A Fiocruz inaugurou nesta segunda-feira (15), no campus de Manguinhos, a Galeria a Céu Aberto. A exposição gratuita ‘Humanidades’ celebra a obra de João Roberto Ripper, com 20 fotos sobre direitos humanos e populações vulneráveis.
A nova galeria, localizada no gramado lateral da Biblioteca de Manguinhos, marca um passo significativo na democratização do acesso à arte. A iniciativa valoriza a trajetória de um dos mais importantes fotógrafos humanistas do Brasil. Com 76 anos e cinco décadas de carreira, Ripper dedicou sua lente a capturar a essência da condição humana, especialmente daqueles à margem da sociedade.
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A mostra “Humanidades” não apenas homenageia o fotógrafo, mas também provoca reflexões urgentes sobre o tema dos direitos humanos. As imagens selecionadas atravessam diversos períodos da extensa obra de Ripper. Elas oferecem um panorama profundo de sua visão e compromisso social.
Legado de João Roberto Ripper e a Fotografia Humanista
João Roberto Ripper é um nome incontornável quando se fala em fotografia humanista no Brasil. Sua carreira, que se estende por 50 anos, é caracterizada por um olhar sensível e empático. Ele sempre buscou registrar a dignidade e a resiliência das populações mais vulneráveis. O trabalho de Ripper transcende o mero registro visual, tornando-se um instrumento de denúncia e conscientização. Suas fotografias são conhecidas por estabelecer uma conexão profunda entre o fotógrafo e os fotografados.
A fotografia humanista, como a praticada por Ripper, é um gênero que se propõe a documentar a vida humana em suas diversas facetas, com foco na empatia e na valorização do indivíduo. Diferente do fotojornalismo tradicional, que muitas vezes busca o impacto imediato, a fotografia humanista mergulha na narrativa pessoal. Ela constrói pontes de compreensão e solidariedade, revelando histórias e faces que de outra forma permaneceriam invisíveis.
O curador da exposição, Dante Gastaldoni, enfatiza que as 20 fotos selecionadas para “Humanidades” são um “mergulho na obra de Ripper”. A escolha privilegiou o “bem-querer” e o “afeto” que transbordam de suas imagens. Gastaldoni descreve a mostra como uma “ode ao amor, ao afeto, à solidariedade expressa em fotografias”. Essa perspectiva ressalta a capacidade da arte de tocar e transformar percepções.
O compromisso de Ripper com os direitos humanos não se limita aos seus registros. Ele expressa a importância de criar mais espaços para que outros fotógrafos possam expor seus trabalhos. A Fiocruz se comprometeu a disponibilizar o material do acervo para organizações de direitos humanos, ampliando o alcance e o impacto dessas imagens em iniciativas sociais e educacionais.
A Gênese da Galeria a Céu Aberto na Fiocruz
A ideia para a Galeria a Céu Aberto na Fiocruz surgiu em 2018, durante uma viagem de Rodrigo Murtinho a Montevidéu, no Uruguai. Murtinho, pesquisador em saúde pública e professor do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde do Icict/Fiocruz, é um dos coordenadores da nova galeria. Ele foi inspirado por uma exposição de fotos sobre refugiados que viu no Parque Rodó, também em um formato de galeria ao ar livre.
A concepção de um espaço expositivo aberto ao público reflete uma tendência global de democratização da arte. Galerias a céu aberto quebram as barreiras das instituições fechadas, levando a cultura para o cotidiano das pessoas. Elas se tornam acessíveis a todos, sem a necessidade de ingressos ou horários restritos. Este formato é particularmente adequado para o tema dos direitos humanos, pois convida à reflexão em um ambiente público e inclusivo, atingindo um público mais amplo e diversificado.
A escolha de João Roberto Ripper para inaugurar este espaço não foi aleatória. Segundo Rodrigo Murtinho, “Não tinha ninguém melhor do que o próprio Ripper para inaugurar essa galeria”. Ele destaca que a Fiocruz trabalha com um conceito ampliado de saúde, que é sinônimo de cidadania e dialoga diretamente com os direitos humanos. A arte, neste contexto, emerge como uma ferramenta poderosa para promover a saúde e a cidadania, indo além do aspecto puramente clínico.
O campus de Manguinhos, com sua vasta área verde, oferece o cenário ideal para essa proposta. A integração entre natureza, arquitetura histórica e arte visual cria uma experiência única para os visitantes. A galeria pretende ser um ponto de encontro e de diálogo, estimulando a comunidade a interagir com as questões levantadas pelas fotografias e a refletir sobre seu próprio papel na sociedade.
O Impacto Social e o Acervo Digital da Obra de Ripper
A inauguração da Galeria a Céu Aberto e a exposição “Humanidades” reforçam o compromisso da Fiocruz com a promoção da cidadania. A fundação entende que a saúde pública vai além da ausência de doenças, abrangendo o bem-estar social, a justiça e o respeito aos direitos fundamentais. A fotografia de Ripper, ao dar voz e visibilidade a quem geralmente é esquecido, alinha-se perfeitamente a essa missão institucional.
Um dos pilares desse projeto é a preservação e divulgação do vasto Acervo João Roberto Ripper. Este acervo está sendo integrado ao Fiocruz Imagens, uma iniciativa de Acesso Aberto da fundação. O projeto visa a conservação e a disponibilização de um material documental de valor inestimável para a história social e cultural do Brasil. São mais de 180 mil fotogramas em película de Ripper que estão sendo cuidadosamente digitalizados e catalogados, representando um esforço colossal de patrimônio.
A digitalização de um acervo desse porte é uma tarefa monumental, mas essencial. Ela garante a longevidade das obras e amplia seu alcance para pesquisadores, estudantes e o público em geral, em qualquer parte do mundo. A disponibilização online do material permite que as imagens de Ripper continuem a educar e inspirar novas gerações. Isso contribui para a memória social e para o debate contínuo sobre direitos humanos, oferecendo um recurso didático e informativo.
A iniciativa da Fiocruz com a Galeria a Céu Aberto e o acervo digital de Ripper cria um precedente importante. Ela demonstra como instituições de pesquisa e saúde podem expandir seu papel. Elas podem se tornar centros irradiadores de cultura e conscientização social. Tais espaços são vitais para o fortalecimento da democracia e para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, onde a arte é vista como um elemento intrínseco ao desenvolvimento humano.
– Acesso Gratuito: A exposição “Humanidades” é totalmente gratuita, aberta ao público em geral.
– Localização: A Galeria a Céu Aberto está situada no gramado lateral da Biblioteca de Manguinhos, no campus da Fiocruz, Rio de Janeiro.
– Duração da Exposição: A mostra foi inaugurada em 15 de abril e ficará exposta por tempo indeterminado, permitindo flexibilidade aos visitantes.
– Temática Central: As obras focam nos direitos humanos e na dignidade das populações vulneráveis, com o olhar humanista de João Roberto Ripper.
– Curadoria: A curadoria da exposição ficou a cargo do fotógrafo Dante Gastaldoni, que selecionou 20 fotos com foco no afeto e na solidariedade entre pessoas e culturas.
Perguntas Frequentes
Onde está localizada a Galeria a Céu Aberto da Fiocruz?
A Galeria a Céu Aberto está localizada no gramado lateral da Biblioteca de Manguinhos, dentro do campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na cidade do Rio de Janeiro. É um espaço público e de fácil acesso para a comunidade, integrando arte e paisagem.
Qual o tema principal da exposição “Humanidades”?
A exposição “Humanidades” apresenta 20 fotografias de João Roberto Ripper que abordam os direitos humanos e a dignidade das populações mais vulneráveis. O foco é no olhar humanista do fotógrafo e na relação de afeto e respeito entre ele e seus fotografados.
Quem é João Roberto Ripper e qual a importância de sua obra?
João Roberto Ripper é um renomado fotógrafo humanista brasileiro, com mais de 50 anos de carreira dedicados ao fotojornalismo social. Sua obra é fundamental por registrar as condições de vida e a resiliência de grupos marginalizados, servindo como um poderoso instrumento de conscientização e defesa dos direitos humanos no país.
A entrada para a Galeria a Céu Aberto é gratuita?
Sim, a entrada para a Galeria a Céu Aberto da Fiocruz e para a exposição “Humanidades” de João Roberto Ripper é totalmente gratuita. O acesso livre e democrático é um dos pilares do projeto, que visa atingir o maior número de pessoas possível.
Como o Acervo João Roberto Ripper contribui para a sociedade?
O Acervo João Roberto Ripper, integrado ao Fiocruz Imagens, está digitalizando mais de 180 mil fotogramas do artista. Esta iniciativa garante a conservação da vasta obra do fotógrafo e sua ampla divulgação. O material se torna acessível para pesquisa, educação e para fomentar o debate público sobre direitos humanos.
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