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Finep impulsiona cadeia da malva na Amazônia com R$ 25,7 milhões

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 02/06/2026 às 05:51
CNI/José Paulo Lacerda
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 02 de junho de 2026, às 05:51

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou um financiamento de R$ 25,7 milhões para aprimorar a cadeia produtiva da malva na Amazônia. O projeto, proposto pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), busca introduzir tecnologias e agregar valor à fibra, beneficiando famílias ribeirinhas.

Inovação Sustentável na Cadeia da Malva Amazônica

A Finep, como agência de fomento à ciência, tecnologia e inovação no Brasil, desempenha um papel crucial no desenvolvimento de setores estratégicos. O apoio do MCTI a projetos como o da malva na Amazônia reforça o compromisso do governo federal com a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável da região. Essa iniciativa visa transformar uma cultura tradicional em uma atividade de alto valor agregado.

A Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), com seus 40 anos de atuação no Pará, possui vasta experiência no desenvolvimento de produtos a partir da juta. Agora, a empresa lidera a proposta para a malva, uma planta nativa cujas fibras são extraídas por famílias ribeirinhas. O objetivo é fortalecer essa cadeia produtiva desde a base, garantindo maior sustentabilidade e retorno para as comunidades locais.

O projeto ambiciona introduzir tecnologias que melhorem significativamente as condições de trabalho dos produtores. Além disso, busca aumentar a produtividade e possibilitar a fabricação de têxteis com maior valor agregado. A combinação de conhecimento tradicional com inovação tecnológica é a chave para o sucesso dessa empreitada.

Desafios Atuais e o Potencial de Transformação

Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, ressaltou que a cadeia produtiva da malva enfrenta diversos desafios. Ele citou, entre os principais, o baixo índice de tecnificação em todas as etapas, desde o plantio até o beneficiamento final das fibras. Essa lacuna tecnológica compromete a eficiência e a qualidade do produto.

Recentemente, a fibra de malva ganhou destaque global quando a atriz brasileira Alice Carvalho usou um vestido confeccionado com tecido de juta e malva na cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos. Contudo, tradicionalmente, a malva tem sido utilizada em aplicações mais rústicas, como sacarias agrícolas, cordas, tapetes e estofamentos. A visibilidade no Oscar aponta para o potencial de mercado da fibra nobre.

O cultivo da malva é peculiar, realizado em áreas de várzea da Amazônia. As sementes são lançadas nos leitos dos rios quando as águas baixam, e a colheita ocorre no início da cheia. Os agricultores cortam as plantas, separam-nas em feixes e as deixam de molho por cerca de dez dias para amolecer as fibras, em um processo conhecido como retificação.

Após o amolecimento, as fibras são retiradas da água para a secagem, que é feita em varais artesanais. A falta de estrutura adequada para a colheita, transporte, secagem, prensagem e armazenamento traz riscos e prejuízos consideráveis para os produtores. Adicionalmente, o uso restrito do produto final limita o número de compradores, dificultando a comercialização em larga escala.

O projeto aprovado pela Finep prevê uma série de aprimoramentos cruciais para a cadeia produtiva:

1. Estudos para aprimoramento das espécies: Pesquisa e desenvolvimento para selecionar e melhorar as variedades de malva, visando maior rendimento e qualidade da fibra.
2. Criação de maquinário: Desenvolvimento de equipamentos específicos para a colheita, quebra e separação de sementes, modernizando as operações.
3. Infraestrutura digital: Implementação de tecnologias para a gestão eficiente do cultivo, otimizando o planejamento e o monitoramento.
4. Mecanismos financeiros: Avaliação e proposta de modelos financeiros que viabilizem a produção em escala, garantindo sustentabilidade econômica.
5. Negócios comunitários piloto: Consolidação de modelos de negócios comunitários que possam ser replicados em outras comunidades e territórios da Amazônia.
6. Testes e avaliações: Realização de testes e avaliações em todas as fases da produção, com o objetivo de obter uma fibra de malva mais nobre e competitiva no mercado.

Parcerias Estratégicas e o Impacto no Desenvolvimento Regional

Rodrigo Secioso enfatizou que, além de melhorar as condições de trabalho, o projeto tem como metas claras aumentar a produtividade, agregar valor ao produto final e expandir o mercado consumidor. Essa visão abrangente busca não apenas a eficiência produtiva, mas também o empoderamento econômico das comunidades envolvidas.

Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, complementou que “este tipo de apoio, em que o governo federal assume o risco da inovação, junto às empresas e institutos de pesquisa, é essencial para viabilizar iniciativas tipicamente brasileiras com potenciais benefícios diretos e indiretos para as comunidades envolvidas”. O financiamento governamental é um catalisador fundamental para inovações de impacto social e econômico.

O investimento total no projeto alcança R$ 25,7 milhões, com R$ 15,2 milhões (o equivalente a 60% do total) sendo financiados pela Finep na forma de subvenção. Esse aporte substancial é proveniente do edital Finep Amazônia – Subvenção Econômica à Inovação em Fluxo Contínuo – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional, que visa fomentar a pesquisa e o desenvolvimento na região amazônica.

Além da Companhia Têxtil de Castanhal, o projeto conta com uma robusta rede de colaboração. Participam três instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs): a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). Quatro empresas também integram a iniciativa: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41. Essa sinergia entre academia, governo e setor privado é crucial para o sucesso e a replicabilidade das soluções propostas.

O Papel da Bioeconomia e o Futuro da Malva

Este projeto na cadeia da malva é um exemplo concreto de como a bioeconomia pode impulsionar o desenvolvimento regional de forma sustentável. Ao valorizar um recurso natural da Amazônia e integrar tecnologia, o Brasil avança na criação de cadeias produtivas mais eficientes e justas. O investimento da Finep não apenas moderniza uma cultura tradicional, mas também abre novas perspectivas para a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias ribeirinhas, consolidando o potencial da Amazônia como polo de inovação e sustentabilidade.

Perguntas Frequentes

O que é o projeto de estruturação da cadeia da malva na Amazônia?
O projeto é uma iniciativa financiada pela Finep, no valor de R$ 25,7 milhões, que visa modernizar a produção e o beneficiamento da fibra da malva, planta nativa da Amazônia. Ele busca introduzir tecnologias, aumentar a produtividade e agregar valor aos produtos têxteis, melhorando as condições de trabalho de famílias ribeirinhas.

Quem são os principais envolvidos no projeto da malva?
A iniciativa é liderada pela Finep e conta com a proposta da Companhia Têxtil de Castanhal (CTC). Além disso, participam três instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) – Universidade Federal da Amazônia, Embrapa e Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) – e quatro empresas: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.

Qual o impacto esperado do financiamento da Finep para a malva?
Espera-se que o financiamento traga um significativo aprimoramento em todas as fases da produção da malva, desde o plantio até o beneficiamento final. Isso inclui melhoria das condições de trabalho, aumento da produtividade, agregação de valor ao produto e expansão do mercado consumidor, consolidando a bioeconomia na região amazônica.


2 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: CNI/José Paulo Lacerda|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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