O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pautar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Em entrevista exclusiva ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), Lula destacou a importância da medida para reforçar a segurança e combater o crime organizado no país. A PEC, que já recebeu aprovação dos deputados federais, aguarda agora a deliberação dos senadores para seguir seu trâmite.
A Urgência da PEC da Segurança no Senado
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública é vista pelo presidente Lula como um passo fundamental para o Brasil. Ele expressou sua convicção de que, com a aprovação da PEC, o país poderá “resolver definitivamente o problema de segurança”. O apelo direto a Davi Alcolumbre sublinha a prioridade que o governo confere à matéria, buscando agilizar sua votação no Senado Federal. A medida é esperada para fortalecer a capacidade de resposta do Estado diante dos desafios impostos pela criminalidade.
A PEC da Segurança visa dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que foi instituído em 2018 por meio de uma lei ordinária. Elevar o SUSP ao patamar constitucional não é um mero formalismo. Na prática, isso implica em:
1. Desburocratização de procedimentos: A proposta busca simplificar processos que, no formato atual, dificultam a ação das autoridades e a coordenação entre os diferentes órgãos de segurança.
2. Maior integração federativa: Promover uma coordenação mais eficaz entre a União, os estados e os municípios na elaboração e execução de políticas públicas voltadas à segurança.
3. Consolidação de diretrizes: Assegurar que as diretrizes do SUSP tenham maior força e permanência, independentemente de mudanças nas gestões políticas.
Ao conferir status constitucional, a PEC poderá solidificar as bases para uma atuação mais coordenada e eficiente das forças de segurança em todo o território nacional.
Fortalecimento das Forças de Segurança e Combate ao Crime Organizado
Durante a entrevista, o presidente Lula detalhou como a PEC da Segurança, aliada a outras iniciativas, impactará diretamente o combate ao crime. Ele enfatizou que a aprovação da proposta permitirá um reforço significativo em corporações federais estratégicas. “A PEC da Segurança vai me permitir reforçar a Polícia Federal, reforçar a Polícia Rodoviária Federal, criar uma guarda nacional de verdade”, afirmou o presidente. Esta nova guarda, segundo ele, não ficaria restrita a ações pontuais de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas teria uma atuação profissionalizada e com foco em inteligência.
A visão do presidente inclui a dotação de instrumentos necessários para combater a violência em todas as frentes. Ele também relacionou a PEC ao recém-lançado programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma iniciativa do governo federal que prevê um investimento robusto. O programa envolverá um total de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em investimentos diretos do governo federal e R$ 10 bilhões em financiamento para estados e prefeituras. O objetivo é capacitar as entidades federadas com os recursos e a infraestrutura para enfrentar a criminalidade de forma mais assertiva e integrada.
O presidente destacou a necessidade de uma “polícia profissionalizada com inteligência” para lidar com a criminalidade. A estratégia de combate ao crime organizado, portanto, não se limita apenas ao aumento do efetivo, mas também à modernização das técnicas e ao aprimoramento da capacidade investigativa das forças policiais.
O Papel dos Estados e a Visão Presidencial para a Segurança Pública
Lula reconheceu a legitimidade da reclamação popular sobre a sensação de insegurança que assola o país. Ele pontuou que, apesar dos esforços, os estados muitas vezes não conseguem combater a criminalidade de forma eficaz. O presidente mencionou duas razões principais para essa dificuldade: a falta de seriedade em algumas abordagens e a frustração dos governadores com a reincidência criminal. “Os governadores reclamam que o bandido é preso, entregue pela Polícia Militar, e dois dias depois ele é solto”, relatou.
Essa percepção reforça a argumentação de que a segurança pública é uma responsabilidade compartilhada, que exige a colaboração e a integração entre todos os níveis de governo. A visão de Lula é de que o governo federal precisa assumir sua parcela de responsabilidade, fornecendo suporte e coordenação para que estados e municípios possam atuar de maneira mais efetiva. A PEC da Segurança, ao fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública, busca justamente criar um arcabouço legal que facilite essa colaboração e otimize os recursos disponíveis para o setor. O foco é garantir que a União possa atuar de forma mais ativa e estratégica, complementando e potencializando as ações locais.
Próximos Passos para a Proposta de Emenda à Constituição
Com a aprovação na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública segue para o Senado, onde precisa ser votada em dois turnos. Para ser aprovada em cada turno, a PEC exige o apoio de pelo menos três quintos dos senadores, ou seja, 49 dos 81 parlamentares. A pressão do presidente Lula sobre Davi Alcolumbre indica a urgência governamental em ver a matéria avançar. A expectativa é que a pauta seja incluída na agenda do Senado em breve, permitindo que a discussão e a votação ocorram sem maiores delongas. A concretização da PEC representa um passo significativo para a reformulação e o fortalecimento das políticas de segurança pública no Brasil, buscando uma resposta mais coordenada e eficaz contra o crime.
—
Perguntas Frequentes
O que é a PEC da Segurança Pública?
A PEC da Segurança Pública é uma Proposta de Emenda à Constituição que busca dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado em 2018. Seu objetivo é desburocratizar procedimentos e promover maior integração entre os entes federados na área da segurança.
Qual o objetivo do programa Brasil Contra o Crime Organizado?
O programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo governo federal, visa combater a criminalidade com um investimento total de R$ 11 bilhões. Este valor inclui R$ 1 bilhão do governo federal e R$ 10 bilhões em financiamento para estados e prefeituras, fortalecendo suas capacidades de enfrentamento à violência.
Por que o presidente Lula defende a votação da PEC da Segurança?
O presidente Lula defende a votação da PEC da Segurança Pública para resolver definitivamente o problema de segurança no país. Ele acredita que a medida permitirá reforçar a Polícia Federal e Rodoviária Federal, além de criar uma guarda nacional profissionalizada, melhorando a capacidade de combate ao crime organizado.
Este artigo segue estritamente as diretrizes da nossa política editorial e verificação de fatos primária. Conteúdo auditado por Bruno Sampaio, garantindo expertise temática (Topical Authority).

