Em Mutuípe, Bahia, a Associação das Mulheres Agricultoras da Comunidade de Duas Barras do Fojo celebra avanços significativos na produção de derivados de cacau. Investimentos do Governo do Estado, realizados por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), têm impulsionado a gestão, a tecnologia e o acesso a novos mercados, valorizando o trabalho feminino no campo.
Impulso estadual e a transformação da cacauicultura
O Governo do Estado da Bahia tem direcionado recursos estratégicos para fortalecer a cadeia produtiva do cacau, com foco no desenvolvimento local e na valorização de associações. A iniciativa da CAR, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), visa modernizar as agroindústrias e garantir maior autonomia e rentabilidade aos produtores. A Associação das Mulheres Agricultoras de Duas Barras do Fojo é um exemplo direto dos resultados dessa política.
A entidade foi selecionada em um edital específico da CAR, voltado para Agroindústrias Ativas, o que lhe conferiu acesso a uma série de benefícios. Entre eles, destaca-se a atuação de um Agente de Negócios. Este profissional é essencial para oferecer suporte técnico e gerencial, auxiliando na organização do empreendimento e na elaboração de estratégias para expandir o alcance dos produtos no mercado.
Sustentabilidade e inovação com quintais agroflorestais
Além do apoio à gestão, a associação também recebeu recursos estaduais, novamente via CAR, para a implantação de quintais agroflorestais. Esses sistemas representam uma abordagem inovadora e sustentável para a agricultura, combinando produção e conservação ambiental. Eles são projetados para otimizar o uso da terra e dos recursos naturais, promovendo a biodiversidade e a resiliência dos ecossistemas locais.
Os benefícios dos quintais agroflorestais são múltiplos e abrangem diversas áreas:
– Preservação ambiental: Contribuem para a conservação do solo, da água e da fauna local, minimizando impactos negativos.
– Valorização cultural: Resgatam e fortalecem práticas agrícolas tradicionais e o conhecimento ancestral.
– Sustentabilidade dos agroecossistemas: Fomentam a diversidade de culturas, reduzindo a dependência de monoculturas e o uso de agrotóxicos.
– Diversificação da produção: Permitem o cultivo de uma vasta gama de produtos além do cacau, como plantas alimentícias, medicinais, forrageiras, ornamentais, aromáticas e condimentares.
– Geração de renda extra: Possibilitam a criação de animais de pequeno porte e a produção de espécies utilizadas no artesanato, diversificando as fontes de receita das famílias.
Damiana Martins, presidente da Associação, enfatizou o impacto direto desses investimentos na realidade das mulheres. “Através dessas múltiplas políticas que a CAR desenvolve em todo o estado da Bahia, recebemos, ainda, equipamentos como melanger, torrefador, forno para torrar o cacau e descascador de nibs”, declarou. Ela destacou que essa modernização otimizou o tempo e organizou melhor a produção, contrastando com o trabalho manual anterior. A nova máquina, por exemplo, tem capacidade para processar 20 quilos de amêndoas por hora.
Ampliação de mercado e novos produtos
A comercialização dos produtos da associação já alcança diversas localidades. Itens como cocadas finas, barrinhas veganas de cacau, cupulate e trufas são vendidos regularmente. A principal vitrine é a feira organizada pela própria associação, realizada todo segundo sábado do mês na Praça Góes Calmon, no centro de Mutuípe.
Além disso, os produtos são levados para outras feiras e eventos regionais, expandindo o alcance para municípios como Amargosa e Santo Antônio de Jesus. A associação também conseguiu romper barreiras geográficas, comercializando seus produtos no Mercado do Rio Vermelho (Ceasinha), em Salvador, e até mesmo em São Paulo. As vendas por encomenda registram um aumento significativo em períodos festivos, como Páscoa, São João e Natal, demonstrando a crescente demanda e reconhecimento da qualidade dos itens produzidos.
Em um movimento de constante inovação, a associação desenvolveu um chocolate em pó artesanal e diferenciado. Este novo produto representa um passo importante para diversificar o portfólio e atender a diferentes nichos de mercado. Sua entrada em linha de produção aguarda a conclusão da requalificação da unidade produtiva, um projeto em andamento que também conta com investimentos da CAR.
Com o objetivo de consolidar sua presença no mercado e atrair novos consumidores, a entidade está finalizando o desenvolvimento de uma nova marca e de novas embalagens para os produtos. “Estamos buscando uma nova roupagem para os nossos produtos. Elaboramos um projeto e, por meio da CAR, estamos desenvolvendo uma nova marca e um novo design para as embalagens. Em breve, teremos também a nossa fábrica totalmente reformada”, reforçou a presidente Damiana Martins.
A visibilidade da associação será ainda maior com a participação em eventos de destaque no setor. Os produtos já estão confirmados no Bahia Origem Week, evento focado em cacau e chocolate, que acontecerá em Salvador entre os dias 14 e 17 de maio. Em seguida, a associação marcará presença no 8º Festival do Chocolate de Ipiaú, previsto para os dias 21 a 24 de maio. Esses eventos são cruciais para a prospecção de novos negócios, networking e para reforçar a imagem da marca no cenário nacional da cacauicultura. A associação, que hoje reúne 40 mulheres, tem a perspectiva de alcançar cerca de 90 associadas até o fim de 2026, consolidando seu papel como um pilar de desenvolvimento econômico e social na região.
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Perguntas Frequentes
Como os investimentos estaduais apoiaram a associação de Mutuípe?
Os investimentos do Governo do Estado, via CAR, apoiaram a associação de Mutuípe de diversas formas. Incluíram a seleção em edital para agroindústrias ativas, a atuação de um Agente de Negócios para gestão e acesso ao mercado, e recursos para implantação de quintais agroflorestais e aquisição de equipamentos modernos.
O que são os quintais agroflorestais implantados pela associação?
Os quintais agroflorestais são sistemas que aliam preservação ambiental, valorização cultural e sustentabilidade dos agroecossistemas. Nesses espaços, a associação cultiva não apenas cacau, mas também plantas alimentícias, medicinais, forrageiras, ornamentais, aromáticas e condimentares, além de realizar a criação de animais de pequeno porte.
Quais produtos são comercializados pela Associação das Mulheres Agricultoras?**
A associação comercializa uma variedade de produtos derivados de cacau, como cocadas finas, barrinhas veganas de cacau, cupulate e trufas. Além disso, está em fase de lançamento um novo produto: um chocolate em pó artesanal e diferenciado, que entrará em linha de produção após a requalificação da unidade.