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Copernicus: Emissões de incêndios globais atingem menor nível desde 2003

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 06/07/2026 às 16:51
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 06 de julho de 2026, às 16:51

O observatório europeu Copernicus anunciou, nesta segunda-feira (6), que o primeiro semestre de 2026 registrou o menor volume de emissões de gases do efeito estufa causadas por incêndios globais. O dado marca o menor nível desde o início da série histórica em 2003, com menos de 400 megatoneladas de carbono liberadas na atmosfera entre 1º de janeiro e 30 de junho. Essa marca reafirma uma tendência geral de queda.

Para contextualizar, em 2003, quando as medições foram iniciadas, o total de carbono emitido por incêndios superava um gigaton, o equivalente a um bilhão de toneladas. Desde então, a série histórica nunca havia registrado um valor abaixo de 500 megatoneladas. A redução observada representa um avanço significativo, mas especialistas alertam para os desafios futuros, especialmente com a influência de fenômenos climáticos.

A Dinâmica da Redução e os Focos Regionais

A diminuição nas emissões tem sido impulsionada, principalmente, pela redução dos incêndios sazonais em regiões estratégicas. Os dados do Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), que integra informações de satélite, indicam que a África tropical foi crucial para essa queda.

Desde o começo do ano, o continente africano registrou aproximadamente 154 megatoneladas de carbono. No mesmo período de 2025, esse número havia sido de 213 megatoneladas de carbono, evidenciando uma melhora considerável. A Ásia também contribuiu para o cenário positivo, reduzindo suas emissões de 164 para 113 megatoneladas de carbono.

Apesar da tendência global de queda, algumas regiões enfrentaram intensa atividade de incêndios. No primeiro semestre de 2026, a atividade mais intensa foi observada no estado de Victoria, no sudeste da Austrália, no início de janeiro. Durante o monitoramento, foram registradas temperaturas recordes na área, exacerbando os focos de fogo.

A América do Sul, que historicamente emite menos gases por incêndios em comparação com outros continentes, também viu suas emissões caírem. O volume passou de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono. Contudo, o continente registrou incêndios intensos, com destaque para a região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, na Patagônia argentina, durante o mesmo período.

El Niño: Um Alerta para as Próximas Estações

Mesmo com o recorde positivo, a preocupação persiste. Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, sinaliza que incêndios recentes observados nas últimas duas semanas na Eurásia e na América do Norte acendem um alerta. A situação pode ser agravada pelo fenômeno El Niño, que tende a impactar as condições climáticas e intensificar a seca sazonal em diversas partes do mundo.

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Essa alteração na temperatura oceânica interfere diretamente nos padrões de circulação atmosférica global, resultando em secas prolongadas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Para o contexto dos incêndios, o aumento da seca e das temperaturas cria condições ideais para a propagação do fogo.

Parrington lembra de eventos passados onde o El Niño causou grandes impactos. “Olhando mais adiante, as condições previstas para o El Niño têm o potencial de aumentar as emissões globais decorrentes de incêndios, como observamos durante os anos anteriores do fenômeno climático, em 2015 e 2019, quando a queima persistente de biomassa na Indonésia causou neblina regional generalizada e degradou gravemente a qualidade do ar”, alerta o especialista. Esses eventos históricos reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e estratégias de prevenção.

O Papel do Copernicus no Monitoramento Climático

O Copernicus é o programa de observação da Terra da União Europeia. Ele fornece dados precisos e acessíveis sobre o nosso planeta e seu meio ambiente. Especificamente, o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS), do qual Mark Parrington faz parte, utiliza uma combinação de observações de satélites e modelos computacionais para fornecer informações detalhadas sobre a composição da atmosfera.

O sistema empregado pelo Copernicus para monitorar incêndios utiliza observações de satélites de última geração. Através dessas imagens, é possível calcular estimativas da potência dos incêndios florestais, o que permite determinar com precisão as emissões de carbono e outros poluentes liberados na atmosfera.

A previsão da evolução desses incêndios e suas emissões é um processo complexo. Ela é realizada por meio da integração dos dados de satélite com as informações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). O ECMWF é uma organização intergovernamental independente que desenvolve e produz previsões numéricas do tempo, essenciais para compreender e antecipar os cenários climáticos.

A capacidade de prever a propagação dos incêndios e o volume de gases emitidos é crucial para as autoridades e para a população. Permite a tomada de decisões rápidas para combate ao fogo, evacuação de áreas de risco e implementação de medidas de saúde pública para mitigar os impactos da poluição do ar.

O Que São Gases do Efeito Estufa e Por Que São Preocupantes?

Os gases do efeito estufa (GEE) são componentes gasosos da atmosfera, naturais e antropogênicos, que absorvem e reemitem a radiação infravermelha, retendo calor na atmosfera terrestre. Essa retenção é um processo natural e essencial para manter o planeta aquecido e habitável.

No entanto, a atividade humana, principalmente a queima de combustíveis fósseis, desmatamento e incêndios florestais, tem aumentado drasticamente a concentração desses gases, intensificando o efeito estufa. Isso leva ao aquecimento global e às mudanças climáticas, com consequências como elevação do nível do mar, eventos climáticos extremos e alterações nos ecossistemas.

Como o Observatório Copernicus Monitora as Emissões de Incêndios?

O observatório Copernicus, através de seu Serviço de Monitoramento Atmosférico (CAMS), utiliza uma rede sofisticada de satélites e modelos de assimilação de dados. Esses satélites captam imagens e coletam dados sobre a localização, intensidade e duração dos incêndios.

As informações coletadas são então processadas por modelos computacionais avançados, como o Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), para estimar a quantidade de biomassa queimada e, consequentemente, as emissões de carbono e outros poluentes. Esses dados são cruciais para a análise da qualidade do ar e do impacto climático.

Qual a Relação Entre o El Niño e os Incêndios Florestais?

O El Niño é um fenômeno climático que causa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. Em muitas regiões, como no sudeste asiático, Austrália e partes da América do Sul e América do Norte, ele provoca períodos de seca mais intensos e temperaturas mais elevadas.

Essas condições secas e quentes são ideais para o surgimento e a rápida propagação de incêndios florestais. A vegetação seca se torna um combustível fácil, e o calor intenso facilita a ignição e a intensificação das chamas, levando a um aumento significativo nas emissões de gases do efeito estufa.

O Que Significa “Megatoneladas de Carbono”?

Megatoneladas de carbono é uma unidade de medida usada para quantificar a massa de dióxido de carbono (CO2) ou carbono equivalente (Ceq) liberada na atmosfera. Uma megatonelada corresponde a um milhão de toneladas.

Quando se fala em emissões de incêndios, essa métrica representa o volume de carbono que é liberado na forma de gases, principalmente CO2, durante a queima da biomassa. É um indicador fundamental para avaliar o impacto dos incêndios no ciclo global do carbono e nas mudanças climáticas.


6 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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