O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (18), em Barcelona, Espanha, da Mobilização Progressista Global, onde defendeu a democracia e a coerência do campo progressista contra o avanço da extrema-direita. O evento reuniu ativistas e organizações de esquerda de diferentes partes do mundo. O objetivo principal é defender a democracia com justiça social e combater o avanço de forças autoritárias.
Em um centro de eventos para mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, Lula abriu sua fala. Ele afirmou que as pessoas não devem sentir vergonha em se apresentarem como progressistas ou de esquerda no mundo atual. O presidente ressaltou a importância da liberdade de expressão em uma sociedade democrática.
“Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade”, disse Lula.
Coerência como Mandamento Progressista
O presidente brasileiro destacou os avanços conquistados pelo campo progressista. Grupos sociais como trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+ foram beneficiados por essas conquistas. No entanto, Lula ponderou que a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. Isso abriu caminho para forças reacionárias ganharem espaço na sociedade.
Ele criticou a forma como o projeto neoliberal se desenvolveu e suas consequências. “O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise”, afirmou. Lula apontou que, mesmo diante disso, o campo progressista sucumbiu à ortodoxia.
“Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema”, completou. O primeiro mandamento dos progressistas tem que ser a coerência, reforçou o presidente brasileiro.
Lula enfatizou a necessidade de um compromisso firme com o que é prometido à população. “Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo”, declarou. Ele argumentou que, mesmo que parte da população não se identifique como progressista, ela deseja o que os progressistas propõem.
As aspirações da população, segundo Lula, incluem:
* Comer bem e morar bem
* Escolas e hospitais de qualidade
* Uma política climática séria e responsável
* Uma política de meio ambiente à altura
* Um mundo limpo e saudável
* Trabalho digno com jornada equilibrada
* Salário que permita uma vida confortável
Alerta Contra o Neoliberalismo e a Extrema-Direita
A extrema-direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo, segundo Lula. “Canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras”, disse. O presidente citou que a extrema-direita ataca mulheres, negros, população LGBTQIA+, e imigrantes. Ele descreveu esses grupos como as pessoas mais necessitadas, que passaram a ser vítimas do discurso de ódio.
Mais cedo, em Barcelona, o presidente também participou da quarta edição do Fórum Democracia Sempre. Este evento é uma iniciativa lançada em 2024. Ele envolve os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. A reunião foi organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez.
Outros líderes internacionais presentes incluíram:
* Presidente Yamandú Orsi (Uruguai)
* Presidente Gustavo Petro (Colômbia)
* Presidente Cyril Ramaphosa (África do Sul)
* Presidente Claudia Sheinbaum (México)
* Ex-presidente Gabriel Boric (Chile)
Diante de ativistas do campo progressista, Lula disse que é preciso apontar o dedo para os verdadeiros culpados pela crise socioeconômica atual. Ele identificou esses culpados como os poucos bilionários que concentram a maior parte da riqueza mundial. “Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir”, afirmou.
Lula criticou a conduta desses bilionários. “Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam os algoritmos”, pontuou. Para ele, a desigualdade não é um fato, mas uma escolha política. “O que faz de nós progressistas, é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre estar ao lado do povo”. O presidente também alertou que a ameaça da extrema-direita não é apenas retórica, ela é real. Ele mencionou que “No Brasil, ela [extrema-direita] planejou um golpe de Estado. Orquestrou uma trama”.
Pelo Multilateralismo e a Paz Global
Lula voltou a chamar os líderes de países com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas de “senhores da guerra”. Ele criticou os bilhões de dólares gastos em armas. Para o presidente, esse dinheiro poderia acabar com a fome, resolver o problema energético e garantir o acesso à saúde para toda a população do planeta.
“O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou”, disse. Lula descreveu a região como “quintal das grandes potências”, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Ele lamentou que o Sul Global volte a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas.
Ser progressista na arena internacional, segundo Lula, significa defender um multilateralismo reformado. Implica também defender que a paz prevaleça sobre a força. Ele listou outras prioridades progressistas globais:
* Combater a fome
* Proteger o meio ambiente
* Restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes
Perguntas Frequentes
Qual foi o principal evento que o presidente Lula participou em Barcelona?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG), em Barcelona, Espanha.
Qual a mensagem central do discurso de Lula aos progressistas?
A mensagem central foi a necessidade de coerência por parte dos progressistas, para que não traiam a confiança do povo ao se elegerem com um programa e implementarem outro.
Quais críticas Lula fez à atuação do campo progressista e ao neoliberalismo?
Lula criticou a esquerda por não ter superado o pensamento econômico dominante e por, muitas vezes, praticar austeridade. Ele também afirmou que o projeto neoliberal prometeu prosperidade, mas entregou fome, desigualdade e insegurança.