CNJ Impulsiona Acesso à Saúde no Sistema Prisional
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CNJ Impulsiona Acesso à Saúde no Sistema Prisional

Redação 3 min de leitura Ultimas Noticias

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou na última sexta-feira (dia 10), no Rio de Janeiro, o programa Cuidar. A iniciativa, parte do plano Pena Justa, visa ampliar o acesso e a qualidade da saúde no sistema prisional brasileiro, buscando garantir cuidados básicos, prevenir a disseminação de doenças e integrar o atendimento prisional às políticas públicas de saúde já existentes.

Para oficializar o programa, foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o CNJ, os Ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Este acordo fortalece a atuação conjunta em prol da saúde da população privada de liberdade.

Por Que Ampliar o Acesso à Saúde no Sistema Prisional?

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, Edson Fachin, ressaltou a importância fundamental do direito à saúde para todos, independentemente da condição de privação de liberdade. “Privado de liberdade não quer dizer privado de humanidade, de dignidade e de condições básicas de saúde”, afirmou Fachin.

O programa Cuidar estabelece o direito à saúde em todas as etapas do ciclo penal, desde a entrada no sistema prisional até o pós-cumprimento da pena. Seus objetivos principais incluem:

  • Garantir cuidados básicos de saúde.
  • Prevenir a disseminação de doenças.
  • Integrar o atendimento prisional às políticas públicas de saúde já existentes.
  • Assegurar a continuidade do cuidado.
  • Enfrentar desigualdades que afetam a população carcerária.

Desafios da Saúde em Contexto de Encarceramento

Especialistas presentes no lançamento do programa destacaram os complexos desafios da saúde em prisões. Entre os principais, estão:

  • Alta incidência de doenças infecciosas.
  • Problemas de saúde mental.
  • Múltiplas vulnerabilidades da população carcerária.

A coordenadora de Controle de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Maria Jesus Sanchez, alertou para a “invisibilidade” dessa população e a frequente falta de dados. Ela enfatizou que “as prisões não são sistemas fechados”, havendo grande intercâmbio entre pessoas privadas de liberdade, funcionários e famílias, o que facilita a transmissão de doenças. “A saúde prisional não pode ficar como um ponto cego para o sistema de saúde. Tem que estar incorporada a ele”, defendeu.

A pesquisadora da Fiocruz, Alexandra Roma Sanchez, exemplificou a gravidade da situação com a tuberculose. Ela revelou que a chance de uma pessoa morrer de tuberculose na prisão é 17 vezes maior do que em liberdade, para a mesma faixa etária e nível socioeconômico.

Os principais desafios para controlar a tuberculose incluem:

  • Melhoria do ambiente carcerário: a falta de luz solar direta, pouca renovação de ar e a superlotação amplificam a transmissão e o adoecimento.
  • Disponibilização de métodos de diagnóstico: a necessidade de tecnologias de alta performance para rastreamento, em vez de tecnologias defasadas.

Programa Cuidar e o Plano Pena Justa

O programa Cuidar se insere no plano Pena Justa, uma política nacional abrangente focada no enfrentamento da crise no sistema prisional brasileiro. Coordenado pelo CNJ e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o plano foi determinado pelo STF em 2023, no julgamento da ADPF 347, que reconheceu o “estado de coisa inconstitucional” no sistema carcerário do país.

Com mais de 300 metas a serem cumpridas até 2027, o Pena Justa busca transformar o sistema prisional. Seus objetivos mais amplos incluem:

  • Redução da superlotação carcerária.
  • Melhoria das condições de saúde e higiene nas unidades.
  • Ampliação do acesso à educação e trabalho para pessoas privadas de liberdade.
  • Fortalecimento da gestão do sistema prisional.

O investimento na saúde prisional é visto como um impacto direto na saúde pública, reduzindo a transmissão de doenças e protegendo a coletividade.

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