Brasília sedia conferência sobre desenvolvimento urbano após 13 anos
Após mais de uma década, a capital federal volta a ser palco de debates cruciais para o futuro das cidades brasileiras e a definição de políticas públicas essenciais.
Brasília sedia, entre esta segunda-feira (24) e a próxima sexta-feira (27), a 6ª Conferência Nacional das Cidades, um evento que reúne mais de 1,6 mil representantes de todo o Brasil para debater o futuro do desenvolvimento urbano nacional. O encontro na capital federal, que acontece após um hiato de mais de 13 anos, visa consolidar propostas para uma nova Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).
Retomada do Diálogo sobre Desenvolvimento Urbano
A Conferência Nacional das Cidades, que teve sua última edição em 2013, volta a ser realizada com o objetivo de reativar o diálogo sobre o planejamento e a gestão das áreas urbanas brasileiras. Organizado pelo Conselho das Cidades (Concidades), um órgão colegiado ligado ao Ministério das Cidades, o evento representa o ponto alto de um processo participativo que envolveu mais de 1,8 mil municípios em todos os 26 estados e no Distrito Federal. Essa ampla mobilização reflete a necessidade de discussões que considerem as particularidades de um país de dimensões continentais.
Durante os quatro dias de conferência, delegados eleitos em encontros estaduais terão direito a voto na definição das diretrizes. Eles trazem as reivindicações e propostas aprovadas em seus territórios, garantindo que a diversidade regional seja contemplada nas discussões. A participação vai além do poder público, incluindo representantes da academia, de movimentos sociais e do setor empresarial, enriquecendo o debate com múltiplas perspectivas sobre os desafios e oportunidades do desenvolvimento urbano sustentável.
Desafios e Temas Centrais da Conferência
A principal meta da 6ª Conferência Nacional das Cidades é a elaboração de um documento oficial que servirá de base para a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU). Esta política, em discussão desde 2019, busca promover um desenvolvimento urbano equilibrado e sustentável em todo o território nacional. Para alcançar esse objetivo, os participantes se dividirão em salas temáticas para abordar uma vasta gama de assuntos cruciais para a vida nas cidades.
Entre os temas em pauta estão habitação, saneamento básico, melhoria das periferias, mobilidade urbana e o papel do controle social na gestão pública. Outros tópicos importantes incluem regularização fundiária, cooperação interfederativa, sustentabilidade ambiental, adaptação às mudanças climáticas, transformações digitais, acessibilidade tecnológica e segurança cidadã. A amplitude dos temas demonstra a complexidade dos desafios enfrentados pelas cidades brasileiras e a urgência de soluções integradas. A consolidação dessas propostas em um documento único é fundamental para orientar as ações governamentais nos próximos anos.
A Importância da Participação e a Reconstrução
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou a importância “fundamental” da realização desta 6ª Conferência Nacional das Cidades. Durante sua participação no programa “Bom Dia, Ministro”, ele enfatizou que a grandiosidade do Brasil exige que as soluções para o desenvolvimento urbano não sejam centralizadas, mas construídas a partir de um processo participativo e descentralizado. “Vivemos em um país continental. E você imaginar que, [aqui] de Brasília, você vai conseguir encontrar soluções para um país do tamanho do nosso, seria muita pretensão”, afirmou o ministro, sublinhando a necessidade de ouvir as bases.
Jader Filho lamentou a interrupção da conferência, que nasceu em 2003, no primeiro governo Lula, e não ocorreu desde 2013. Segundo ele, essa lacuna de mais de uma década teve um “impacto muito grande” ao limitar a ampliação do processo de discussão, o que, muitas vezes, impede a tomada das melhores decisões para o futuro das cidades. A retomada da conferência é vista como um passo essencial para corrigir essa deficiência e reengajar a sociedade civil e os governos locais no debate.
A realização da 6ª conferência também está diretamente ligada à reconstrução do Conselho das Cidades (Concidades). O órgão, que é crucial para a articulação de políticas urbanas, foi extinto em 2019, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Retomamos o Concidades e temos feito reuniões trimestrais com esses conselheiros, debatendo, discutindo soluções para as cidades brasileiras”, explicou o ministro, ressaltando o esforço do atual governo para reativar os canais de diálogo e participação social na formulação das políticas públicas de desenvolvimento urbano. A iniciativa busca fortalecer a governança e garantir que as diretrizes futuras sejam resultado de um consenso nacional, considerando as diversas realidades e necessidades dos municípios.
Perguntas Frequentes
Qual o objetivo principal da 6ª Conferência Nacional das Cidades?
O objetivo principal é consolidar propostas para a elaboração de uma nova Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU), visando promover um desenvolvimento urbano sustentável no Brasil.
Quantos representantes participam do evento e de onde eles vêm?
Mais de 1,6 mil representantes, eleitos em encontros estaduais, de mais de 1,8 mil municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, participam da conferência em Brasília.
Por que a realização desta conferência é considerada fundamental?
É considerada fundamental por retomar o diálogo sobre o futuro das cidades após mais de 13 anos de hiato, e por permitir que as soluções para o desenvolvimento urbano sejam construídas de forma participativa, considerando a diversidade do país, como destacado pelo ministro Jader Filho.



