A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) iniciou uma investigação após denúncias sobre uma possível contaminação por material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), situado no campus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista. O pedido de esclarecimento foi formalizado no dia 11 de outubro, quando a ANSN afirmou que aplicará seu protocolo padrão de verificação técnica, requisitando os registros e informações necessárias para uma avaliação precisa da situação relatada.
A denúncia de contaminação levou o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) a exigirem um posicionamento oficial das autoridades responsáveis. É importante destacar que o Ipen é uma autarquia ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) de São Paulo e está sob a gestão técnica e administrativa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
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As preocupações foram acentuadas após o recebimento de informações de que o incidente figura no Relatório de Ocorrência Interna (ROI) nº 04/2026, datado de 29 de maio de 2026, conforme confirmado pela CNEN. O documento foi elaborado por profissionais competentes em proteção radiológica, que realizaram uma análise detalhada do episódio, o qual envolveu a detecção de vestígios de tecnécio-99 durante a remoção de sensores biológicos de uma autoclave utilizada na produção de radiofármacos. O relatório não apenas elenca as medições e procedimentos adotados, mas também apresenta os resultados encontrados.
De acordo com a CNEN, o caso envolveu dois trabalhadores, qualificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs), que passaram por exames in vivo, também conhecidos como Contador de Corpo Inteiro. A análise revelou que as contagens foram baixas, o que indica que não houve contaminação interna; a contaminação se restringiu à área controlada do Centro de Radiofarmácia do Instituto.
Entretanto, informações divulgadas pelo Sindsef-SP indicam que a situação demandou ações emergenciais de descontaminação radiológica e a retenção de vestimentas utilizadas pelos trabalhadores, incluindo terceirizados. A equipe de Proteção Radiológica também foi acionada para gerenciar a situação. O sindicato revelou que parte do processo de descontaminação ocorreu em áreas que não eram apropriadas para tal atendimento, levantando questões sobre a infraestrutura disponível e o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para atividades com materiais radioativos.
Diante da gravidade do cenário, o Sindsef-SP solicita a divulgação de dados oficiais relativos à ocorrência, como o tipo de material radioativo envolvido, o número de trabalhadores potencialmente expostos, os níveis de contaminação verificados, os riscos à saúde e as medidas que estão sendo adotadas pela administração para conter a situação.
Adicionalmente, o sindicato advertiu que este não é um caso isolado. Diversos incidentes e problemas não diretamente relacionados à contaminação têm sido registrados, atribuídos a cortes orçamentários, redução do quadro de pessoal e falhas de gestão. Eles recordaram de incidentes anteriores, como o incêndio na Sala de Controle do Reator IEA-R1, ocorrido em março deste ano.
Os representantes dos trabalhadores têm ressaltado a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, realização de concursos públicos e contratação de novos servidores, além da formulação de uma estratégia robusta para o programa nuclear brasileiro. Segundo o sindicato, o que se observa é um contínuo desmonte do Ipen, impulsionado por uma ideologia neoliberal que tem prevalecido nos últimos 15 anos, culminando na política do ‘arcabouço fiscal’.
Outro ponto grave levantado diz respeito ao atraso superior a um ano dos exames médicos específicos dos servidores que trabalham com substâncias radioativas. A USP, por sua vez, esclareceu que, embora o Ipen esteja localizado na Cidade Universitária, ele opera como uma autarquia vinculada à SCTI e é gerida pela CNEN.
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