Pontos de Cultura Bahia capacitam agentes de 100 municípios em Feira de Santana
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Pontos de Cultura Bahia capacitam agentes de 100 municípios em Feira de Santana

Redação 6 min de leitura Bahia

Agentes culturais de mais de 100 municípios da Bahia participaram da III Teia Estadual dos pontos de cultura Bahia, em Feira de Santana, para fortalecer a política Cultura Viva e discutir justiça climática. O evento, realizado no sábado (28), no Teatro e Centro de Convenções da cidade, promoveu sete oficinas e diálogos formativos essenciais para a atuação nos territórios.

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) promoveu o encontro, que teve como tema “Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”. A iniciativa visa consolidar as contribuições para a política Cultura Viva no estado, conectando diferentes realidades e demandas dos agentes culturais. A programação foi estruturada para oferecer ferramentas práticas e teóricas, abordando desde a gestão administrativa até temas contemporâneos como a sustentabilidade ambiental no fazer cultural.

Formação e Fortalecimento dos Pontos de Cultura Bahia

As oficinas formativas da III Teia Estadual dos pontos de cultura Bahia foram desenhadas a partir das necessidades apresentadas pelos próprios participantes. Thaís Pimenta, diretora da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), explica que a abordagem focou em áreas cruciais para a sustentabilidade e impacto dos grupos. Entre os temas, destacam-se gestão, organização de bibliotecas comunitárias, preservação da memória, economia solidária e a emergente pauta da justiça climática.

“As oficinas são espaços formativos nesse processo de reestruturação da rede Cultura Viva”, afirmou Thaís Pimenta. Ela ressaltou que a programação foi pensada para equipar os participantes com mais ferramentas e elementos. O objetivo é que esses conhecimentos sejam aplicados e desenvolvam as atividades culturais nos 27 territórios de identidade da Bahia. Os conteúdos também dialogam diretamente com os eixos temáticos que serão aprofundados durante o Fórum Estadual dos Pontos de Cultura, integrando teoria e prática.

A formação oferecida na Teia abordou aspectos cruciais para a formalização e o desenvolvimento de projetos culturais. A oficina “Do coletivo ao CNPJ: formalização, gestão e captação de recursos para Pontos de Cultura” atraiu agentes interessados em aprimorar a organização administrativa e a elaboração de propostas. Wilma Rodrigues, de Serrinha, representante do Grupo de Capoeira Lendário de Palmares, destacou a relevância do aprendizado.

“O grupo é certificado, mas estou assumindo recentemente a coordenação pedagógica. Queria compreender melhor a elaboração de projetos, a busca por documentação e a organização documental. Tudo o que foi apresentado aqui foi essencial para ampliar minha percepção”, relatou Wilma. Sua experiência demonstra como o evento atende a demandas específicas, contribuindo para o crescimento e a profissionalização dos grupos que representam os pontos de cultura da Bahia.

Patrimônio Cultural e Impacto Comunitário

Outro destaque da programação foi a oficina “Patrimonialização e Salvaguarda”. Nela, Mestra Nzinga, do ponto de cultura da Associação Cultural Mestre Edmilton, em Conceição da Feira, enfatizou a importância de debater estratégias para preservar as manifestações populares locais. Com 40 anos de atuação na capoeira e certificada como Ponto de Cultura desde 2014, Mestra Nzinga lidera um trabalho que impacta crianças, adolescentes, idosos e comunidades rurais.

As atividades da associação de Mestra Nzinga abrangem capoeira, samba de roda, hip-hop, oficinas de instrumentos e inclusão digital. “A gente já trabalha com salvaguarda e entende que é preciso fortalecer a continuidade das políticas culturais. Muitos mestres antigos estão partindo e precisamos encontrar formas de preservar essa cultura”, observou. A troca de experiências na Teia revelou que as dificuldades enfrentadas pelos pontos de cultura da Bahia, sejam em cidades pequenas ou maiores, são frequentemente semelhantes, reforçando a necessidade de uma rede coesa.

Mestra Nzinga concluiu que o diálogo entre os agentes culturais é vital. “Aqui percebemos que, seja numa cidade pequena ou maior, as dificuldades são parecidas. Essa troca fortalece a Teia e nos dá mais fôlego para ampliar o trabalho no município”, pontuou. Essa visão compartilhada é fundamental para a construção de uma política cultural mais robusta e inclusiva em todo o estado.

Cultura Viva e Desafios Atuais: Justiça Climática em Pauta

Além das oficinas focadas em gestão e salvaguarda, a programação da III Teia incluiu diálogos e formações sobre temas contemporâneos. O diálogo “Filmes na Tela: uma conversa sobre exibição e difusão” abordou a democratização do acesso ao audiovisual. A oficina “Como organizar e dinamizar uma Biblioteca Comunitária” ofereceu conhecimentos para a criação e manutenção de espaços de leitura em comunidades, fortalecendo a rede de pontos de cultura da Bahia que atuam nessa frente.

Um dos diálogos mais relevantes foi “Cultura Viva e Justiça Climática: Agroecologia e Economia Solidária nos Territórios”. Este debate conectou a produção cultural com questões ambientais e econômicas, mostrando como a cultura pode ser um vetor de sustentabilidade e desenvolvimento justo. A oficina “Cultura Viva Educa: métodos e práticas dos Pontos de Cultura na atuação com escolas” focou na integração da cultura com a educação formal. Por fim, a oficina “Noções básicas de organização, preservação e difusão em espaços de memória” reforçou a importância de salvaguardar o patrimônio imaterial e material das comunidades.

A diversidade de temas reflete a complexidade e a abrangência do papel dos pontos de cultura da Bahia. Eles não são apenas centros de produção artística, mas também espaços de formação cidadã, desenvolvimento social e debate sobre questões cruciais para o futuro das comunidades. A Teia reafirma o compromisso com a Lei Cultura Viva e sua implementação efetiva em todo o território baiano.

Perguntas Frequentes

O que é a III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia?

É um evento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) que reúne agentes culturais de diversos municípios para capacitação, troca de experiências e discussão sobre políticas culturais e temas relevantes, como a Justiça Climática.

Quais foram os principais temas abordados nas oficinas?

As oficinas cobriram gestão, formalização de grupos culturais, captação de recursos, patrimonialização e salvaguarda, organização de bibliotecas comunitárias, exibição de filmes, agroecologia, economia solidária, atuação com escolas e preservação de espaços de memória.

Qual o objetivo principal da III Teia para os Pontos de Cultura da Bahia?

O objetivo é ampliar as ferramentas de atuação dos agentes culturais nos territórios, fortalecer as políticas da Lei Cultura Viva na Bahia e consolidar a rede de pontos de cultura, permitindo que os participantes desenvolvam suas atividades com mais subsídios.


2 de março de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Arivaldo Publio|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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