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África acelera desenvolvimento com China e busca protagonismo global

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 25/05/2026 às 00:36
Annie Spratt / Unsplash
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 25 de maio de 2026, às 00:36

O Dia da África, celebrado em 25 de maio, destaca o continente em pleno desenvolvimento, impulsionado por parcerias estratégicas com a China. Essa colaboração, focada em infraestrutura e comércio, reposiciona a África no cenário global, enquanto potências ocidentais buscam manter influência.

Ascensão da China e o Novo Rumo Africano

O deslocamento do centro da economia global, tradicionalmente localizado na Europa e nos Estados Unidos, para a Ásia, com a ascensão da China, tem transformado profundamente os países africanos. Há 17 anos, o gigante asiático se consolidou como o principal parceiro comercial da África. Em 2024, o volume comercializado entre os dois atingiu US$ 295 bilhões, representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

Essa relação estratégica é fundamental para a África, que busca acelerar seu próprio desenvolvimento em diversas frentes. A China tem desempenhado um papel crucial nesse processo, especialmente por meio de investimentos e parcerias em setores-chave.

Parcerias Estratégicas em Infraestrutura e Comércio

As colaborações entre a África e a China abrangem, principalmente, a construção de infraestruturas de transporte, energia e indústrias. Esses projetos são vistos como pilares para o avanço econômico e a integração regional do continente. Um exemplo concreto dessa cooperação é o Parque Industrial PK24, localizado nos arredores de Abidjan, capital da Costa do Marfim.

Este complexo industrial, construído em parte pela China Light Industry Nanning Design Engineering, é um marco para a região. O Observatório da China, de Portugal, destacou que a unidade possui capacidade para processar 50 mil toneladas de cacau anualmente e armazenar 140 mil toneladas, um avanço significativo na cadeia de valor global do país.

O pesquisador Eden Pereira Lopes da Silva, do Núcleo de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou à Agência Brasil que os projetos chineses visam conectar zonas importantes dentro do continente. Eles não se limitam apenas à cooperação industrial, mas buscam integrar uma vasta rede de corredores comerciais. Essa rede inclui grandes portos marítimos e a renovação de ferrovias, que, no futuro, poderão impulsionar ainda mais o comércio e a conectividade interna.

A África tem se destacado como um destino prioritário para os investimentos chineses no âmbito da Nova Rota da Seda, um ambicioso projeto de Pequim para integrar o comércio com mais de 150 nações. Em 2025, o continente liderou o destino desses investimentos.

Os dados de 2025 mostram a importância crescente da África nesse esquema global:
– Do total de US$ 213 bilhões investidos no projeto no ano passado, US$ 61,2 bilhões foram direcionados ao continente africano.
– Isso representa um aumento de 283% em comparação com o ano anterior, conforme cálculos da organização de pesquisas de Xangai The Green Finance & Development Center.
– Os países com maior engajamento em construção foram a Nigéria (US$ 24,6 bilhões) e a República do Congo (US$ 23,1 bilhões).

Geopolítica Global: Concorrência e Autonomia Africana

A crescente influência da China na África tem gerado uma resposta das potências ocidentais, em especial os Estados Unidos, que tentam competir com Pequim no continente. No entanto, lideranças africanas buscam ativamente seu protagonismo no cenário global, aproveitando a dinâmica multipolar para assegurar melhores condições de parceria.

A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Elga Lessa de Almeida, avalia que a China se apresenta como um parceiro mais vantajoso em comparação com as antigas potências europeias colonizadoras ou os Estados Unidos. Segundo a especialista, a abordagem chinesa é mais diplomática e econômica, diferentemente da presença mais imposta militarmente, frequentemente associada aos EUA.

Em suas entrevistas realizadas em Moçambique e Angola, Elga Lessa relata que seus interlocutores africanos destacam uma diferença crucial: os chineses não determinam onde o dinheiro deve ser investido. São as lideranças africanas que expressam suas necessidades, e a China, então, avalia a concessão do aporte financeiro. Essa metodologia confere maior autonomia aos países africanos na definição de suas prioridades de desenvolvimento.

A busca por protagonismo e autonomia é um tema recorrente na agenda africana. A notícia de que o Senegal persegue protagonismo no Sul Global ao lado do Brasil, ou a defesa de Lula pela indústria brasileira de carros na América Latina e África, bem como a posição do presidente de que a África do Sul não pode ser vetada do G20, ilustram o crescente desejo do continente por maior representatividade e influência nas decisões globais.

Além da China: A Presença da Rússia e o Caso de Angola

Além da China, outro parceiro dos países africanos que tem ganhado destaque nos últimos anos é a Rússia. Conforme o pesquisador Eden Pereira, a Rússia até mesmo supera os EUA em termos de relações com o continente. A África possui uma carência significativa de infraestrutura energética, e tanto a China quanto a Rússia têm investido pesadamente no desenvolvimento de centrais elétricas e na energia nuclear. Recentemente, a Rússia firmou acordos com a Etiópia para desenvolver uma usina nuclear, exemplificando essa expansão.

A relação da China com Angola oferece um estudo de caso notável sobre a evolução dessas parcerias. Após a guerra civil (1975-2002) que dilacerou a antiga colônia portuguesa, Angola, que conquistou sua independência em 1975, recorreu à China para obter empréstimos. Os países europeus haviam se recusado a conceder financiamentos ao país.

Angola e China firmaram um acordo de financiamento que seria pago por meio do petróleo angolano. Por muitos anos, mais de 60% do total do petróleo de Angola era destinado ao gigante asiático, criando uma relação de dependência. No entanto, segundo Elga Lessa, Angola desenvolveu um planejamento de pagamento e conseguiu reduzir significativamente sua dívida. O país também tomou consciência da necessidade de diversificar sua economia, saindo da dependência do petróleo.

Em um movimento estratégico, Angola começou a investir em refinarias. A partir de 2020, o país iniciou a construção de sua segunda unidade, que foi concluída em 2025, em Cabinda, marcando 50 anos desde a primeira refinaria, localizada em Luanda. Há ainda planos para outras duas refinarias: uma já em construção, em Lobito, e outra na fase de projeto, em Soyo. Este planejamento demonstra a busca de Angola por maior autonomia e valor agregado em sua produção.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da China no desenvolvimento africano?
A China é o principal parceiro comercial da África há 17 anos, investindo bilhões em infraestrutura de transporte, energia e indústrias. Essa parceria visa impulsionar o desenvolvimento econômico do continente e sua integração global.

Como a África busca protagonismo global?
Lideranças africanas buscam protagonismo ao diversificar parcerias e reivindicar maior autonomia nas relações internacionais. Elas aproveitam a concorrência entre potências para negociar condições mais vantajosas e definir suas próprias prioridades de desenvolvimento.

Quais outras potências investem na África além da China?
Além da China, a Rússia tem se destacado como um parceiro importante, superando até os EUA em algumas relações. A Rússia investe principalmente em infraestrutura energética, incluindo projetos de usinas nucleares, como o acordo recente com a Etiópia.


25 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Annie Spratt / Unsplash|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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