Energia solar no Brasil ultrapassa R$ 300 bilhões e desacelera
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Energia solar no Brasil ultrapassa R$ 300 bilhões e desacelera

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Os investimentos em energia solar no Brasil ultrapassaram R$ 300 bilhões, abrangendo grandes usinas e sistemas próprios. A Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) revela o marco, mas aponta para uma desaceleração recente, motivada por cortes na geração e problemas de conexão que freiam novos projetos no país.

Esse montante histórico consolida a fonte solar como um pilar fundamental na transição energética brasileira. Contudo, o setor, que vinha em um ritmo acelerado de expansão na última década, agora precisa superar novos obstáculos para manter sua trajetória de crescimento sustentável.

O Marco de R$ 300 Bilhões e a Desaceleração Atual

A energia solar tornou-se a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, contribuindo significativamente para a segurança energética e a diversificação das fontes. Os mais de R$ 300 bilhões em investimentos acumulados refletem a adesão de diferentes atores, desde grandes empreendimentos de geração centralizada até milhões de consumidores que instalaram sistemas de geração própria em telhados e pequenos terrenos. A Absolar, fundada em 2013, tem acompanhado de perto essa evolução, atuando na articulação do setor.

Apesar dos números impressionantes, o ritmo de novos projetos diminuiu consideravelmente no último ano. A potência adicionada à matriz energética, por exemplo, registrou uma queda de 25,6%, passando de 15,6 GW em 2024 para 11,6 GW em 2025. Essa retração levanta preocupações sobre o potencial não explorado e os impactos econômicos para a cadeia produtiva.

Os principais indicadores do setor demonstram a sua relevância:

* Investimentos acumulados: Mais de R$ 300 bilhões
* Empregos gerados na última década: Mais de 2 milhões
* Capacidade instalada em operação: 68,6 gigawatts (GW)
* Arrecadação pública: R$ 95,9 bilhões
* Participação na matriz elétrica: 25,3% (segunda maior fonte do país)

Desafios Regulatórios e de Infraestrutura Freiam o Setor Solar

A desaceleração do setor solar é multifacetada, com dois fatores se destacando. Primeiramente, os cortes na geração de usinas renováveis que produzem energia excedente têm sido um entrave. Empreendedores que investem em projetos que geram mais energia do que consomem, ou que contribuem com a rede, não estão recebendo a compensação financeira adequada, desestimulando novos investimentos.

Em segundo lugar, as dificuldades de conexão para pequenos sistemas de geração distribuída são um problema crescente. Muitas redes elétricas não possuem capacidade para absorver o fluxo de energia gerada pelos painéis solares, resultando em barreiras para que consumidores e pequenas empresas possam se conectar e contribuir com a rede. Esses problemas, tanto regulatórios quanto de infraestrutura, limitam o potencial de crescimento e, segundo a Absolar, já resultaram no fechamento de empresas, no cancelamento de investimentos e na redução de empregos no setor.

A capilaridade da energia solar no Brasil é notável, com usinas de grande porte espalhadas por diversas regiões e sistemas de geração distribuída instalados em mais de 5 mil municípios. Essa distribuição geográfica demonstra o potencial de democratização do acesso à energia.

Confira o ranking dos estados com maior capacidade instalada:

Geração Centralizada (grandes usinas solares):
* Minas Gerais: 8,6 GW
* Bahia: 2,9 GW
* Piauí: 2,4 GW

Geração Distribuída (pequenas usinas e telhados):
* São Paulo: 6,5 GW
* Minas Gerais: 5,8 GW
* Paraná: 4,2 GW

Minas Gerais se destaca em ambos os rankings, consolidando-se como um polo de desenvolvimento da energia solar no país, impulsionado por políticas estaduais e grande potencial de irradiação solar.

Absolar Propõe Soluções para Expandir a Energia Solar no Brasil

Diante do cenário desafiador, a Absolar tem intensificado sua atuação para propor soluções que destravem o crescimento do setor. Barbara Rubim, presidente eleita do conselho da entidade para o período 2026–2030, enfatiza que a prioridade será promover uma expansão sustentável da fonte solar. Isso inclui foco em melhorias regulatórias, o fortalecimento do mercado livre de energia e o incentivo a tecnologias complementares.

Entre as tecnologias que a associação defende estão o armazenamento de energia e o hidrogênio verde. O armazenamento, por exemplo, é crucial para garantir a estabilidade da rede e otimizar o uso da energia solar, que é intermitente. A entidade defende a regulamentação do armazenamento de energia elétrica junto ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi).

A Absolar argumenta que muitas das medidas necessárias podem ser implementadas de forma infralegal, ou seja, por meio de decretos presidenciais ou portarias de ministérios. Essa abordagem evitaria a morosidade do processo legislativo no Congresso Nacional, agilizando a criação de um ambiente mais favorável para investimentos. Além disso, a associação sugere alterações para estimular projetos de armazenamento de energia solar no regime especial a setores da economia incluídos na reforma tributária, visando alavancar ainda mais a atratividade dos investimentos.

O Potencial da Energia Solar em Diferentes Aplicações

Mesmo com os desafios atuais, a versatilidade da energia solar continua a demonstrar seu vasto potencial. Exemplos recentes mostram como a tecnologia pode transformar diferentes realidades no Brasil. Projetos como a energia solar em Itaipu, que tem o potencial para dobrar a capacidade de geração da usina hidrelétrica com a integração de parques solares, indicam a escala que a fonte pode atingir.

Além disso, a solar tem um papel crucial no desenvolvimento social e econômico de comunidades. A viabilização de uma fábrica de gelo em uma comunidade ribeirinha através da energia solar, por exemplo, destaca o impacto direto na melhoria da qualidade de vida e na geração de renda em regiões remotas. A iniciativa de Itaipu em equipar 80 hospitais filantrópicos com sistemas de energia solar reforça o compromisso social e ambiental da fonte, garantindo economia e sustentabilidade para instituições essenciais.

Esses exemplos ilustram que, apesar da recente desaceleração, a energia solar permanece como uma das mais promissoras e impactantes fontes de energia para o futuro do Brasil, capaz de gerar bilhões em investimentos e, ao mesmo tempo, impulsionar o desenvolvimento em diversas esferas. O caminho à frente exige uma coordenação eficiente entre o setor privado e o governo para remover os entraves e liberar todo o potencial dessa tecnologia limpa e abundante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios da energia solar no Brasil atualmente?

Os principais desafios incluem cortes na compensação financeira para usinas que geram energia excedente e dificuldades de conexão de novos projetos à rede elétrica devido à capacidade limitada da infraestrutura existente.

O que é a Absolar e qual seu papel no setor de energia solar?

A Absolar é a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, fundada em 2013. Ela reúne empresas e instituições da cadeia da energia fotovoltaica e atua na articulação do setor em prol da transição energética no Brasil, defendendo interesses e propondo soluções.

Como a Absolar pretende impulsionar o crescimento da energia solar?

A Absolar busca promover a expansão sustentável da fonte solar através de melhorias regulatórias, fortalecimento do mercado livre de energia e incentivo a tecnologias complementares, como armazenamento de energia e hidrogênio verde, propondo medidas que podem ser implementadas via decretos ou portarias.


2 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Soninha Vill/GIZ|Fonte da Informação ↗

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