O Brasil testemunhou um notável abrandamento da seca em quatro de suas regiões durante o mês de fevereiro. A mais recente atualização do Monitor de Secas, ferramenta coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgada em março, revela uma diminuição expressiva do fenômeno climático em grande parte do território nacional.
Os dados detalhados apontam que, em comparação com janeiro deste ano, a intensidade da seca recuou nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. Este cenário representa uma mudança significativa nas condições hídricas e climáticas do país.
O Panorama Nacional da Seca em Fevereiro
Em um balanço nacional, a área total do Brasil sob condições de seca registrou uma queda de 63% para 54% do território entre janeiro e fevereiro de 2026. Essa redução de 9 pontos percentuais reflete a melhora das condições em diversas localidades.
A estabilidade da seca foi observada apenas na região Sul, que manteve os indicadores do mês anterior. Tal panorama sublinha a complexidade e a heterogeneidade dos padrões climáticos que afetam o país.
* Abrandamento em 17 UFs: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
* Intensificação em 2 UFs: Amapá e Rondônia.
* Estabilidade em 5 UFs: Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina.
* Livre de seca: Distrito Federal, Espírito Santo e Acre.
A relevância desses dados é sublinhada pelo fato de que a estiagem severa tem levado ao reconhecimento de situação de emergência em diversas localidades, impactando diretamente a vida de milhares de brasileiros.
Detalhes Regionais: Nordeste e Sudeste em Foco
Apesar do abrandamento da seca em diversas áreas, o Nordeste permaneceu como a região com o quadro mais crítico. Foi a única a registrar seca extrema, abrangendo 95% de seu território, o maior percentual nacional.
Nesta região, sete estados registraram 100% de seu território com seca em fevereiro: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Em outros estados nordestinos, os percentuais variaram entre 8% e 94%.
O Monitor de Secas destacou, porém, uma diminuição significativa das áreas com seca extrema no Nordeste devido às chuvas acima da média em fevereiro. A seca extrema, por exemplo, deixou de ser observada na Bahia e no Piauí, enquanto a Bahia também viu um recuo da seca grave. O Maranhão, por sua vez, registrou seca moderada.
No Sudeste, o cenário também apresentou melhoras, com 79% da região ainda sob seca. Os elevados acumulados de precipitação em fevereiro, especialmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, foram cruciais.
Pontos de destaque incluem o recuo da seca grave em Minas Gerais e São Paulo, da seca moderada no Rio de Janeiro, e o completo desaparecimento da seca no Espírito Santo, que se juntou ao Acre e ao Distrito Federal como unidades da federação livres do fenômeno.
Situação no Centro-Oeste e Norte
A região Centro-Oeste também experimentou uma melhora nos indicadores, com 66% do território sob seca. Houve um recuo da seca fraca no norte do Mato Grosso e da seca grave no sul de Goiás e no nordeste do Mato Grosso do Sul.
No Distrito Federal, as chuvas acima da média nos últimos meses foram determinantes para o desaparecimento completo da seca, consolidando um cenário mais favorável para a capital federal.
Já a região Norte foi a que apresentou o menor percentual de área seca, com apenas 29% de seu território afetado, e a condição mais branda do fenômeno. Contudo, as anomalias no regime de chuvas causaram avanços pontuais.
Houve avanço da seca fraca no centro e norte do Amazonas, e agravamento da seca – passando de fraca para moderada – no norte de Roraima e em uma pequena porção entre o sul do Amapá e o norte do Pará.
Em contrapartida, houve melhora significativa em outras áreas. A seca grave (S2) deixou de ser registrada no Tocantins, e a seca fraca (S0) recuou em Rondônia, Pará e Tocantins, ampliando as áreas livres da estiagem.
Análise da Região Sul e Estados Específicos
Na região Sul, o Monitor de Secas indicou 63% do território com seca, mantendo-se estável em relação a janeiro. No entanto, houve um avanço da seca fraca no Rio Grande do Sul e no centro-oeste do Paraná, resultado de chuvas abaixo da normalidade para o período.
A comparação entre janeiro e fevereiro revela um mosaico de situações nos estados brasileiros:
* Aumento da área com seca: Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul e Roraima.
* Diminuição da área com seca: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins.
Essa dinâmica ressalta a importância do monitoramento contínuo para a gestão de recursos hídricos e para a tomada de decisões em políticas públicas. Para mais informações sobre o clima e seus impactos, Acompanhe mais notícias no Diário em Foco.
O Papel Fundamental do Monitor de Secas
Criado em 2014, o Monitor de Secas desempenha um papel crucial no acompanhamento da severidade da estiagem no Brasil. A iniciativa utiliza indicadores específicos do fenômeno e avalia os impactos em curto prazo (até seis meses) e longo prazo (a partir de seis meses).
A metodologia empregada pelo Monitor é um modelo adaptado de programas bem-sucedidos de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. Essa base robusta garante a confiabilidade e a precisão dos dados divulgados pela ANA.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), responsável pela coordenação do Monitor, destacou que a área total com seca no país diminuiu de 5,4 milhões para 4,5 milhões de km² entre janeiro e fevereiro, o que representa 54% do território brasileiro. Este dado reflete o abrandamento da seca e oferece um panorama mais otimista para a gestão hídrica em 2026. Para mais detalhes sobre as ações da ANA e o monitoramento hídrico, visite o portal oficial da agência: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.
O monitoramento contínuo é vital para antecipar crises hídricas, planejar ações de mitigação e garantir a segurança hídrica para a população e os setores produtivos do país.