seis estudantes foram feridos, sendo quatro internados e um com o nariz fraturado, atribuindo os ferimentos ao uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes pelos policiais.

Qual a posição da USP sobre a ação policial e o diálogo?
A USP lamentou os acontecimentos e afirmou não ter sido informada previamente da desocupação pela PM. A universidade ressaltou ter mantido diálogo constante, mas que as negociações chegaram a um limite. A instituição reafirmou, contudo, sua abertura para um novo ciclo de diálogo, com foco na consolidação de acordos e na manutenção do direito de ir e vir no campus.


10 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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