Acusados por morte de Iggnacio vão a júri no Rio
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Acusados por morte de Iggnacio vão a júri no Rio

Redação 5 min de leitura Ultimas Noticias

O julgamento dos três réus acusados da morte de Fernando Iggnacio, contraventor e genro do lendário Castor de Andrade, começa nesta quinta-feira (9), a partir das 11h, no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O crime, ocorrido em novembro de 2020, está diretamente ligado à violenta disputa pelo controle do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis na capital fluminense.

Fernando Iggnacio foi executado no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, quando retornava de sua residência de veraneio em Angra dos Reis, na Costa Verde. A execução, minuciosamente planejada, evidencia a brutalidade da guerra pelo poder no submundo carioca.

A complexa trama do jogo do bicho no Rio

A história do jogo do bicho no Rio de Janeiro é intrinsecamente ligada à figura de Castor de Andrade. Conhecido como um dos mais influentes chefes da contravenção, Castor consolidou um império que se estendia por diversas regiões do estado. Sua morte por causas naturais, em 1997, desencadeou uma feroz disputa por sua herança e pelo controle de seus lucrativos negócios ilegais.

Fernando Iggnacio, casado com uma das filhas de Castor, Paula Andrade, emergiu como um dos principais herdeiros e aspirantes ao comando. No entanto, sua ascensão foi contestada por outros membros da família, incluindo Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. Essa rivalidade familiar se transformou em uma guerra aberta, marcada por emboscadas e assassinatos que se arrastam há décadas, definindo o cenário da contravenção no Rio.

A disputa entre Iggnacio e Rogério de Andrade era notória, com acusações mútuas de tentativas de assassinato e controle de territórios. Rogério de Andrade, que hoje controla o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em Bangu e outras áreas da Zona Oeste, é apontado pelas investigações como o mandante da execução de Fernando Iggnacio. O julgamento que se inicia representa um capítulo crucial na tentativa de desvendar e punir os responsáveis por um dos crimes mais emblemáticos dessa guerra.

Detalhes da emboscada e a denúncia do MPRJ

A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) detalha a emboscada que resultou na morte de Fernando Iggnacio. Em 12 de novembro de 2020, por volta das 9h, quatro homens chegaram ao local do crime em um automóvel. Três deles invadiram um terreno baldio vizinho ao heliporto, munidos de, pelo menos, dois fuzis de alto calibre. Eles aguardaram por cerca de quatro horas, monitorando a chegada da vítima.

Fernando Iggnacio desembarcou de seu helicóptero, conforme sua rotina de retorno de Angra dos Reis. Os criminosos, posicionados estrategicamente em cima de um muro contíguo ao estacionamento, abriram fogo a uma distância de aproximadamente quatro metros do carro da vítima. O contraventor foi atingido por três disparos, sendo um deles na região da cabeça, o que indica a intenção de execução sumária.

As investigações da Polícia Civil e do MPRJ apontaram que Marcio Araujo de Souza, um dos responsáveis pela segurança pessoal de Rogério de Andrade, foi o encarregado de contratar os demais denunciados para a execução do crime. A denúncia formal acusou seis homens por homicídio qualificado, que inclui qualificadoras como motivo torpe (ligado à disputa por poder e dinheiro) e recurso que dificultou a defesa da vítima.

O papel de Rogério de Andrade e os réus

Rogério de Andrade, apesar de apontado como mandante, não estará no banco dos réus neste julgamento. Ele já foi preso diversas vezes e responde a outros processos relacionados à contravenção e homicídios. A denúncia do MPRJ é categórica ao indicar sua participação na ordem da execução.

Os réus que estarão diante do júri popular são Rodrigo Silva das Neves, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro. A investigação revelou conexões entre os executores e a esfera de influência de Rogério de Andrade. Rodrigo das Neves e Ygor da Cruz (um dos seis denunciados inicialmente, mas não listado entre os três que vão a júri nesta fase) já teriam atuado como seguranças da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, agremiação cujo patrono é Rogério de Andrade. Essa ligação reforça a tese de que a execução foi um crime de mando.

O julgamento promete ser longo e complexo, com depoimentos de testemunhas e a análise de provas técnicas que foram reunidas ao longo dos anos de investigação. A expectativa é que o processo traga à luz mais detalhes sobre a dinâmica do crime e as ramificações da guerra do jogo do bicho no Rio de Janeiro, um desafio constante para as forças de segurança e a justiça.

Perguntas Frequentes

Quem foi Fernando Iggnacio?
Fernando Iggnacio foi um conhecido contraventor no Rio de Janeiro, genro de Castor de Andrade. Ele era uma figura central na disputa pelo controle do jogo do bicho após a morte de Castor.

Qual a relação do crime com o jogo do bicho?
A execução de Fernando Iggnacio está diretamente ligada à violenta disputa pelo controle do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro, uma rivalidade que envolve herdeiros e familiares de Castor de Andrade.

Quem são os réus no julgamento?
Os réus que vão a júri popular pela morte de Fernando Iggnacio são Rodrigo Silva das Neves, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro.


9 de abril de 2026|Fonte: Seap-RJ|Foto: Divulgação/TJRJ|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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