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Museu Nacional recupera negativos históricos de vidro

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 18/05/2026 às 06:27
Tomaz Silva/Agência Brasil
Leitura: 5 Min
Última Atualização: 18 de maio de 2026, às 06:27

Negativos fotográficos em vidro, que serviram de base para importantes registros científicos e etnográficos, foram devolvidos ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Preservados por mais de um século pela Fundação Biblioteca Nacional, os oito itens representam um marco na recomposição da memória institucional após o incêndio de 2018.

O Retorno de Tesouros Visuais ao Museu Nacional

O Museu Nacional, vinculado à UFRJ, celebra o retorno de oito negativos fotográficos em vidro de grande valor histórico e científico. Esses itens, que permaneceram sob a guarda da Fundação Biblioteca Nacional por mais de cem anos, agora reincorporam o acervo da instituição, marcando um momento significativo para a preservação da memória e da ciência brasileira. A iniciativa é um reflexo da cooperação interinstitucional.

As chapas fotográficas de vidro representam uma tecnologia essencial para a produção de imagens no início do século XX. Elas funcionavam como os “moldes” originais para a criação de fotografias positivas em papel, sendo consideradas documentos insubstituíveis. Sua fragilidade e raridade as tornam objetos de valor inestimável para a compreensão das técnicas fotográficas e dos temas registrados na época.

A História por Trás das Imagens

Os negativos devolvidos foram utilizados pelo renomado antropólogo Edgard Roquette-Pinto em uma conferência proferida na Biblioteca Nacional. Posteriormente, as imagens foram reproduzidas na publicação de sua fala em 1913, nos anais da instituição, o que demonstra a relevância do material desde sua origem. Roquette-Pinto foi uma figura proeminente na antropologia brasileira, pioneiro em estudos etnográficos e um dos fundadores do Museu Nacional.

O conjunto de negativos retrata uma vasta gama de temas que abrangem culturas indígenas, elementos da natureza e exemplares associados à pesquisa científica. A diversidade desses registros visuais oferece uma janela para as práticas acadêmicas e os encontros interculturais que moldaram a trajetória da ciência no Brasil. Cada imagem carrega consigo não apenas um registro visual, mas também memórias de pesquisa e de descobertas.

Os itens que agora voltam a integrar o acervo do Museu Nacional são:

– Desenhos simbólicos dos índios Bakairis, segundo Von den Steinen;
– Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina;
– Índios Mauhá – viagem filosófica, de Alexandre Rodrigues Ferreira;
– Cephalopterus ornatus;
– Maloca dos índios Curutús do Rio Negro;
– Tartaruga sp.;
– K. von den Steinen e seus companheiros da Expedição Alemã, de 1884;
– Iararaca dos Parecis;
– Cabeça do último índio Cambeba (Deformação simétrica alongada).

Esses negativos passam a fazer parte da coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional/UFRJ. Para a instituição, a restituição desses registros visuais representa um marco simbólico fundamental. Permite o reencontro com documentos históricos insubstituíveis que preservam aspectos singulares da ciência, da cultura e das práticas institucionais de sua trajetória.

A Importância da Colaboração Institucional

A restituição dos negativos é o resultado de um esforço conjunto e um exemplo da força da cooperação entre instituições brasileiras. O processo de devolução foi mediado pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias. Ele recebeu a informação sobre a existência dos negativos na Fundação Biblioteca Nacional e iniciou os trâmites.

A identificação e análise das imagens foram realizadas por uma equipe técnica da Semear. Contou com a participação do historiador Gustavo Alves Cardoso Moreira e da conservadora-restauradora Ana Luiza Castro do Amaral, chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauro. Esse grupo estabeleceu associações cruciais entre os negativos preservados pela Biblioteca Nacional e a coleção histórica de pranchas fotográficas e a antiga coleção de negativos em vidro do Museu Nacional.

Essa antiga coleção do museu foi, lamentavelmente, perdida no incêndio de 2018, tornando o retorno desses novos itens ainda mais significativo. A perda desse material foi um golpe severo para a história e a ciência brasileira. A restituição desses negativos é, portanto, um evento de profunda relevância simbólica e prática para a recomposição do acervo e da memória da instituição.

Contribuição para a Memória Científica e Futuras Pesquisas

Para o diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, o diálogo contínuo entre as instituições é fundamental para a preservação e a recomposição do acervo. Este trabalho é conduzido com muito empenho, tanto internamente quanto em articulação com diferentes esferas coletivas. A incorporação dos negativos em vidro ao acervo simboliza a força dessa cooperação e o compromisso compartilhado com a preservação de um patrimônio de enorme relevância histórica, científica e cultural para o Brasil.

O retorno deste conjunto de negativos fotográficos ao acervo é o reencontro do Museu Nacional com fragmentos fundamentais de sua própria história científica e institucional. Segundo Jorge Dias, cada negativo preservado nesses vidros carrega não apenas registros visuais, mas também memórias de pesquisa, de encontros interculturais e de práticas acadêmicas. Todos esses elementos ajudaram a construir a trajetória da ciência no Brasil.

Esse conjunto de registros visuais contribui significativamente para o fortalecimento da preservação da memória científica nacional. Além disso, ele se mostra essencial para o desenvolvimento de pesquisas futuras. Acadêmicos e pesquisadores terão acesso a fontes primárias para estudar a história da ciência, a etnografia indígena e as técnicas fotográficas da época, enriquecendo o conhecimento sobre o passado brasileiro.

Perguntas Frequentes

O que são os negativos fotográficos devolvidos ao Museu Nacional?
São oito chapas fotográficas antigas de vidro, que funcionavam como os “moldes” iniciais para a geração de fotografias positivas em papel. Elas retratam culturas indígenas, elementos da natureza e exemplares de pesquisa científica.

Qual a importância desses negativos para o acervo do Museu Nacional?
Esses negativos representam documentos históricos insubstituíveis que preservam aspectos singulares da ciência, da cultura e das práticas institucionais. Sua restituição é um marco simbólico, especialmente após a perda de grande parte do acervo no incêndio de 2018.

Como foi possível a recuperação desses itens históricos?
A recuperação foi resultado de uma mediação conduzida pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias, que recebeu a informação da existência dos negativos na Fundação Biblioteca Nacional. Uma equipe técnica realizou a identificação e análise das imagens para confirmar sua relação com o acervo do Museu.


18 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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