Bahia

Sepromi assegura participação de comunidades na obra da Ponte Salvador.

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 13/06/2026 às 04:13
Ascom/Sepromi
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 13 de junho de 2026, às 04:13

A Sepromi iniciou, em 9 e 10 de junho, escutas sociais com povos e comunidades tradicionais em Maragogipe e Cachoeira. O diálogo visa integrá-los nos debates sobre impactos e oportunidades da reativação do Canteiro São Roque do Paraguaçu, essencial para a Ponte Salvador-Itaparica.

A iniciativa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) representa um passo fundamental para garantir a participação ativa de comunidades que vivem no entorno do Canteiro São Roque do Paraguaçu. Este canteiro foi reativado para servir como um centro logístico de apoio à grandiosa obra da Ponte Salvador-Itaparica, um projeto de infraestrutura que promete transformar a conexão entre a capital baiana e a Ilha de Itaparica. As primeiras ações de escuta aconteceram em localidades estratégicas como São Roque do Paraguaçu e São Francisco do Paraguaçu, distritos pertencentes aos municípios de Maragogipe e Cachoeira, respectivamente.

O engajamento com as populações locais é mais do que uma boa prática; é uma exigência legal. A medida cumpre a Portaria do Inema nº 34.729, especificamente a condicionante XVIII. Essa determinação estabelece a obrigatoriedade da realização de ações de escuta social, conforme previsto no Plano de Trabalho direcionado às comunidades tradicionais da região. Tais condicionantes são instrumentos cruciais no licenciamento ambiental, garantindo que grandes empreendimentos considerem e mitiguem seus impactos sociais e ambientais, promovendo o desenvolvimento sustentável.

Diálogo Essencial e Marco Legal

As escutas sociais representam um canal direto de comunicação entre o poder público e os cidadãos. Seu principal objetivo é coletar as demandas das comunidades, esclarecer quaisquer dúvidas sobre o projeto e, sobretudo, construir soluções de forma conjunta. Essa abordagem participativa é vital para lidar com os impactos e oportunidades que surgem com a reativação do canteiro de obras. Ao fortalecer a relação entre o Estado e as comunidades, o processo assegura que a voz dos povos tradicionais seja ouvida e considerada em temas de interesse coletivo.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) é o órgão estadual responsável pela gestão ambiental e hídrica na Bahia. As condicionantes de licenças ambientais, como a Portaria do Inema nº 34.729, condicionante XVIII, são cláusulas ou exigências impostas aos empreendedores para que um projeto possa ser executado. Elas visam minimizar os impactos negativos e maximizar os positivos, protegendo o meio ambiente e as comunidades afetadas. No contexto de projetos de grande porte, como a Ponte Salvador-Itaparica, essas condicionantes são fundamentais para garantir que o progresso da infraestrutura não ocorra em detrimento dos direitos e do bem-estar das populações locais, especialmente as mais vulneráveis, como os povos e comunidades tradicionais.

A história do Brasil é marcada por desafios na relação entre grandes projetos de infraestrutura e as comunidades tradicionais. A falta de diálogo e a imposição de decisões resultaram, muitas vezes, em deslocamentos forçados e perda cultural. A abordagem da Sepromi e a exigência do Inema demonstram uma evolução na forma como o poder público busca interagir, buscando um modelo mais inclusivo e respeitoso. O objetivo é transformar potenciais conflitos em oportunidades de desenvolvimento compartilhado, onde a modernização coexiste com a preservação das identidades e modos de vida locais.

A Complexidade da Ponte Salvador-Itaparica e seu Impacto Regional

A Ponte Salvador-Ilha de Itaparica é um empreendimento de proporções significativas, projetado para impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região. Durante sua construção, o Canteiro São Roque do Paraguaçu desempenhará um papel crucial. A área será utilizada para a produção de diversos componentes estruturais.

Entre as principais atividades realizadas no canteiro estão:
– Fabricação de pré-moldados de concreto, elementos essenciais para a estrutura da ponte.
– Produção e montagem de estruturas metálicas, que comporão partes vitais da obra.

O complexo do canteiro é uma estrutura robusta, dividida em três áreas principais para otimizar a logística e a operação:
– O canteiro de obras propriamente dito, com uma extensão de 400 mil metros quadrados, dedicado à produção e armazenamento de materiais.
– A vila residencial, ocupando 48 mil metros quadrados, destinada ao alojamento dos trabalhadores envolvidos na obra.
– A vila operária, com 46 mil metros quadrados, que abriga outras instalações de apoio e serviços para a força de trabalho.

A construção de uma obra dessa magnitude inevitavelmente gera impactos ambientais e sociais. No entanto, ela também traz consigo a promessa de oportunidades, como a geração de empregos diretos e indiretos, o fomento ao comércio local e o desenvolvimento de novas cadeias produtivas. As escutas sociais são projetadas para navegar por essa dualidade, assegurando que os benefícios sejam maximizados para as comunidades e os impactos negativos sejam minimizados e compensados de forma justa.

O processo de diálogo participativo não envolve apenas a Sepromi e as comunidades. A Concessionária da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica também tem um papel central. Ela é a responsável por apresentar informações detalhadas sobre o projeto, esclarecer dúvidas e contribuir ativamente para o debate sobre os impactos e benefícios associados às intervenções na área do canteiro. Essa colaboração entre poder público, setor privado e sociedade civil é fundamental para a governança transparente e eficaz de grandes projetos.

Engajamento Contínuo e Futuro das Comunidades

Além das localidades já visitadas, como São Roque do Paraguaçu e São Francisco do Paraguaçu, a Sepromi mapeou outras comunidades que serão parte das próximas rodadas de escutas sociais. Entre elas, destacam-se:
Buri
Porto da Pedra
Mutamba
Salaminas
Putumuju

A secretaria mantém um processo contínuo de identificação de novas comunidades. O objetivo é ampliar o alcance das escutas sociais, garantindo que o maior número possível de povos e comunidades tradicionais tenha a oportunidade de participar e influenciar o desenvolvimento do projeto. Essa abordagem proativa reflete o compromisso com a inclusão e a valorização das diversas culturas e modos de vida presentes na Bahia. A participação popular é um pilar da democracia e, em projetos de infraestrutura, é um fator crítico para a legitimidade e o sucesso a longo prazo.

Ao longo do tempo, a legislação brasileira e as convenções internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), têm reforçado a necessidade de consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais impactadas por empreendimentos. Embora a Portaria do Inema se concentre nas escutas sociais, o espírito de ouvir e considerar a perspectiva desses grupos está alinhado com um reconhecimento crescente da importância de seus direitos e de sua sabedoria local. A Sepromi e seus parceiros demonstram, com essa iniciativa, a busca por um modelo de desenvolvimento que respeite a história, a cultura e o futuro das comunidades baianas.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo das escutas sociais realizadas pela Sepromi?

As escutas sociais têm como objetivo principal ouvir as demandas das comunidades tradicionais, prestar esclarecimentos sobre a obra da Ponte Salvador-Itaparica e construir coletivamente soluções para os impactos e oportunidades gerados pela reativação do Canteiro São Roque do Paraguaçu. Elas buscam fortalecer a relação entre o poder público e as comunidades, garantindo a participação social.

O que é o Canteiro São Roque do Paraguaçu e qual sua função?

O Canteiro São Roque do Paraguaçu é um centro de apoio logístico reativado para as obras da Ponte Salvador-Itaparica. Sua função é produzir componentes estruturais, como pré-moldados de concreto e estruturas metálicas, além de abrigar vilas residencial e operária para os trabalhadores do projeto.

Qual a importância da Portaria do Inema para o processo de escuta?

A Portaria do Inema nº 34.729, condicionante XVIII, é um marco legal que torna obrigatória a realização das escutas sociais. Ela garante que o empreendimento da ponte cumpra com as exigências de licenciamento ambiental, assegurando a proteção das comunidades e o diálogo como parte integrante do desenvolvimento do projeto.

Quais comunidades estão sendo envolvidas nas escutas sociais?

Inicialmente, as escutas foram realizadas em São Roque do Paraguaçu e São Francisco do Paraguaçu, distritos de Maragogipe e Cachoeira. Outras comunidades mapeadas para participação incluem Buri, Porto da Pedra, Mutamba, Salaminas e Putumuju, com um processo contínuo de identificação para ampliar o alcance.


13 de junho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Ascom/Sepromi|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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