De 2015 a 2025, 71 mulheres tiveram seus mandatos cassados ou enfrentaram tentativas de cassação no Brasil, conforme levantamento do Instituto E Se Fosse Você. As 19 unidades federativas do país registraram esses casos, que se intensificaram a partir de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Essa situação levanta questões sobre a violência política de gênero e suas implicações nas esferas de poder.
Em 2023, houve 11 casos de mandatos cassados, refletindo um aumento considerável em relação aos anos anteriores. Em 2022, o Brasil alcançou um recorde com 30 episódios. Embora o cenário eleitoral tenha contribuído para esse aumento, as vereadoras se destacam como as principais vítimas de perseguições políticas, representando 73% dos casos registrados. Os parlamentares estaduais/distritais e federais compreendem 20% das situações de cassação.
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O contexto deste fenômeno é complexo e multifacetado. Por um lado, a identidade de gênero e a posição política das mulheres que ocupam cargos eletivos são fatores que influenciam diretamente a hostilidade que enfrentam. De acordo com o levantamento, 40% das mulheres que tiveram seus mandatos atacados pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Por outro lado, a maioria dos agressores é composta por homens cisgêneros, representando 78% dos casos, e pertencem a partidos conservadores como o Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Esses dados evidenciam um padrão de hostilidade política e ideológica que se intensificou nos últimos anos. O conceito de “backlash”, uma reação organizada contra os avanços das mulheres, é central para entender essa dinâmica. O relatório ressalta que as agressões não se limitam apenas à condição de gênero, mas também se relacionam com as agendas políticas que essas mulheres defendem.
Além disso, é importante mencionar que, dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, há casos de disputas internas que resultam em tentativas de cassação contra correligionárias. Tais conflitos são frequentemente motivados por divergências políticas e disputas de poder locais.
1. Causas das cassações: O aumento das cassações de mandatos de mulheres pode ser atribuído a uma combinação de fatores, que incluem a ascensão de governos conservadores e o fortalecimento de agendas que buscam silenciar vozes femininas no espaço político.
2. Impacto nas eleições: As cassações de mandatos têm um efeito direto na representação feminina, criando um ambiente hostil que pode desencorajar outras mulheres a se candidatar a cargos públicos. Isso perpetua a desigualdade de gênero em esferas de poder.
3. Próximos passos: A luta por maior proteção e igualdade de gênero na política requer ações concretas, incluindo a implementação de políticas que combatam a violência política e promovam a segurança das mulheres em cargos eletivos.
Portanto, as cassações de mandatos de mulheres não são apenas um reflexo de disputas políticas, mas também uma manifestação de uma cultura mais ampla de violência política que ainda permeia a sociedade brasileira. A análise desses casos é vital para compreender os desafios que mulheres enfrentam e as mudanças necessárias para garantir uma representação equitativa.
Perguntas Frequentes
Quais foram os principais partidos envolvidos nas cassações de mandatos?
Os principais partidos envolvidos nas cassações de mandatos de mulheres são o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com a maioria das agressões sendo cometidas por siglas do espectro conservador, como o Partido Liberal (PL).
Como as cassações de mandatos impactam a representação feminina na política?
As cassações de mandatos criam um ambiente hostil que pode desencorajar mulheres a se candidatar a cargos políticos, contribuindo para a perpetuação da desigualdade de gênero na política brasileira.
O que caracteriza o fenômeno do “backlash” nas cassações?
O “backlash” refere-se a uma reação organizada contra os avanços das mulheres na política. Esse fenômeno sugere que as cassações respondem a padrões de hostilidade político-ideológica contra mulheres progressistas, especialmente aquelas que desafiam normas estabelecidas.
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