O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu 48 horas para a Câmara dos Deputados detalhar as viagens internacionais do deputado Mário Frias (PL-SP) e esclarecer o repasse de emendas a uma ONG ligada à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, após tentativas de notificação frustradas. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (20), reforçando a necessidade de transparência nas ações parlamentares e no uso de recursos públicos.
A medida do ministro Dino surge em um contexto de dificuldade em notificar o deputado. Um oficial de Justiça do STF não conseguiu contatar Mário Frias para que ele prestasse esclarecimentos sobre o envio de emendas parlamentares para uma organização não-governamental (ONG) ligada à produtora responsável pelas gravações de uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração preliminar no STF investiga o suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões a essa entidade.
STF Determina Prazo para Esclarecimentos da Câmara
O ministro Flávio Dino solicitou formalmente à Câmara dos Deputados que forneça explicações detalhadas sobre as recentes viagens internacionais de Mário Frias. Segundo o deputado, ele esteve no Bahrein na semana passada para “propor investimentos no Brasil” e, atualmente, encontra-se nos Estados Unidos para a “prospecção de um investimento em segurança pública”. A exigência do STF ressalta a importância de que as missões internacionais de parlamentares, especialmente quando envolvem pautas de interesse público e potencial captação de recursos, sejam devidamente documentadas e justificadas.
A prerrogativa de foro, que concede a parlamentares o direito de serem julgados por tribunais superiores, como o STF, é uma garantia constitucional que visa proteger a independência do Poder Legislativo. Contudo, essa prerrogativa não exime o parlamentar de prestar contas sobre suas ações, especialmente quando há questionamentos relacionados à probidade e ao uso de recursos públicos. A decisão de Dino de notificar a Câmara dos Deputados, em vez de diretamente o deputado, reflete a formalidade e a hierarquia institucional envolvidas no processo, buscando uma resposta oficial da Casa legislativa.
Emendas Parlamentares e o Financiamento de Filme
O cerne da investigação que motivou a ação do STF reside no uso de emendas parlamentares. Essas emendas são instrumentos pelos quais deputados e senadores podem alocar parte do orçamento da União para projetos específicos em seus estados ou municípios. Embora sejam ferramentas legítimas para atender demandas locais, o desvio de finalidade é uma prática vedada e passível de investigação. No caso de Mário Frias, a apuração preliminar no STF foca no suposto desvio de R$ 2 milhões destinados ao Instituto Conhecer Brasil.
Essa entidade é apontada como ligada à produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme “Dark Horse”. O longa, ainda não lançado, visa retratar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A representação que deu origem ao caso no STF foi feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que levantou dúvidas sobre a adequação da destinação desses recursos. A controvérsia sobre o financiamento do filme se intensificou após o site The Intercept revelar uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado, onde o senador teria solicitado dinheiro para as gravações. Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade, afirmando que os recursos seriam de origem privada.
As Tentativas Frustradas de Notificação do Deputado
A dificuldade em localizar e notificar Mário Frias foi um fator determinante para a intervenção do ministro Flávio Dino. O servidor do STF encarregado da notificação realizou diversas tentativas de contato, sem sucesso. Essa série de tentativas levanta questões sobre a disponibilidade do parlamentar para responder a chamados da Justiça.
As tentativas de notificação ocorreram da seguinte forma:
1. Quarta-feira (13) da semana passada: O oficial de Justiça fez uma ligação telefônica para o gabinete do deputado na Câmara dos Deputados. A secretária do parlamentar informou que ele “estava em uma missão internacional” e não tinha previsão de retorno ao Brasil.
2. Tentativas subsequentes: Até o momento, o servidor já realizou cinco contatos com Mário Frias e seu gabinete, sem obter sucesso na notificação direta.
3. Segunda-feira (18): O servidor se dirigiu ao endereço residencial do deputado em Brasília. No local, o porteiro do edifício informou que Mário Frias não reside no prédio há dois anos, o que dificultou ainda mais o cumprimento da ordem judicial.
Essa sequência de eventos culminou na decisão de Flávio Dino de direcionar a cobrança à Câmara, sublinhando a urgência e a seriedade da situação. A dificuldade em notificar um parlamentar sobre uma investigação que envolve verbas públicas é um ponto de atenção para a transparência e a accountability.
O Contexto da Investigação e a Defesa de Mário Frias
Mário Frias, que é apontado como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, sustenta que não há irregularidades nas emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. Em sua defesa, o deputado cita um parecer da Advocacia da Câmara dos Deputados, que atestaria a ausência de inconsistências ou vícios formais na destinação dos recursos. Esse parecer, contudo, não encerra a investigação preliminar do STF, que busca esclarecer a fundo a finalidade real dos valores repassados.
A transparência no uso de emendas parlamentares é um pilar fundamental para a integridade do sistema político. A destinação de verbas para projetos que beneficiem diretamente atividades com cunho político-eleitoral ou pessoal, em detrimento do interesse público, pode configurar desvio de finalidade. A investigação do STF, nesse sentido, visa garantir que os recursos do contribuinte sejam aplicados conforme a lei e os princípios éticos que regem a administração pública. O prazo de 48 horas dado à Câmara representa um passo importante para a elucidação dos fatos e a garantia da prestação de contas por parte do Poder Legislativo.
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Perguntas Frequentes
Qual o motivo da cobrança do STF à Câmara dos Deputados sobre Mário Frias?
O ministro Flávio Dino, do STF, deu 48 horas para a Câmara explicar as viagens internacionais de Mário Frias e o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares a uma ONG ligada a um filme sobre Jair Bolsonaro. A cobrança ocorre após tentativas frustradas de notificar o deputado sobre essa investigação.
O que são as emendas parlamentares mencionadas no caso de Mário Frias?
Emendas parlamentares são recursos do orçamento federal que deputados e senadores podem destinar a projetos específicos em seus estados ou municípios. No caso de Mário Frias, investiga-se um suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil.
Qual a relação do deputado Mário Frias com o filme “Dark Horse”?
Mário Frias é apontado como produtor-executivo de “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação do STF apura se houve irregularidades no repasse de emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, uma entidade ligada à produtora do filme.
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