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Sociedade Médica alerta para cegueira causada por uso inadequado de corticoide

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 07/06/2026 às 15:13
Sociedade Médica alerta para cegueira causada por uso inadequado de corticoide
Reprodução / Divulgação
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 07 de junho de 2026, às 15:13

A Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), em parceria com importantes instituições médicas, lançou um alerta urgente sobre os perigos do uso descontrolado de medicamentos à base de corticoides. Adquiridos sem a devida orientação profissional, esses fármacos representam uma ameaça significativa ao desenvolvimento e agravamento do glaucoma, uma condição ocular séria que pode levar à cegueira irreversível.

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por transmitir as imagens do olho para o cérebro. Sua principal causa está associada à elevação da pressão intraocular, um fenômeno que, sem tratamento adequado, pode resultar na perda irreversível da visão e, consequentemente, na cegueira. Atualmente, não existe cura para o glaucoma, apenas tratamentos que visam controlar sua progressão.

No Brasil, a situação é alarmante. Estima-se que mais de 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença. O presidente da SBG, Roberto Murad Vessani, ressalta que a prevalência aumenta com a idade, afetando entre 2,5% e 3,5% dos indivíduos acima dos 40 anos.

A preocupação se estende a diversas formas de corticoides. Colírios, frequentemente utilizados para aliviar irritações oculares, pomadas e até comprimidos orais que contenham essa substância, podem desencadear o glaucoma se usados sem supervisão médica.

Os corticoides são potentes anti-inflamatórios, eficazes para tratar quadros como irritações nos olhos, alergias, crises respiratórias, sinusites e dores inflamatórias. O alívio rápido dos sintomas leva muitos a reutilizar a medicação por conta própria sempre que os problemas reaparecem. Essa prática, contudo, é perigosa e pode mascarar problemas mais graves.

O uso prolongado e desacompanhado de corticoides pode comprometer o funcionamento natural dos olhos. Eles interferem na drenagem do humor aquoso, o líquido que preenche o globo ocular. O acúmulo desse fluido eleva a pressão intraocular, um fator crítico para o desenvolvimento do glaucoma e a lesão do nervo óptico.

Entenda os Riscos do Uso Prolongado de Corticoides

Além dos efeitos oculares, a utilização indiscriminada de corticoides acarreta uma série de problemas sistêmicos. A lista de complicações é extensa e impacta diversas funções do organismo:
– Aumento da glicose no sangue, podendo descontrolar o diabetes.
– Ganho de peso e retenção de líquidos.
– Elevação da pressão arterial (hipertensão).
– Enfraquecimento dos ossos (osteoporose).
– Maior suscetibilidade a infecções.
– Alterações hormonais significativas.

Diante da gravidade, a SBG, em conjunto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), formalizou uma nota pública. O documento foi endereçado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a outras entidades médicas, alertando sobre os perigos. Para Roberto Vessani, “É muito grave. Na verdade, é um problema de saúde pública.”

As entidades buscam sensibilizar políticos e órgãos reguladores para a necessidade de maior controle sobre a venda de corticoides. A proposta é seguir um modelo similar ao adotado para os antibióticos, que exige rigorosa retenção de receita médica na farmácia, garantindo rastreabilidade e uso consciente.

A Importância do Controle e da Conscientização

Vessani destaca que o problema transcende a oftalmologia. Diversas especialidades, como ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria, prescrevem corticoides para tratar condições inflamatórias. Muitos pacientes, sem saber, já podem ter uma predisposição ao glaucoma, tornando o uso desses medicamentos ainda mais arriscado.

Cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com glaucoma são sensíveis aos corticoides. O uso desses medicamentos pode elevar drasticamente a pressão intraocular, comprometendo ainda mais a condição visual e acelerando a perda da visão.

Crianças alérgicas representam outro grupo de risco. Pais, na ausência de informação adequada, podem administrar colírios com corticoides cronicamente. Essa prática pode levar ao aumento da pressão ocular ou ao desenvolvimento precoce de catarata, uma condição que turva o cristalino do olho, além do risco de glaucoma.

No campo oftalmológico, Roberto Vessani enfatiza que o uso indiscriminado de colírios com antibióticos é, ironicamente, menos perigoso que o de corticoides. Ele reitera a necessidade de que “o uso de corticoides nas diversas formas tenha o mesmo rigor que ocorre em relação aos antibióticos”.

Atualmente, a venda de antibióticos exige duas vias da receita médica, uma delas retida pela farmácia. Esse sistema permite um controle eficaz da prescrição e inibe a automedicação. A implementação de um mecanismo similar para os corticoides “bloquearia as pessoas que compram essas medicações, fazendo um autotratamento sem passar por um médico”, afirma Vessani.

Campanhas e Perspectivas para a Saúde Ocular

Em um esforço contínuo, SBG, CBO e SBOP promovem campanhas informativas. O objetivo é capacitar outras especialidades médicas sobre os riscos oculares associados ao uso crônico de corticoides, minimizando potenciais danos à visão de pacientes tratados por condições crônicas de saúde.

O controle mais rígido sobre o uso de corticoides já é uma realidade em muitos países desenvolvidos do mundo ocidental. Lá, existe uma melhor troca de informações entre diferentes especialidades médicas, servindo de modelo para o Brasil. A grande prioridade é a informação e a conscientização, tanto da população quanto dos profissionais de saúde prescritores.

A elevação da pressão ocular pode ocorrer em poucas semanas de uso crônico de corticoides. Se o uso persistir, o desenvolvimento do glaucoma e a consequente perda da visão são desfechos prováveis. A prevenção começa com a informação e a adesão estrita à orientação médica.

Perguntas Frequentes

O que é glaucoma e qual sua relação com o uso de corticoides?

O glaucoma é uma doença ocular que danifica o nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão dentro do olho. O uso inadequado e prolongado de corticoides, seja em colírios, pomadas ou comprimidos, pode dificultar a drenagem do líquido ocular, elevando essa pressão e, consequentemente, levando ao desenvolvimento ou agravamento do glaucoma.

Por que a automedicação com corticoides é tão perigosa?

A automedicação com corticoides é perigosa porque esses medicamentos, embora eficazes como anti-inflamatórios, possuem efeitos colaterais sérios e podem mascarar condições subjacentes. Sem acompanhamento médico, o uso prolongado pode causar não apenas glaucoma e cegueira, mas também outros problemas sistêmicos como diabetes descontrolado, hipertensão, enfraquecimento dos ossos e aumento do risco de infecções.

Quais medidas estão sendo propostas para controlar o uso de corticoides no Brasil?

Entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), propõem que a venda de corticoides siga o mesmo rigor dos antibióticos. Isso significaria a exigência de duas vias da receita médica, com uma delas retida pela farmácia, a fim de garantir um controle mais efetivo da prescrição e coibir a automedicação pela população.

Quais são os principais grupos de risco para o glaucoma induzido por corticoides?

Os principais grupos de risco incluem indivíduos acima dos 40 anos, que já possuem uma maior prevalência de glaucoma. Pacientes já diagnosticados com a doença são particularmente sensíveis aos corticoides (cerca de 90% dos casos). Crianças com histórico de alergias oculares, cujos pais podem usar colírios com corticoides cronicamente, também estão em risco de aumento da pressão ocular ou catarata precoce.


7 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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