Bahia

Bahia fortalece programa de água e transforma a realidade do Semiárido

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 17/06/2026 às 05:13
Joice Cirqueira/Ascom
Leitura: 7 Min
Última Atualização: 17 de junho de 2026, às 05:13

Feira de Santana recebeu nesta terça-feira (16) o Encontro Estadual de Agentes Multiplicadores do Programa Água Doce (PAD). O evento, promovido pelo Governo da Bahia e parceiros, visa ampliar o acesso à água e fortalecer a gestão participativa no Semiárido.

O encontro se estende até a próxima quinta-feira (18). A programação inclui uma visita técnica à comunidade de Italegre, em Baixa Grande. O foco principal é aprimorar a gestão comunitária dos sistemas do PAD-Bahia.

A iniciativa busca sensibilizar e capacitar novos agentes multiplicadores. Eles atuarão de forma colaborativa com gestores municipais e grupos gestores locais. O objetivo é fortalecer a atuação do programa junto às comunidades, organizações da sociedade civil e diferentes esferas da administração pública.

Na mesa de abertura, a superintendente de Desenvolvimento Ambiental (SIDA) da Sema, Maiana Pitombo, representou o secretário Eduardo Mendonça Sodré Martins. Ela destacou o papel fundamental dos multiplicadores para o êxito do programa. Maiana Pitombo também ressaltou o protagonismo da Bahia no cenário nacional.

“A Bahia é referência nacional no Programa Água Doce“, afirmou Pitombo. Ela atribuiu esse reconhecimento ao trabalho direto nas comunidades. “São os multiplicadores que tornam possível a efetiva implantação e o funcionamento dos sistemas, garantindo água de qualidade às populações do Semiárido“, complementou. A parceria entre a Sema e o Movimento de Organização Comunitária (MOC) foi igualmente salientada. O MOC apoia a capacitação e fortalece as ações de implantação e gestão dos sistemas.

Água Potável para Milhares de Famílias no Semiárido Baiano

O coordenador do PAD na Bahia, João Paulo Ribeiro, apresentou os avanços da iniciativa no estado. Ele detalhou as ações realizadas em parceria com o MOC. O objetivo é fortalecer a gestão participativa dos sistemas de dessalinização.

Entre os resultados alcançados, destacam-se a formação de centenas de agentes multiplicadores. O mapeamento de atores estratégicos também foi um marco importante. A articulação com prefeituras, organizações da sociedade civil e universidades visa garantir a continuidade da política pública.

João Paulo Ribeiro enfatizou a dimensão significativa do PAD na Bahia. “Hoje estamos presentes em 55 municípios“, disse Ribeiro. Os sistemas estão distribuídos por diferentes territórios do Semiárido. Eles levam água potável de qualidade para milhares de famílias.

Para fortalecer essa política pública, uma ampla mobilização territorial foi promovida. Nos últimos meses, em parceria com o MOC, foram realizados encontros regionais e formações. Esses eventos envolveram representantes das comunidades, gestores municipais e organizações da sociedade civil. O encontro estadual atual representa a consolidação desse trabalho. Mais de 250 participantes atuarão como agentes multiplicadores da metodologia do programa.

Inovação e Sustentabilidade: O Projeto Sal da Terra na Bahia

Ribeiro também destacou a busca por sustentabilidade. O objetivo é garantir que os sistemas continuem funcionando de forma autônoma. A gestão deve ser participativa e compartilhada. Comunidades, prefeituras e os governos estadual e federal devem colaborar ativamente.

Um projeto inovador foi apresentado durante o evento: o Projeto Sal da Terra na Bahia. Esta iniciativa amplia os benefícios do PAD. Ela incorpora sistemas produtivos baseados na agricultura biossalina. A proposta busca transformar o concentrado salino gerado pela dessalinização.

Esse resíduo, que poderia ser um problema ambiental, vira uma oportunidade de produção. Gera renda e fortalece a segurança alimentar das comunidades atendidas. A dessalinização é um processo crucial em regiões com escassez de água doce. Ela remove o sal e outros minerais da água salobra, tornando-a potável. No Semiárido baiano, onde muitas fontes subterrâneas são salinizadas, essa tecnologia é vital.

O Projeto Sal da Terra adiciona uma camada de sustentabilidade ao processo. Ele aborda o descarte do concentrado salino, um desafio comum. Transformá-lo em recurso para a agricultura biossalina é uma solução inteligente e economicamente viável.

Fortalecimento Institucional e Governança Comunitária

O coordenador finalizou sua fala explicando outro aspecto fundamental. Trata-se do fortalecimento das parcerias institucionais. Nos últimos anos, houve avanços no monitoramento da qualidade da água. A manutenção preventiva e corretiva dos sistemas também progrediu. A mediação de processos comunitários foi constante, sempre com o apoio das organizações parceiras.

Agora, o programa entra em uma nova etapa. Ela é voltada ao fortalecimento da governança local. A formação de multiplicadores é prioritária para essa fase. Assim, o PAD seguirá consolidado como uma política pública permanente. Os pilares são o acesso à água, a convivência com o Semiárido e a promoção da qualidade de vida das populações.

A importância da água de qualidade no Semiárido baiano

O Semiárido brasileiro é uma região caracterizada por baixas precipitações e longos períodos de seca. A disponibilidade de água potável é um desafio histórico e estrutural. A água é essencial para a saúde pública, a agricultura familiar e o desenvolvimento econômico local. Programas como o Água Doce são, portanto, fundamentais para a resiliência dessas comunidades.

O conceito de política pública refere-se a ações e programas governamentais. Eles buscam resolver problemas sociais e promover o bem-estar coletivo. No caso do PAD, é uma política de Estado que visa garantir um direito humano básico: o acesso à água potável. Sua continuidade e fortalecimento são vitais para mitigar os efeitos da aridez na região.

O encontro em Feira de Santana abriu espaço para a troca de experiências. Comunidades beneficiadas pelo Programa Água Doce compartilharam seus resultados. A implantação dos sistemas de dessalinização e o fortalecimento da organização comunitária geraram impactos positivos. Telma Gonçalves, integrante do Grupo Gestor da comunidade de Arapuá Novo, em Jaguarari, contou sua história de sucesso.

“O PAD chegou na comunidade em um momento muito importante”, salientou Telma Gonçalves. Ela recorda que, mesmo diante de algumas resistências iniciais, os moradores acreditaram na iniciativa. “Hoje, podemos dizer que foi uma grande conquista para todos”, afirmou com orgulho. O sistema opera desde 2019.

Benefícios do Programa Água Doce para as comunidades:
– Provisão de água de qualidade para consumo humano e animal;
– Melhora significativa na saúde dos moradores, com redução de doenças de veiculação hídrica;
– Aumento da qualidade de vida geral, com mais tempo livre para outras atividades;
– Fortalecimento da organização comunitária, com grupos gestores locais ativos, como o de Arapuá Novo, formado exclusivamente por mulheres.

Telma Gonçalves destaca o orgulho de pertencer a um Grupo Gestor feminino. Como agente comunitária de saúde, ela acompanha de perto os benefícios. “A água tratada transformou a vida das famílias”, reforça continuamente. A importância da gestão e manutenção contínuas dos sistemas é uma mensagem constante.

A Gestão Participativa e seus Pilares para o Sucesso

A gestão participativa é um dos pilares do Programa Água Doce. Ela envolve a comunidade local em todas as etapas do processo. Desde a decisão sobre a implantação até a operação e manutenção dos sistemas. Esse modelo garante a apropriação e a sustentabilidade das soluções a longo prazo. Os agentes multiplicadores são peças-chave. Eles levam o conhecimento técnico e a metodologia para as bases comunitárias.

A colaboração entre governo, sociedade civil e as próprias comunidades cria um ciclo virtuoso. As necessidades locais são melhor atendidas e as soluções são mais eficazes. A responsabilidade pela água é compartilhada, o que assegura que o investimento público gere resultados duradouros. A experiência da Bahia no PAD serve de exemplo. Ela demonstra como a integração de esforços pode superar desafios hídricos complexos.

A água de qualidade não é apenas um recurso vital. É um catalisador para o desenvolvimento social e econômico. Ela permite melhorias na saúde, na educação e na produtividade das comunidades. O compromisso com o Programa Água Doce reflete um entendimento profundo. Um futuro mais justo e próspero para o Semiárido depende do acesso equitativo a este bem essencial e da gestão comunitária.

Perguntas Frequentes

O que é o Programa Água Doce (PAD)?

O Programa Água Doce (PAD) é uma iniciativa do Governo Federal, em parceria com estados e municípios, que visa estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade em comunidades do Semiárido. Ele promove a implantação de sistemas de dessalinização e a gestão participativa, garantindo água potável para populações que sofrem com a escassez hídrica.

Como funciona a dessalinização da água no Semiárido baiano?

A dessalinização é um processo tecnológico que remove o excesso de sal e outros minerais da água salobra, frequentemente encontrada em poços subterrâneos no Semiárido, tornando-a própria para o consumo humano. Os sistemas do PAD utilizam membranas de osmose reversa para filtrar a água, entregando um produto final de alta qualidade para as comunidades.

Qual o objetivo do Projeto Sal da Terra na Bahia?

O Projeto Sal da Terra na Bahia é uma iniciativa complementar ao PAD que busca transformar o concentrado salino, resíduo gerado pelo processo de dessalinização, em uma oportunidade produtiva. Ele promove a agricultura biossalina, utilizando esse resíduo para o cultivo de plantas tolerantes ao sal, gerando renda, fortalecendo a segurança alimentar e promovendo a sustentabilidade ambiental nas comunidades.

Como a gestão participativa contribui para o Programa Água Doce?

A gestão participativa é fundamental para o sucesso e a sustentabilidade do PAD. Ela envolve diretamente as comunidades beneficiadas na tomada de decisões, na operação e na manutenção dos sistemas de dessalinização. Esse modelo garante a apropriação dos sistemas pelos moradores, aumenta a responsabilidade compartilhada e assegura que as soluções de acesso à água atendam às necessidades locais de forma contínua e eficaz.


17 de junho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Joice Cirqueira/Ascom|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

Jornalismo Autoridade | Verificação de Fatos

Este artigo segue estritamente as diretrizes da nossa política editorial e verificação de fatos primária. Conteúdo auditado por Bruno Sampaio, garantindo expertise temática (Topical Authority).

Bruno Sampaio

Bruno Sampaio

Autoridade Temática

Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

Leia também

Recomendações (Série Semântica)

Leitura Contínua