Durigan rejeita compensação a empresas por fim da escala 6×1
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Durigan rejeita compensação a empresas por fim da escala 6×1

Redação 6 min de leitura Ultimas Noticias

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira (12), em audiência na Câmara, ser “radicalmente contra” qualquer compensação financeira a empresas que venham a ser afetadas pela eventual aprovação de propostas que reduzem a jornada de trabalho e acabam com a escala 6×1 no Brasil. A posição reflete a visão do governo de que a mudança é uma transformação global nas relações trabalhistas.

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 tem ganhado destaque no cenário político brasileiro. A escala 6×1, que implica em seis dias de trabalho para um de descanso, é um modelo comum que tem sido alvo de críticas por seus impactos na qualidade de vida dos trabalhadores. O debate faz parte de um movimento global para reavaliar as relações trabalhistas e buscar modelos mais sustentáveis e produtivos.

O ministro Durigan enfatizou que essa adaptação não deve ser encarada como um prejuízo a ser ressarcido pelo Estado. A declaração foi feita durante audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados, que analisa diversas propostas sobre o tema. A relevância do assunto é sublinhada pela campanha nacional do governo pelo fim da escala de trabalho 6×1 e pela discussão em outros países da América Latina que já reduziram suas jornadas.

Os argumentos do governo e as propostas em discussão

A principal tese defendida pelo ministro Dario Durigan é que a “titularidade da hora do trabalho não é do empregador”. Para ele, a hora de trabalho pertence ao trabalhador. Ele argumentou que mudanças históricas nas relações trabalhistas ocorreram em vários países sem que houvesse necessidade de compensações financeiras ao setor produtivo. Durigan vê a redução da jornada como um “ganho geracional”, que não é exclusivo do Brasil, mas um debate mundial.

Atualmente, a comissão especial da Câmara analisa distintas iniciativas legislativas para modificar a jornada de trabalho. Essas propostas visam modernizar a legislação e alinhar o Brasil às tendências internacionais de flexibilização e otimização do tempo.

As principais propostas em análise incluem:

Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP): Preveem uma jornada semanal de quatro dias de trabalho. O prazo sugerido para a implementação das novas regras é de 360 dias após a aprovação.
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG): Sugere uma redução gradual da jornada para 36 horas semanais. Esta transição seria implementada ao longo de um período de dez anos.
Projeto de Lei do governo federal: Propõe a redução da carga horária semanal para 40 horas. Além disso, busca diminuir a escala de trabalho de seis para cinco dias trabalhados por semana.

Impactos e apoio para a transição nas empresas

Representantes do setor produtivo expressam preocupação com os potenciais efeitos da redução da jornada, como o aumento dos custos operacionais, o impacto na competitividade e a possível perda de produtividade. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado no debate, estimou que uma redução para 40 horas semanais poderia gerar um impacto negativo de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 76,9 bilhões.

Contrariando essas preocupações, o ministro Durigan defendeu que a mudança pode impulsionar ganhos de eficiência tanto para as empresas quanto para os trabalhadores. Ele argumentou que jornadas menores tendem a pressionar as empresas e os empregados a buscar maior produtividade e otimizar as dinâmicas de trabalho, corrigindo gargalos de eficiência. A ideia é que menos tempo de trabalho possa levar a um foco maior na qualidade e na entrega, em vez de apenas na quantidade de horas.

Mesmo rejeitando indenizações, o governo se mostrou aberto a discutir medidas de apoio específicas para pequenas empresas durante a eventual transição. Durigan citou a possibilidade de ampliação de linhas de crédito facilitadas, programas de capacitação profissional e incentivos à digitalização dos negócios. Ações como essas visam mitigar os impactos e auxiliar os pequenos empreendedores a se adaptarem às novas regras. O ministro mencionou também a possibilidade de programas semelhantes ao Desenrola, focados em pequenos negócios, e destacou mecanismos já existentes, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Simples Nacional, que já contribuem para reduzir custos para empresas de menor porte.

Negociação coletiva e o panorama da produtividade

Apesar das mudanças legislativas em debate, o ministro Dario Durigan reiterou a importância dos acordos coletivos. Ele defendeu que a negociação entre o setor patronal e o setor trabalhista continuará sendo fundamental para a acomodação e os ajustes necessários. Essa flexibilidade na negociação é vista como um pilar para a adaptação das empresas e dos trabalhadores às novas realidades da jornada.

Durante a audiência, o relator da proposta, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), trouxe um dado relevante para o debate. Ele afirmou que o Brasil possui uma das maiores jornadas de trabalho do mundo, com 44 horas semanais, classificando-a como a quarta maior jornada global. No entanto, contrapôs que o país apresenta uma das piores produtividades em nível mundial. Essa disparidade reforça o argumento de que a quantidade de horas trabalhadas não se traduz diretamente em maior produtividade ou qualidade de vida. O parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser apresentado ainda em maio, marcando um próximo passo crucial nesse debate.

Perguntas Frequentes

O que é a escala 6×1 de trabalho?
A escala 6×1 refere-se a um regime de trabalho onde o empregado trabalha seis dias consecutivos e tem direito a um dia de descanso. Esse modelo tem sido objeto de discussão no Brasil por seus impactos na vida dos trabalhadores e pela busca por jornadas mais equilibradas.

Por que o ministro Dario Durigan é contra a compensação às empresas?
O ministro Dario Durigan é radicalmente contra a compensação por acreditar que a redução da jornada é uma transformação mundial nas relações de trabalho e não um prejuízo a ser indenizado. Ele argumenta que a hora de trabalho pertence ao trabalhador e que mudanças históricas ocorreram sem tais indenizações.

Que tipo de apoio o governo considera para as pequenas empresas na transição?
Apesar de rejeitar indenizações gerais, o governo está aberto a discutir medidas de apoio para pequenas empresas. Isso inclui a ampliação de linhas de crédito, programas de capacitação e incentivos à digitalização de negócios. Mecanismos como o Sebrae e o Simples Nacional já existentes também são vistos como ferramentas de auxílio.


13 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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