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Empresária passa mal e encerra depoimento na CPMI do INSS

Ingrid Santos é sócia de empresas ligadas a esquema de desvios e recebeu habeas corpus do STF para ficar em silêncio.

A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos passou mal e teve seu depoimento encerrado nesta segunda-feira (13) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, no Senado Federal. Ela prestava esclarecimentos sobre a suposta participação em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos após o mal-estar de Ingrid. A empresária recebia perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), quando precisou de atendimento médico.

Depoimento encerrado

Ingrid Santos deixou a sessão antes da conclusão de sua oitiva. A equipe médica do Senado Federal prestou o socorro necessário à empresária.

O incidente interrompeu um dos depoimentos mais aguardados da comissão. Ingrid Santos é uma figura central na investigação sobre possíveis fraudes.

O que Ingrid Santos representa

A empresária Ingrid Santos é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos. Ambos são ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

A Conafer é uma entidade sob investigação da CPMI por, supostamente, ter se beneficiado de mais de R$ 100 milhões. Este montante teria vindo de descontos ilegais em benefícios previdenciários.

Cícero Marcelino é apontado pela comissão como operador e assessor de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer. Lopes também está sendo investigado pela CPMI.

Acusações e defesa

A CPMI do INSS afirma que parte dos recursos desviados era movimentada em contas de empresas que tinham Ingrid Santos como sócia. O relator Alfredo Gaspar destacou o volume financeiro envolvido no caso.

“A depoente recebeu, além do repassado nas contas da empresa, mais de R$ 13 milhões, infelizmente dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil”, disse o deputado. Ele reforçou a gravidade dos fatos investigados.

Antes de passar mal, Ingrid Santos defendeu-se das acusações. Ela afirmou que não tinha conhecimento das atividades ilícitas e não se envolvia na gestão das empresas.

Segundo a empresária, a administração dos negócios ficava a cargo de seu marido, Cícero Santos. “Quem geria tudo isso, como ele falou aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero”, afirmou Ingrid.

Ela ainda declarou ter se sentido traída. “Inclusive, ele até traiu a minha confiança quando eu vi a Polícia Federal batendo na minha porta, acordando meus filhos e constrangendo a minha família”, disse Ingrid Santos.

A empresária descreveu a situação como uma surpresa e um momento difícil. “Para mim, tudo isso aqui é uma surpresa, inclusive estar aqui também está sendo muito difícil, porque eu nunca imaginei passar por uma situação dessa”, completou pouco antes de passar mal.

Habeas corpus e direito ao silêncio

Antes de comparecer à CPMI, a empresária Ingrid Santos obteve um habeas corpus. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a medida.

O habeas corpus autorizava Ingrid a permanecer em silêncio durante seu depoimento. Ela foi questionada sobre as atividades do marido e seu conhecimento sobre o envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS.

Caso Daniel Vorcaro e prorrogação da CPMI

A sessão da CPMI do INSS também foi marcada por discussões sobre o depoimento de Daniel Vorcaro. O ex-dono do Banco Master estava convocado para esta segunda-feira (13), mas não compareceu.

Um habeas corpus, concedido pelo ministro André Mendonça do STF, desobrigou Vorcaro de depor. O banqueiro, que está em prisão domiciliar, deveria falar sobre irregularidades em empréstimos consignados.

O presidente da CPMI, Carlos Viana, anunciou que vai recorrer da decisão de Mendonça. O colegiado busca esclarecimentos sobre os prejuízos causados a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS.

O Banco Master mantinha um acordo de cooperação técnica com o instituto para oferta de crédito consignado. A comissão investiga a atuação da instituição financeira no esquema de fraudes.

Além disso, Viana informou que solicitou a prorrogação dos trabalhos do colegiado. O pedido é para que a CPMI continue por pelo menos mais 60 dias.

Ele protocolou o pedido na Casa para decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até o momento, não houve resposta.

Por não ter tido resposta, o presidente da comissão cogita recorrer novamente ao STF. O objetivo é assegurar a continuidade dos trabalhos, que começaram em 20 de agosto passado.

Perguntas Frequentes

O que é a CPMI do INSS?

A CPMI do INSS é uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, composta por deputados e senadores. Ela investiga irregularidades e fraudes em empréstimos consignados e outros descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Quem é Ingrid Pikinskeni Morais Santos e por que ela foi convocada?

Ingrid Pikinskeni Morais Santos é uma empresária, esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos. Ela foi convocada porque empresas das quais é sócia teriam movimentado recursos de um esquema de desvios de mais de R$ 100 milhões, ligados à Conafer.

Qual o papel da Conafer nas investigações da CPMI?

A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) é uma entidade investigada pela CPMI. Ela é apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos ilegais em benefícios previdenciários.


24 de fevereiro de 2026|Fonte: Agência Brasil||Fonte da Informação ↗

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