O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou tratamento especial à advogada e influenciadora Deolane Bezerra na Penitenciária Feminina de Santana, zona norte da capital paulista. A entidade alega privilégios como recepção diferenciada e acesso a itens exclusivos, contrariando a Lei de Execução Penal.
A denúncia foi apresentada à Direção-Geral da Polícia Penal, solicitando a instauração de um processo administrativo e disciplinar para apurar as irregularidades e punir os responsáveis. A advogada está detida sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Denúncia do Sinppenal detalha privilégios a Deolane Bezerra
A chegada de Deolane Bezerra à Penitenciária Feminina de Santana foi marcada por uma série de procedimentos que, segundo o Sinppenal, fogem ao protocolo padrão. A influenciadora foi recebida diretamente pelo diretor da unidade prisional, um procedimento incomum para detentas. Essa recepção levantou as primeiras suspeitas sobre um possível tratamento diferenciado.
Além disso, a denúncia detalha outras regalias concedidas à advogada durante sua permanência na penitenciária. O sindicato aponta que a sala de espera, comumente utilizada por outras prisioneiras para atendimento médico, foi esvaziada para acomodar exclusivamente Deolane Bezerra.
Entre os privilégios denunciados, destacam-se:
– Recepção diferenciada: A advogada foi recebida pelo diretor da unidade, procedimento fora do padrão.
– Acomodação exclusiva: Uma sala de espera de uso comum foi esvaziada e reservada para a influenciadora.
– Alimentação especial: Deolane consumiu refeições preparadas para os carcereiros, e não as distribuídas às demais detentas.
– Conforto privativo: Teve acesso a banho quente em chuveiro elétrico privativo e dormiu em uma cama diferente das de concreto, padrão nas celas.
– Restrição de acesso: O acesso de agentes penais à sala onde estava acomodada foi restrito, comprometendo a fiscalização e segurança institucional, conforme nota do sindicato.
Essas condutas, de acordo com o Sinppenal, violam diretamente princípios fundamentais da legislação brasileira.
Legislação penal e o princípio da igualdade no sistema prisional
O Departamento Jurídico do Sinppenal sustenta que as ações denunciadas ferem frontalmente o artigo 3º da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84). Este artigo assegura a igualdade de tratamento a todos os condenados e presos provisórios, salvo exceções legais. O sindicato também cita o artigo 4º da mesma lei, que veda qualquer discriminação por condição social, econômica ou notoriedade pública. A legislação busca garantir que a privação de liberdade seja aplicada de forma justa e imparcial, sem distinções que favoreçam ou prejudiquem indivíduos com base em seu status.
A denúncia também invoca a Lei Orgânica da Polícia Penal de São Paulo. Esta lei impõe aos servidores o dever de observar os princípios da impessoalidade, moralidade, legalidade e eficiência. Além disso, ela estabelece a obrigação de garantir a ordem nos estabelecimentos penais sem distinção arbitrária entre custodiados. O objetivo é manter a integridade do sistema prisional e a confiança pública na atuação dos agentes. O papel do sindicato, nesse contexto, é zelar pela ética e pela legalidade dentro da corporação.
Contexto da superlotação e desafios das penitenciárias paulistas
A denúncia de tratamento especial a Deolane Bezerra ocorre em um cenário de graves desafios para o sistema prisional paulista. O balanço da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) revela uma realidade de superlotação alarmante. A Penitenciária Feminina de Santana, por exemplo, tem capacidade para 2.686 detentas, mas registra um total de 2.822 presas.
A situação é similar na penitenciária de Tupi Paulista, no oeste do estado, para onde a advogada foi transferida posteriormente. Lá, o limite é de 714 vagas, mas há 872 presas. Essa condição de superpopulação carcerária afeta diretamente a qualidade de vida e os direitos básicos de todas as detentas.
O sindicato critica que, além da superlotação, a defasagem de policiais penais agrava a situação para os servidores e, consequentemente, para os custodiados. Com mil celas em uma única penitenciária, a falta de efetivo compromete a segurança e a fiscalização. Relatos de servidores indicam que o acesso a medicamentos é limitado e atendimentos de maior complexidade frequentemente demoram. Isso ocorre devido à longa espera pela escolta, que por vezes não chega, impactando diretamente a saúde e o bem-estar das presas.
Posição da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e os próximos passos
Em resposta às acusações, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirmou que a alocação de Deolane Bezerra foi realizada “de acordo com a determinação judicial”. A secretaria ressaltou que a decisão judicial “reconheceu a existência de registro ativo da reeducanda como advogada”. Segundo a SAP, a atuação institucional se limitou ao “estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário”.
Essa justificativa da SAP sugere que a condição de advogada de Deolane pode ter influenciado sua alocação, mas não necessariamente valida todos os privilégios denunciados. O Sinppenal argumenta que, mesmo com a determinação judicial, as regalias descritas extrapolam o que seria um tratamento legalmente justificado. A solicitação de um processo administrativo e disciplinar pelo sindicato visa justamente esclarecer se houve desvio de conduta por parte dos servidores e da direção da unidade.
A instauração desse processo será crucial para determinar a veracidade das denúncias e aplicar as sanções cabíveis, caso as irregularidades sejam comprovadas. O caso levanta discussões importantes sobre a equidade no sistema prisional e a necessidade de garantir que as leis sejam aplicadas de forma igualitária a todos, independentemente de sua condição social ou notoriedade pública. A transparência e a rigorosa apuração são essenciais para manter a credibilidade das instituições penais.
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Perguntas Frequentes
Quem denunciou o tratamento especial de Deolane Bezerra na prisão?
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) apresentou a denúncia. A entidade acusa que a advogada e influenciadora recebeu regalias na Penitenciária Feminina de Santana, fugindo aos protocolos padrão.
Quais foram os privilégios alegados pela denúncia?
A denúncia aponta que Deolane foi recebida pelo diretor, teve uma sala esvaziada para ela, consumiu refeições de carcereiros, teve acesso a banho quente privativo e cama diferente. Além disso, o acesso de agentes à sua sala foi restrito, comprometendo a fiscalização.
Como a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) se posicionou sobre o caso?
A SAP informou que a alocação de Deolane seguiu determinação judicial, que reconheceu seu registro ativo como advogada. A secretaria afirmou ter agido em estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário.
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