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Instituto Maria da Penha condena ataques após 4 réus por campanha de ódio

Entidade se manifesta após decisão judicial que tornou réus acusados de campanha de ódio contra ativista e Lei Maria da Penha.

O Instituto Maria da Penha condenou nesta terça-feira (10) os ataques contra a ativista e a Lei Maria da Penha, após a Justiça do Ceará tornar réus quatro acusados. A entidade reforça que as investidas buscam enfraquecer os direitos e as conquistas das mulheres no Brasil.

A manifestação do instituto surge um dia após a Justiça cearense aceitar a denúncia do Ministério Público do estado. A decisão transformou em réus os quatro suspeitos de participação em uma campanha organizada para descredibilizar Maria da Penha e a legislação que leva seu nome, a Lei nº 11.340/2006.

Instituto Maria da Penha reage a ataques contra Maria da Penha

Para o Instituto Maria da Penha, os ataques contra a ativista não se limitam a atingir uma única mulher, mas representam uma tentativa de deslegitimar todo um arcabouço de proteção aos direitos femininos no país. A entidade divulgou um posicionamento contundente, destacando a seriedade da situação. “Para quem convive com Maria da Penha e acompanha sua trajetória de perto, sua história nunca foi apenas sobre um caso individual”, afirmou o instituto. “É sobre uma mulher que transformou uma tentativa brutal de feminicídio em uma luta coletiva por justiça, dignidade e proteção para milhões de mulheres no Brasil.”

A campanha de ódio e desinformação contra Maria da Penha tem sido notada nos últimos anos, buscando distorcer sua história e desacreditar a Lei nº 11.340/2006. O instituto alerta que tais ataques não visam promover um debate público legítimo ou a divergência de ideias, mas sim a difamação, a intimidação e a violência digital.

A decisão da Justiça de aceitar a denúncia do Ministério Público do Ceará é um passo fundamental, segundo o instituto. “Representa um passo importante para reafirmar um princípio essencial em uma democracia: criticar leis faz parte da liberdade de expressão. Difamar, perseguir e intimidar pessoas é crime e demanda responsabilização”, pontua a nota pública. O Instituto Maria da Penha enfatiza a importância do direito à informação íntegra, confiável e de qualidade, e a necessidade de verificar sempre as fontes, não repassar informações duvidosas e denunciar conteúdos fraudulentos.

Maria da Penha é um símbolo vivo da luta contra a violência doméstica no país. “Defender a verdade sobre sua história é também defender a memória de uma conquista coletiva que salvou e continua salvando vidas”, reitera o instituto. “Proteger essa história é também proteger todas as mulheres que encontram na lei um caminho para viver sem violência”, finaliza a nota.

Entenda a campanha de ódio e os réus no Ceará

A Justiça do Ceará aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) do estado e tornou réus quatro suspeitos de participar ativamente da campanha de ódio e desinformação contra a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes. Os acusados são:

* Marco Antônio Heredia Viveiros: ex-marido da ativista, já condenado por tentativa de homicídio contra ela.
* Alexandre Gonçalves de Paiva: influenciador digital.
* Marcus Vinícius Mantovanelli: produtor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”.
* Henrique Barros Lesina Zingano: editor e apresentador do mesmo documentário.

Os quatro foram denunciados por atuar de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a Lei Maria da Penha. Entre as táticas utilizadas, as investigações apontam perseguições virtuais, disseminação de notícias falsas e a criação de um laudo de exame de corpo de delito forjado. Este documento falso tinha o objetivo de sustentar a inocência de Marco Antônio Heredia Viveiros, apesar de sua condenação prévia.

As apurações detalham que os denunciados promoviam perseguição, cyberbullying e a disseminação de conteúdos misóginos — caracterizados por ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres. Eles também deturpavam informações e atacavam Maria da Penha em diversos sites e redes sociais, visando minar sua credibilidade e a legitimidade da lei.

A história de Maria da Penha e a Lei 11.340

A trajetória de Maria da Penha Maia Fernandes é um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil. Em 1983, ela foi vítima de dupla tentativa de feminicídio por parte de seu então esposo, Marco Antônio Heredia Viveiros. O primeiro ataque ocorreu enquanto ela dormia, quando Heredia a feriu com um tiro nas costas, resultando em lesões na coluna e medula que a deixaram paraplégica. Inicialmente, o marido alegou à polícia uma tentativa de assalto, versão que foi desmentida por perícia.

Quatro meses depois, ao retornar para casa após cirurgias e tratamentos, Maria da Penha foi mantida em cárcere privado por 15 dias e sofreu uma nova tentativa de assassinato, quando Heredia tentou eletrocutá-la durante o banho.

A luta de Maria da Penha por justiça foi longa e árdua. O primeiro julgamento de Marco Antonio Heredia ocorreu apenas em 1991, oito anos após os crimes. Ele foi condenado a 15 anos de prisão, mas conseguiu deixar o fórum em liberdade após a defesa apresentar recursos. Um novo julgamento, em 1996, resultou em uma pena de 10 anos e seis meses de prisão, que também não foi cumprida devido a novas alegações de irregularidades processuais.

Em 1998, o caso ganhou projeção internacional ao ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA). Em 2001, a CIDH/OEA responsabilizou o Estado brasileiro por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica contra as mulheres. Essa denúncia histórica impulsionou a criação de uma legislação específica no Brasil.

A história pessoal de Maria da Penha, marcada pela violência e pela persistência na busca por justiça, transformou-se em um marco legal. Assim, em agosto de 2006, foi sancionada a Lei nº 11.340, universalmente conhecida como Lei Maria da Penha. Considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, a lei representa uma conquista coletiva que continua salvando vidas e oferecendo um caminho para mulheres viverem sem violência.

Perguntas Frequentes

O que motivou a denúncia do Instituto Maria da Penha?

O Instituto Maria da Penha se manifestou após a Justiça do Ceará tornar réus quatro acusados de disseminar uma campanha de ódio e desinformação contra a ativista e a Lei Maria da Penha. A entidade defende que esses ataques visam enfraquecer os direitos das mulheres.

Quem são os réus acusados de atacar Maria da Penha e a lei?

Os quatro réus são Marco Antônio Heredia Viveiros (ex-marido da ativista), Alexandre Gonçalves de Paiva (influenciador digital), Marcus Vinícius Mantovanelli (produtor de documentário) e Henrique Barros Lesina Zingano (editor e apresentador do mesmo documentário).

Qual a importância da Lei Maria da Penha?

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é uma legislação brasileira considerada uma das mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Ela estabelece mecanismos para prevenir, punir e erradicar a violência, garantindo proteção e direitos às vítimas.


11 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: José Cruz/Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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