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Novo método preserva tecidos de pterossauro com 113 milhões de anos

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 22/06/2026 às 00:27
Arte Kliti Gric
Leitura: 3 Min
Última Atualização: 22 de junho de 2026, às 00:28

Pesquisadores de diversas partes do mundo, incluindo Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos, identificaram um novo mecanismo de fossilização que consegue preservar tecidos moles e até moléculas orgânicas delicadas em um fóssil de pterossauro do período Cretáceo, encontrado na Formação Romualdo, situada na Bacia do Araripe, no Ceará. O estudo, que faz uso de tecnologias avançadas como geoquímica, microscopia e tomografia 3D, revela que bactérias oxidantes de enxofre têm um papel crucial na rápida mineralização dos fósseis, assegurando uma preservação tridimensional impressionante.

O trabalho, conduzido por um grupo de especialistas de 15 instituições internacionais, expõe em detalhes as técnicas utilizadas, incluindo análises de tomografia, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa. O paleontólogo Alexander Kellner, associado ao Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos autores do estudo, afirma: “A preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos lidando com tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias. Ter acesso a esses detalhes, mais de 100 milhões de anos depois, demonstra a relevância da Bacia do Araripe como um dos locais fossilíferos mais significativos do mundo.”

A professora Klitin Grici, da Universidade Curtin, ressalta a importância das descobertas, que oferecem uma nova perspectiva sobre a formação de fósseis. “Este fóssil é uma cápsula do tempo que, além de estar maravilhosamente preservado, apresenta pela primeira vez vestígios de esteroides em um pterossauro. Isso sugere que essas criaturas possivelmente se alimentavam de peixes ou lulas”, explica.

O estudo também revela o processo em “efeito dominó”, onde a decomposição inicial do animal cria microambientes químicos que favorecem microrganismos específicos. Esses micróbios iniciam uma sequência de precipitações minerais, como sulfatos e fosfatos, que envolvem o fóssil antes que os tecidos e biomoléculas se degradem. O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, considera a descoberta transformadora: “Mostramos que micróbios podem criar microambientes altamente eficientes para preservar tecidos que normalmente desaparecem em questão de dias, reafirmando a importância científica e patrimonial da Bacia do Araripe.”

Os pterossauros, que coexistiram com os dinossauros, foram os primeiros vertebrados a dominar o voo, algumas espécies alcançando envergaduras superiores a 10 metros. O fóssil analisado pertence ao grupo Anhangueridae, apresentando cerca de 8 metros de envergadura. Renan Bantim, curador do Museu de Plácido Cidade Nuvens, que abriga o exemplar, destaca a relevância desta pesquisa não apenas para a ciência, mas também para a colaboração entre instituições. Essa parceria entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri já resultou em importantes descobertas.

A pesquisa, que foi publicada no dia 18 na revista iScience, representa um marco significativo no entendimento de como fósseis excepcionais se formam e reafirma o potencial da Bacia do Araripe para continuar revelando segredos da história da vida na Terra. Através do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – INCT Paleovert, financiado pelo CNPq, a colaboração com a Universidade Curtin demonstra o compromisso com a fronteira do conhecimento sobre organismos que habitaram nosso planeta há milhões de anos.

Perguntas Frequentes

O que é a Bacia do Araripe?

A Bacia do Araripe, localizada no Ceará, é um importante sítio fossilífero, conhecido por sua rica diversidade de fósseis que datam do período Cretáceo.

Qual a importância do estudo sobre o pterossauro?

O estudo revela um novo mecanismo de fossilização que permite a preservação de tecidos moles e moléculas orgânicas, ampliando nossa compreensão sobre a formação de fósseis e a história da vida na Terra.


22 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Arte Kliti Gric|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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