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Mulheres quilombolas lançam plano de proteção e buscam justiça climática

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 11/06/2026 às 03:12
Divulgação/Conaq
Leitura: 3 Min
Última Atualização: 11 de junho de 2026, às 03:12

O lançamento do “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos” ocorreu durante o primeiro dia do encontro nacional que reúne mais de 500 mulheres de comunidades tradicionais de todo o Brasil. O evento, que se estende até o próximo domingo (14), acontece na região administrativa do Gama, no Distrito Federal. Essa terceira edição da reunião celebra três décadas de atuação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Entre os principais pontos abordados no plano emergencial está a urgência de políticas públicas eficazes. O documento elaborado traz uma lista de demandas que devem ser atendidas por várias esferas do poder público. As lideranças quilombolas solicitam garantias de proteção coletiva e territorial, um olhar atento às questões de gênero e raça, além do fortalecimento dos direitos sociais e da infraestrutura nas comunidades. Há também uma busca pela valorização das práticas e saberes quilombolas e a superação de falhas nos programas de segurança. O plano propõe ainda a criação de equipes multidisciplinares que possam responder rapidamente a riscos enfrentados por essas mulheres.

Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, enfatizou que o plano busca combater o aumento dos conflitos agrários e ambientais, que têm colocado em vulnerabilidade as lideranças femininas quilombolas. Entre as ações a serem implementadas estão a produção de uma cartilha pedagógica e a realização de formações voltadas para fortalecer a articulação política dessas mulheres.

O evento também contou com a exibição do filme documentário “Cafuné”, que retrata a realidade tensa vivida por lideranças comunitárias ameaçadas, destacando o impacto trágico de assassinatos de mulheres, como o de Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023. A produção, realizada pela Conaq e dirigida por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, faz parte de um projeto que será entregue a autoridades competentes.

Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq, comentou que o encontro tem o objetivo de compartilhar as dores, lutas e ideias das mulheres em suas comunidades, com ênfase no fortalecimento dos territórios e na valorização da ancestralidade. Durante o evento, a jornalista Maria Júlia Coutinho foi convidada a dialogar sobre a importância da comunicação. Em sua fala, destacou que a vida nos quilombos é um espaço de celebração e transformação, apontando para a necessidade de um olhar positivo, mesmo diante dos desafios enfrentados.

Sob o lema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, os organizadores do evento ressaltam a importância de resistência e ancestralidade na proteção dos biomas brasileiros. Para a Conaq, é essencial a união de esforços para mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre os territórios tradicionais. O evento também abre espaço para agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diversas regiões, promovendo uma representação da diversidade dos produtos dos biomas.

Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, afirmou que as mulheres são as principais protagonistas na produção dentro dos territórios. “Na agricultura familiar, na medicina tradicional, no artesanato ou na produção de farinha, cada estado traz uma identidade única determinada pelo seu bioma”, concluiu.

Perguntas Frequentes

O que é o plano emergencial para as mulheres quilombolas?

O plano emergencial visa garantir a proteção e os direitos humanos das mulheres quilombolas, abordando políticas públicas e demandas específicas para fortalecer suas comunidades.

Onde está ocorrendo o encontro nacional das mulheres quilombolas?

O encontro está sendo realizado na região administrativa do Gama, no Distrito Federal, até o dia 14 do mês corrente.

Qual é o objetivo do evento?

O evento busca discutir justiça climática, reparação e democracia, promovendo o fortalecimento das mulheres quilombolas e suas comunidades diante dos desafios enfrentados.


11 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Divulgação/Conaq|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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