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Senacon multa Viagogo em R$ 100 mil diários por falta de clareza

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 21/07/2026 às 00:26
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 21 de julho de 2026, às 00:26

A Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), abriu um processo administrativo sancionador contra o site de revenda de ingressos Viagogo. A medida exige que a plataforma divulgue de forma explícita e em todos os seus ambientes que se trata de um serviço de revenda. O descumprimento desta determinação acarretará em uma multa diária de R$ 100 mil.

As investigações conduzidas pela Senacon revelaram que o Viagogo não fornece informações suficientes sobre o caráter de revenda dos ingressos, induzindo o consumidor a acreditar que está comprando diretamente de um canal oficial de vendas. Segundo o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, houve “materialidade suficiente” para a decisão após um monitoramento que apontou “indícios preocupantes”. Nos sites secundários, como o Viagogo, os preços dos bilhetes são, em regra, significativamente mais altos que os valores originais.

Além da falta de clareza sobre a natureza da transação, a Senacon também identificou possíveis problemas na identificação dos vendedores dos ingressos e na rastreabilidade das operações. O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, ressaltou que “muitas vezes, o consumidor acredita que está adquirindo um ingresso diretamente do produtor do evento ou da bilheteria oficial, sem perceber que se trata de uma revenda, muitas vezes por valor superior ao originalmente praticado.” Essa situação contraria princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que exige transparência e informações claras sobre produtos e serviços, protegendo o consumidor contra publicidade enganosa e práticas abusivas.

Ação da Senacon e o Prazo para Defesa

A abertura do processo administrativo confere à Viagogo um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. Este período é crucial para que a empresa possa contestar as acusações ou se adequar às exigências da Senacon, evitando a aplicação da multa diária. A Senacon, como órgão responsável pela execução da política nacional de proteção e defesa do consumidor, tem como uma de suas atribuições monitorar o mercado e aplicar sanções administrativas quando constatadas infrações às normas consumeristas.

O papel da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) é fundamental para garantir um ambiente de consumo justo e seguro, especialmente no cenário digital. Atuando como um braço do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a secretaria não apenas recebe denúncias e investiga condutas, mas também estabelece diretrizes para a proteção dos direitos dos consumidores, buscando equilibrar as relações de consumo e coibir práticas que lesem os cidadãos. A transparência na venda de ingressos online é um ponto chave, dado o volume de transações e a vulnerabilidade dos consumidores a práticas enganosas.

O Fenômeno dos “Robôs Cambistas” no Mercado Digital

A discussão sobre a revenda de ingressos online também trouxe à tona o uso de robôs ou sistemas automatizados para esgotar rapidamente os bilhetes nos sites primários de venda. O secretário Victor Fernandes alertou sobre esses “cambistas digitais” que compram grandes quantidades de ingressos assim que são lançados. Em seguida, esses mesmos ingressos reaparecem em sites de revenda, frequentemente com preços inflacionados, prejudicando o acesso do público comum e alimentando um mercado secundário desregulado.

Essa prática não só distorce a oferta e a demanda, como também gera frustração entre os consumidores, que se veem obrigados a pagar valores exorbitantes ou a ficar sem os bilhetes desejados. A ação desses robôs, muitas vezes, inviabiliza a compra direta nos canais oficiais, direcionando os compradores para plataformas secundárias onde os riscos de fraude ou preços abusivos são maiores. O combate a essa modalidade de cambismo digital representa um desafio complexo para as autoridades e para as próprias empresas de bilhetagem.

Monitoramento Abrangente e Proteção ao Consumidor Online

O cenário de vendas de ingressos online está sob vigilância constante. Ricardo Morishita acrescentou que os sites de venda primária também estão sendo monitorados pelo Ministério da Justiça em relação a taxas abusivas e à qualidade do serviço de atendimento ao cliente no pós-venda. Embora não haja, até o momento, nenhuma providência específica tomada contra esses sites, o acompanhamento demonstra uma preocupação ampliada das autoridades com todo o ecossistema de comercialização de ingressos.

Essa abordagem holística visa garantir que, desde a compra inicial até o suporte pós-venda, o consumidor seja tratado com equidade e transparência. A fiscalização de taxas consideradas abusivas e a exigência de um atendimento eficiente são medidas essenciais para fortalecer a confiança no e-commerce e proteger os direitos digitais dos cidadãos. A reportagem da Agência Brasil, fonte original da notícia, tentou contato com a assessoria da Viagogo e permanece à disposição para incluir o posicionamento da empresa na matéria, reforçando o princípio jornalístico da pluralidade de vozes.

Para proteger o consumidor em compras online, especialmente de ingressos, a Senacon e outras entidades de defesa recomendam:

* Verificar a origem: Sempre priorize a compra em canais oficiais ou de revendedores autorizados.
* Comparar preços: Desconfie de valores muito acima do original ou de promoções milagrosas.
* Pesquisar a reputação: Busque informações sobre a empresa vendedora, especialmente em sites de reclamação e órgãos de defesa do consumidor.
* Ler atentamente as condições: Entenda as políticas de troca, cancelamento, reembolso e quem é o vendedor real do ingresso.
* Guardar comprovantes: Mantenha registros da compra, e-mails e qualquer comunicação com a empresa.

A iniciativa da Senacon contra a Viagogo é um marco importante na defesa dos direitos do consumidor no ambiente digital, sinalizando que a falta de transparência e as práticas que induzem ao erro não serão toleradas, reforçando a importância da clareza nas relações de consumo online.

Perguntas Frequentes

O que é a Senacon e qual seu papel?

A Senacon é a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, um órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Sua função é formular, implementar e coordenar a Política Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor, monitorando o mercado, recebendo denúncias e aplicando sanções administrativas contra empresas que desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor.

Por que a Viagogo foi processada pela Senacon?

A Viagogo foi processada por não informar de forma clara e suficiente que é um site de revenda de ingressos, induzindo os consumidores a acreditar que estão comprando diretamente de um canal oficial. Além disso, a Senacon identificou problemas na identificação dos vendedores e na rastreabilidade das operações, o que pode levar a preços abusivos e falta de transparência.

O que são “robôs cambistas” e como afetam o consumidor?

“Robôs cambistas” são sistemas automatizados que compram rapidamente grandes quantidades de ingressos em sites de venda primária, esgotando a oferta. Esses ingressos são então revendidos em plataformas secundárias, como a Viagogo, por preços inflacionados. Isso dificulta o acesso do público comum aos eventos e aumenta os custos para os consumidores.

Como o consumidor pode se proteger na compra de ingressos online?

Para se proteger, o consumidor deve priorizar a compra em canais oficiais, comparar preços, pesquisar a reputação do vendedor, ler atentamente as condições de compra (troca, cancelamento, reembolso) e guardar todos os comprovantes. Desconfie de preços muito acima ou muito abaixo do valor original e de sites que não forneçam informações claras sobre o vendedor.


21 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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