Rio e Petrobras fecham acordo por gás mais barato no estado
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Rio e Petrobras fecham acordo por gás mais barato no estado

Redação 8 min de leitura Ultimas Noticias

O governo do estado do Rio de Janeiro, a Petrobras e a concessionária Naturgy firmaram um acordo para reduzir o preço do gás natural. A medida beneficiará motoristas de GNV, consumidores residenciais de gás de cozinha e indústrias, com quedas estimadas em até 6,5%. A validação final das novas tarifas pela Agenersa está em andamento, com detalhes a serem publicados na próxima semana.

Acordo histórico para o preço do gás no Rio de Janeiro

A parceria estabelecida entre o governo fluminense, a Petrobras e a Naturgy, concessionária responsável pela distribuição de gás, visa aliviar o bolso dos cidadãos e impulsionar a economia local. O principal foco da redução é o Gás Natural Veicular (GNV), com uma estimativa de queda de aproximadamente 6,5%. Este benefício direto alcançará cerca de 1,5 milhão de motoristas que utilizam veículos movidos a gás no estado do Rio de Janeiro.

Além dos motoristas, a iniciativa se estende a outras categorias importantes. O gás de cozinha, essencial para os lares, terá uma redução estimada em 2,5% para o consumidor residencial. Para o setor industrial, um dos pilares da economia, a previsão é de um recuo de 6% no custo do gás natural fornecido. Esses percentuais, embora estimados, representam um alívio significativo em um cenário de pressões econômicas.

O processo para a efetivação dessas reduções envolve etapas claras e reguladas. A Naturgy será responsável por realizar um cálculo detalhado, considerando diversas variáveis. Posteriormente, esse cálculo será submetido à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), que terá a incumbência de validar as contas.

Somente após essa validação e a publicação dos detalhes no Diário Oficial do Estado, as novas tarifas entrarão em vigor. O governo informou que o aditivo do contrato com a Naturgy foi homologado pela Agenersa na última quinta-feira (14), sinalizando a proximidade da implementação. A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, órgão que atuou como mediadora, destacou que os novos valores têm “efeito potencial de política pública energética”.

Rio de Janeiro: polo estratégico do GNV no Brasil

A relevância do acordo é amplificada pela posição estratégica do Rio de Janeiro no cenário nacional do gás natural. O estado é reconhecido como o principal mercado de GNV no Brasil, uma condição atribuída a múltiplos fatores. Entre eles, destacam-se a presença das maiores bacias produtoras de gás e a concessão de benefícios estaduais específicos.

Para os motoristas fluminenses, um incentivo significativo é o desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para aqueles que possuem carros a gás. Essa política estadual fomenta a adesão ao GNV, que é frequentemente uma alternativa mais econômica e ambientalmente amigável em comparação com outros combustíveis. Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão federal regulador do setor, corroboram a importância do Rio de Janeiro. Em 2025, o estado foi responsável por impressionantes 76,90% de toda a produção de gás natural do país, um número que sublinha sua centralidade energética.

Pressões globais e a resiliência do gás natural veicular

A concretização da redução dos preços no Rio de Janeiro ocorre em um momento de notável volatilidade no mercado internacional de energia. Observa-se uma escalada significativa nos preços dos derivados de petróleo, desencadeada por eventos geopolíticos complexos, como a guerra no Irã. Esta região concentra importantes países produtores de petróleo e gás, e o Estreito de Ormuz, uma ligação marítima vital entre os golfos Pérsico e de Omã, tornou-se um ponto de tensão.

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era a rota por onde passavam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. As retaliações e bloqueios realizados pelo Irã em resposta a ataques externos impactaram severamente a cadeia logística global de petróleo. A escassez do produto levou a um aumento de mais de 40% no preço internacional do óleo cru em poucas semanas. Como o petróleo é uma commodity negociada globalmente, essa alta se refletiu em diversos países, inclusive no Brasil, afetando principalmente o custo do óleo diesel.

Apesar dessa pressão global, o GNV demonstrou um comportamento distinto no mercado brasileiro. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o gás veicular ficou de fora do conjunto de aumentos registrados em abril. Enquanto a gasolina foi o item que mais contribuiu para a alta dos preços no mês passado, subindo 1,86%, o GNV, por sua vez, registrou uma queda de 1,24%, conforme dados divulgados na última terça-feira (12).

O analista do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que esse comportamento regressivo do preço do gás se deve, em grande parte, ao fato de que o GNV depende menos das importações. Essa característica confere ao combustível maior estabilidade frente às flutuações do mercado internacional, protegendo os consumidores brasileiros das oscilações de preços que afetam outros derivados de petróleo.

Estratégia da Petrobras: mais produção, menor preço

A política de aumento da produção de gás no país é uma das prioridades claras da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, desde que assumiu o comando da companhia em junho de 2024. A executiva tem reiterado que a intensificação da produção é o caminho para alcançar a tão desejada redução no preço do combustível. Em sua explanação a jornalistas na última terça-feira (12), ao detalhar o balanço trimestral da empresa, Chambriard destacou os avanços já alcançados.

Ela lembrou que, no início de sua gestão, a Petrobras “colocava” cerca de 29 milhões de metros cúbicos (m³) por dia de gás no mercado. Atualmente, esse volume aumentou expressivamente, atingindo uma faixa entre 50 milhões e 52 milhões de m³ por dia. A presidente enfatizou a aplicação da lei fundamental da economia: “O que baixa o preço do gás é investir para produzir mais, porque ainda não revogaram a lei da oferta e da procura. Enquanto não revogarem a lei da oferta e da procura, quanto mais gás, menor preço”, declarou. Essa visão estratégica da Petrobras alinha-se diretamente com o acordo firmado no Rio de Janeiro, contribuindo para um cenário de maior oferta e, consequentemente, preços mais acessíveis para o consumidor final.

Gás natural: combustível para fertilizantes e a economia

A importância do gás natural vai além do uso veicular e residencial, estendendo-se a setores cruciais da indústria. Nesta mesma semana, Magda Chambriard ressaltou que a reativação da fábrica de fertilizantes da estatal em Camaçari, na Bahia, foi viabilizada diretamente pelo preço mais competitivo do gás natural. O combustível é uma matéria-prima fundamental para a produção de ureia, um dos tipos de fertilizantes mais empregados globalmente, essencial para a agricultura.

A reativação dessa unidade em Camaçari, juntamente com as fábricas já em operação em Sergipe e no Paraná, posiciona a Petrobras com três fábricas de fertilizantes em pleno funcionamento. Essa capacidade produtiva renovada não só fortalece a autossuficiência do Brasil na produção de insumos agrícolas, como também contribui para a estabilidade dos preços no setor e para a segurança alimentar do país. A disponibilidade de gás natural a custos mais baixos, portanto, gera um efeito cascata positivo em diversas frentes econômicas.

Principais pontos da redução de preços no Rio de Janeiro:
– Gás Natural Veicular (GNV): Redução estimada em cerca de 6,5%.
– Gás de cozinha residencial: Queda prevista de aproximadamente 2,5%.
– Gás para indústrias: Recuo estimado em 6% no custo.
– Beneficiados: 1,5 milhão de motoristas de GNV, consumidores residenciais e setor industrial.
– Próximos passos: Cálculo da Naturgy, validação da Agenersa e publicação no Diário Oficial do Estado.


Perguntas Frequentes

O que motivou a redução do preço do gás no Rio de Janeiro?
A redução é resultado de um acordo tripartite entre o governo do estado do Rio de Janeiro, a Petrobras e a Naturgy. A iniciativa busca beneficiar consumidores e indústrias, em linha com a estratégia da Petrobras de aumentar a produção de gás para baratear o custo do combustível.

Quais são os principais beneficiados pelo acordo de redução do gás?
Os principais beneficiados são os cerca de 1,5 milhão de motoristas que utilizam Gás Natural Veicular (GNV), com uma redução de aproximadamente 6,5%. Além deles, consumidores residenciais de gás de cozinha terão uma queda de 2,5%, e as indústrias fluminenses verão o custo do gás recuar em 6%.

Como a Petrobras contribui para a redução do preço do gás natural?
A Petrobras contribui significativamente através de sua política de aumento da produção de gás natural. A presidente Magda Chambriard destacou que a empresa elevou sua oferta diária de gás de 29 milhões de m³ para 50 milhões a 52 milhões de m³, o que, pela lei da oferta e da procura, leva à redução dos preços no mercado.


16 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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