Empreendedorismo negro empodera estudantes em escola de Salvador
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Empreendedorismo negro empodera estudantes em escola de Salvador

Redação 5 min de leitura Bahia

O Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, localizado no bairro do Arenoso, em Salvador, sediou nesta terça-feira, 12 de maio, uma palestra sobre empreendedorismo negro e educação antirracista. A iniciativa, parte do Projeto Maio Antirracista, reuniu estudantes, professores e convidados em debates aprofundados sobre ancestralidade, racismo estrutural, identidade negra e o papel transformador da educação.

Educação e Empreendedorismo Negro em Destaque

A atividade, que faz parte da programação do Projeto Maio Antirracista, é um exemplo do compromisso da instituição com a valorização da cultura afro-brasileira. O evento buscou promover reflexões cruciais sobre as desigualdades sociais e o racismo estrutural presentes na sociedade. A professora de Biologia e idealizadora do projeto, Taís Danila, enfatizou a necessidade de abordar esses temas no ambiente escolar. Para ela, a escola tem um papel fundamental em preparar os jovens para entender e combater essas realidades.

A localização da unidade escolar, em uma área que integrou o antigo Quilombo do Beiru, confere um significado ainda mais profundo às discussões. Essa herança histórica é um lembrete constante da resistência e da busca por liberdade, temas que ressoam fortemente com o empreendedorismo negro. Ao longo do mês de maio, o colégio continuará promovendo diversas atividades.

Entre as iniciativas estão:

– Rodas de conversa para troca de experiências e conhecimentos.
– Oficinas práticas voltadas ao desenvolvimento de habilidades.
– Atividades pedagógicas focadas na valorização da cultura afro-brasileira e no enfrentamento da discriminação racial.

O Legado de Resistência e Identidade no Arenoso

O contexto histórico da região do Arenoso, em Salvador, como parte do antigo Quilombo do Beiru, enriquece o debate sobre empreendedorismo negro e resistência. Os quilombos, historicamente, foram espaços de autonomia e construção de novas formas de vida para pessoas escravizadas. Nesse sentido, o empreendedorismo negro contemporâneo pode ser visto como uma continuidade dessa busca por independência e autodeterminação, utilizando o trabalho e a inovação como ferramentas de transformação social e econômica.

A Feira de São Joaquim, mencionada no texto, é um símbolo dessa tradição. É um espaço de comércio popular e de encontro de culturas, onde saberes ancestrais são transmitidos e novas oportunidades são geradas. A palestra destacou essa conexão, mostrando como o passado de luta e a sabedoria das gerações anteriores inspiram o presente e o futuro.

O Poder Transformador da Educação e da Ancestralidade

A programação da palestra contou com a participação inspiradora da empresária Vanessa Henrique, CEO das marcas Báraó Tecidos e Engome e Passe Óia. Seus empreendimentos, nascidos na Feira de São Joaquim, são um testemunho vivo do poder dos saberes ancestrais, transmitidos por mulheres de sua família há mais de 100 anos. A trajetória de Vanessa, ex-estudante da rede pública, ressaltou como a educação foi um pilar decisivo em sua jornada.

Ela destacou a importância da educação na construção de oportunidades e no despertar da confiança. “A escola despertou em mim a confiança para construir um futuro diferente”, afirmou Vanessa Henrique. Sua mensagem se concentrou em inspirar meninas e mulheres negras a ocuparem qualquer espaço, a transformarem suas histórias e a enxergarem no conhecimento um caminho de liberdade e autonomia. Essa perspectiva reforça o papel da educação como ferramenta de empoderamento e de ruptura com ciclos de desigualdade.

Vozes dos Estudantes: Reflexões para o Futuro

As discussões durante a palestra provocaram profundas reflexões nos estudantes sobre temas como futuro, autonomia e oportunidades. Evellyn Samara, aluna da 2ª série do Ensino Médio, compartilhou que a palestra a incentivou a acreditar nos próprios sonhos. Ela destacou a importância de investir na qualificação profissional como um meio para alcançar esses objetivos. “Fomos motivados a aprimorar nossos estudos e buscar cursos que contribuam para o nosso desenvolvimento e para a construção de um futuro diferente”, disse Evellyn.

Outro estudante da 2ª série, Luan de Sousa Ribeiro, observou como os debates aproximaram o passado e o presente. Ele fez uma conexão entre o empreendedorismo, a resistência e a luta por liberdade, relacionando-os com a história da escravidão. Luan ressaltou que muitos negros buscavam independência através do trabalho e da comercialização de alimentos. “Essa iniciativa, de certa forma, ainda se conecta com a realidade contemporânea”, concluiu Luan, evidenciando a continuidade da busca por autonomia.

A escola, ao promover essas discussões, reafirma seu compromisso em formar cidadãos conscientes e engajados. O Projeto Maio Antirracista é um esforço contínuo para construir uma sociedade mais justa e equitativa, onde a cultura afro-brasileira é celebrada e a diversidade é valorizada.

Perguntas Frequentes

O que é o Projeto Maio Antirracista?
O Projeto Maio Antirracista é uma iniciativa promovida pelo Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, em Salvador, para debater e enfrentar o racismo estrutural. Ao longo do mês de maio, são realizadas atividades pedagógicas, rodas de conversa e oficinas que visam valorizar a cultura afro-brasileira e promover a educação antirracista.

Qual a importância do empreendedorismo negro para a comunidade?
O empreendedorismo negro é fundamental para a autonomia econômica e social, gerando oportunidades e combatendo desigualdades. Ele se baseia em saberes ancestrais e na resiliência, inspirando jovens a construir um futuro diferente e a ocupar diversos espaços na sociedade, como destacado pela empresária Vanessa Henrique.

Como a educação pode combater o racismo estrutural?
A educação combate o racismo estrutural ao promover debates sobre temas como ancestralidade, identidade negra e discriminação racial no ambiente escolar. Ela capacita os estudantes a compreenderem essas questões, desenvolvendo o pensamento crítico e a confiança para transformar suas realidades, como mencionado pela professora Taís Danila e pelos alunos Evellyn e Luan.


13 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Agência Voz Ativa|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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