Reconhecimento facial amplia público e segurança em estádios
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Reconhecimento facial amplia público e segurança em estádios

Redação 6 min de leitura Ultimas Noticias

A biometria facial se tornou obrigatória em estádios com mais de 20 mil lugares no Brasil há quase um ano, transformando o acesso e a segurança das arenas. A tecnologia simplifica a entrada de torcedores e fortalece a fiscalização.

O tradicional ingresso físico, antes colecionado por muitos torcedores, está sendo gradualmente substituído pela identificação biométrica. Desde que a medida foi implementada, o acesso aos estádios ocorre exclusivamente pelo reconhecimento do rosto, cadastrado no momento da compra da entrada, eliminando a necessidade de apresentar qualquer tipo de tíquete ou carteirinha.

Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass, uma das empresas que desenvolvem o sistema no país, explica que o objetivo principal da biometria é personalizar o ingresso. “Com isso, você elimina a possibilidade de esse ingresso ficar circulando entre várias pessoas, de poder emprestar, trocar, enfim. Elimina a fraude também, porque você não tem como copiar a face”, descreveu o executivo.

A exigência da biometria em arenas com capacidade superior a 20 mil torcedores está prevista no artigo 148 da Lei Geral do Esporte, sancionada em 14 de junho de 2023. A legislação estabeleceu um prazo de dois anos para a plena adoção do sistema por todos os clubes e estádios.

Biometria facial: entrada mais ágil e personalizada

A implementação da tecnologia de reconhecimento facial tem gerado resultados significativos em diversos aspectos, desde a agilidade no acesso até o perfil do público presente nos jogos. O Allianz Parque, em São Paulo, por exemplo, foi pioneiro globalmente ao adotar a tecnologia em todos os seus acessos ainda em 2023.

A Bepass, responsável pela implantação na arena do Palmeiras, relatou que a velocidade de entrada do público aumentou em quase três vezes. Paralelamente, o clube registrou um aumento de pelo menos 30% no número de sócios-torcedores. Essa facilidade também é percebida pelos torcedores.

Marcos Antônio de Oliveira Saturnino, motoboy, relatou à TV Brasil sua experiência positiva antes de um clássico na Arena Barueri. “Venho com minhas filhas. Para nós, é mais prático e rápido, pois compramos [o ingresso] on-line, fazemos a [biometria] facial uma vez e já libera”, contou.

Fernando Melchert também destacou que a presença de famílias nos estádios cresceu consideravelmente. Entre 2023 (antes da Lei Geral do Esporte) e 2025, houve um aumento notável de mulheres (32%) e crianças (26%) entre os espectadores. O público geral nas arenas também apresentou crescimento. A média de torcedores no Brasileirão Masculino do ano passado foi de 25.531 por jogo. Considerando as 269 partidas realizadas após a biometria facial se tornar obrigatória, a média subiu para 26.513 pessoas, um aumento de cerca de 4%.

Impacto no público e nas finanças dos clubes

A adesão ao reconhecimento facial não se restringe apenas aos estádios com capacidade acima do mínimo exigido por lei. Alguns clubes, como o Santos, decidiram implementar a biometria mesmo em arenas menores. A Vila Belmiro, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas, iniciou a operacionalização da entrada de torcedores via biometria em 2024.

O Alvinegro estima uma economia de R$ 100 mil mensais, totalizando R$ 1,2 milhão anuais, apenas pela eliminação da necessidade de confeccionar carteirinhas físicas para sócios e ingressos. Marcelo Teixeira, presidente do Santos, afirmou que a medida proporciona mais conforto e segurança aos torcedores, além de combater fraudes. “Conseguimos cadastrar um número recorde de pessoas e oferecemos, ao mesmo tempo, mais condições de conforto e segurança para os torcedores que estejam vindo à Vila Belmiro. Nós temos a possibilidade, com o reconhecimento facial, de evitar questões inerentes a ingressos falsos e cambistas”, disse.

Segurança reforçada e combate ao crime

Um dos argumentos mais fortes para a adoção da biometria é o reforço da segurança. O sistema de reconhecimento facial possui conexão direta com o Banco Nacional de Mandados de Prisão. Isso permite que os dados dos torcedores sejam cruzados e, caso haja alguma pendência jurídica, a Polícia seja acionada imediatamente.

Durante um clássico entre Santos e Corinthians na Vila Belmiro, em 15 de março, três homens foram detidos. Um deles era procurado por roubo, enquanto os outros dois tinham pendências relacionadas ao não pagamento de pensão alimentícia. Em nível nacional, um acordo de cooperação firmado em 2023 entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os ministérios do Esporte e da Justiça e Segurança Pública deu origem ao projeto “Estádio Seguro”, que visa integrar essas tecnologias.

No estado de São Paulo, uma parceria entre os clubes e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) integrou os equipamentos a um sistema de monitoramento estadual, batizado de “Muralha Paulista”. Por meio deste programa, mais de 280 foragidos foram identificados e detidos ao tentarem acessar as arenas. “Como o ingresso é personalizado, a gente sabe quem é o comprador. Isso é enviado para a Secretaria de Segurança, que faz uma varredura para ver se há alguma pendência e retorna a informação para o controle de acesso e, obviamente, ao time de segurança que fica nas arenas. O objetivo é que a Polícia cumpra esse mandato no momento que essa pessoa frequentar o estádio”, detalhou Fernando Melchert.

Debates sobre privacidade e futuro da tecnologia

Apesar dos benefícios evidentes em termos de segurança e agilidade, a coleta de dados biométricos em larga escala gera debates sobre a privacidade dos torcedores. Relatórios como “Esporte, Dados e Direitos”, desenvolvido pelo projeto “O Panóptico” do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), questionam a adoção dessa tecnologia.

A análise aponta preocupações com a privacidade dos torcedores, a vulnerabilização de crianças e adolescentes, e alinha-se à posição de “instituições e organizações civis nacionais e internacionais” que defendem o banimento do reconhecimento facial em espaços públicos. A discussão sobre o equilíbrio entre segurança e direitos individuais permanece um ponto crucial na expansão dessas tecnologias.

Perguntas Frequentes

1. A biometria facial é obrigatória em todos os estádios brasileiros?
Não. Atualmente, a biometria facial é obrigatória apenas em estádios com capacidade para mais de 20 mil pessoas, conforme o artigo 148 da Lei Geral do Esporte.

2. Quais são os principais benefícios da biometria facial nos estádios?
Os principais benefícios incluem o aumento da segurança (combate a cambistas, identificação de foragidos), agilidade na entrada dos torcedores, personalização dos ingressos e, em alguns casos, economia para os clubes.

3. Existem preocupações sobre o uso do reconhecimento facial em estádios?
Sim, relatórios e organizações civis manifestam preocupações sobre a privacidade dos dados coletados, a vulnerabilização de crianças e adolescentes e o potencial uso indevido dessas informações.


3 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Divulgação/Bepass/Direitos Reservados|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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