A inflação registrada em maio de 2026 atingiu 0,58%, destacando-se principalmente pela pressão nos preços dos alimentos, que foram responsáveis por cerca de metade desse aumento. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma desaceleração em comparação aos dois meses anteriores, mas, mesmo assim, o acumulado em 12 meses subiu para 4,72%, ultrapassando o limite de tolerância definido pelo governo.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais (p.p), variando entre 1,5% e 4,5%. Desde 2025, a avaliação da meta considera os 12 meses anteriores e não apenas o ano-calendário. O desrespeito à meta ocorre quando a inflação supera essa faixa por seis meses consecutivos. O último registro fora do limite foi em outubro de 2025, com 4,68%. Para contextualizar a variação mensal do ano de 2026:
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– Maio: 0,58%
– Abril: 0,67%
– Março: 0,88%
– Fevereiro: 0,70%
– Janeiro: 0,33%
O resultado de maio superou a expectativa do mercado, que, segundo o Boletim Focus do Banco Central, previa uma inflação de 0,48% para o mês.
Pressão dos Alimentos
O grupo de preços de alimentação e bebidas foi o que mais contribuiu para o aumento da inflação, com um crescimento de 1,33%, impactando o IPCA em 0,29 p.p.. Entre os alimentos que mais influenciaram este resultado, destacam-se:
– Batata-inglesa: +44,69% (0,09 p.p.)
– Tomate: +20,62% (0,06 p.p.)
– Carnes: +1,39% (0,04 p.p.)
– Cebola: +16,80% (0,02 p.p.)
Maio de 2026 marca o terceiro mês consecutivo em que a inflação dos alimentos se manteve acima de 1%. No total, o grupo alimentação e bebida acumulou um crescimento de 4,81% nos primeiros cinco meses do ano.
De acordo com Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, a alta nos preços é atribuída à diminuição da oferta de alguns produtos e ao aumento dos custos de frete. “A utilização do transporte rodoviário é significativa”, comenta. Além disso, os altos preços dos fertilizantes, influenciados por tensões geopolíticas no Oriente Médio, também contribuíram para o aumento dos custos de produção, impactando os preços finais aos consumidores. Caso os alimentos não fossem considerados no cálculo do IPCA, a inflação de maio teria sido de 0,37%.
Custos da Habitação
O setor de habitação também exerceu pressão sobre a inflação, apresentando um aumento de 1,22% e representando um impacto de 0,18 p.p. A principal razão para essa subida foi a elevação nos preços da energia elétrica, que subiu 3,67%. Esse aumento se deve à implementação da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Essa bandeira seguirá valendo em junho, refletindo seu impacto nas contas de luz em várias regiões do país, como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
Alívio nos Transportes
Por outro lado, o grupo de transportes apresentou uma deflação de 0,46%, devido à queda nos preços dos combustíveis, que recuaram em média 1,95%. Os principais efeitos nos combustíveis foram:
– Etanol: -6,20%
– Óleo diesel: -2,34%
– Gasolina: -1,46%
A gasolina, em particular, foi o item que mais contribuiu para a redução da inflação em maio, com um impacto negativo de -0,08 p.p. Contudo, o gás veicular teve um aumento significativo de 5,81%.
Distribuição da Inflação
O índice de difusão, que analisa a abrangência da inflação, revela que 65% dos 377 produtos e serviços monitorados tiveram aumento de preços em maio. O IBGE divide o IPCA em dois grupos: serviços e preços monitorados, que são mais suscetíveis às variações econômicas e influenciados pela taxa básica de juros, a Selic.
Em maio, o grupo de serviços apresentou uma inflação de 0,40%, acumulando 5,97% em 12 meses, enquanto os preços monitorados tiveram uma variação de 0,43% no mês e 5,85% em 12 meses.
O IPCA é um indicador essencial que mede o custo de vida para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, refletindo diretamente as condições econômicas enfrentadas pela população brasileira.
Perguntas Frequentes
Quais foram os principais fatores que influenciaram a inflação de maio?
Os principais fatores foram o aumento nos preços dos alimentos, que tiveram um impacto significativo nas contas, além da elevação dos custos da energia elétrica.
Qual é a meta de inflação estabelecida pelo governo?
A meta de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais, permitindo que a inflação varie entre 1,5% e 4,5%.
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