Virada Sustentável completa 15 anos com programação gratuita em SP

Virada Sustentável chega à 15ª edição entre 17 e 21 de setembro, espalhando mais de cinco dias de atividades gratuitas por diversos pontos de São Paulo e reforçando o debate ambiental no ano da COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém. Instalações artísticas, mostras de cinema, oficinas, shows e o Fórum Virada Sustentável compõem a agenda do maior festival de sustentabilidade da América Latina, organizado em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil.

Desde 2010, o evento soma 55 edições em diferentes cidades brasileiras e, neste aniversário, mantém a proposta de descentralizar a cultura socioambiental com programação simultânea em centros culturais, avenidas, parques e periferias. No epicentro das atividades, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) recebe a exposição do fotógrafo Araquém Alcântara, pioneiro na documentação da natureza no país, além de show da cantora Mariana Aydar e sessão do filme “A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert.

No âmbito do Fórum Virada Sustentável, o CCSP também abrigará painéis e debates sobre cidades, meio ambiente, sociedade e economia. Entre os convidados confirmados estão Maria Beatriz Nogueira, chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil; Rodrigo Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul; e Kamila Camilo, fundadora do Instituto Oya e da Creators Academy. As discussões pretendem ampliar a compreensão pública sobre políticas de adaptação climática e justiça social em contextos urbanos.

Obras que marcaram a trajetória do festival integram um percurso museológico temporário, enquanto novos trabalhos reforçam a crítica ao consumo. Instalações de Lixomania e Oxil exploram as linguagens do grafite e do pixo para refletir sobre resíduos sólidos, e “Insalubre”, de SpParis, expõe o ciclo destrutivo da fast fashion. As intervenções utilizam materiais reaproveitados para evidenciar a urgência de repensar hábitos de descarte e produção.

Na Avenida Paulista, a Casa das Rosas recebe feira de brechós, exposições e shows, além da roda de conversa “Raízes da Resistência”, com a ativista indígena Txai Suruí, Jaci Martins do povo Guarani Mbya e Day Moreira, sob mediação de Chirley Pankará. Paralelamente, o vão livre do Masp exibe performances de artistas da etnia Fulni-ô, reforçando a representatividade indígena na agenda cultural da metrópole.

Fora do eixo central, a Aldeia Pindomirim, na Terra Indígena Jaraguá, apresentará pela primeira vez em São Paulo a série fotográfica “Ruínas da Floresta”, de Rafael Vilela, vencedora do POY-Latam 2025. Após temporada em Londres, as imagens retornam ao Brasil para dimensionar visualmente os impactos socioambientais da devastação amazônica, aproximando o público urbano das realidades vividas por comunidades tradicionais.

Na ciclovia às margens do Rio Pinheiros, o artista Eduardo Baum exibe “Capivaras”, escultura inflável de quatro metros de altura que reproduz uma fêmea e seu filhote, simbolizando a importância desses roedores para o equilíbrio dos ecossistemas fluviais. No bairro da Liberdade, o muralista Mundano finalizou um painel de 195,5 m² na Rua Jaceguai, 930, homenageando catadoras e catadores. A obra utiliza tintas produzidas com cinzas de floresta queimada na aldeia Anambé (Pará) e argilas coletadas em diferentes regiões paulistas, convertendo resíduos em cor.

A descentralização segue em equipamentos culturais como CEUs, unidades do Sesc, UBSs e parques municipais, garantindo acesso em todas as regiões da capital. Oficinas de reciclagem, feiras de troca, sessões de cinema ambiental e intervenções em áreas verdes poderão ser conferidas sem custo, consolidando o festival como plataforma de mobilização popular para práticas sustentáveis e economia circular.

Após a programação paulistana, a Virada Sustentável desembarca no Rio de Janeiro entre 16 e 19 de outubro, replicando o modelo de ocupação cultural e diálogo socioambiental. A agenda completa, com horários e locais de cada atividade, está disponível no site oficial do evento, que centraliza orientações de acessibilidade e inscrição para oficinas.

Crédito Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Fonte das informações: Agência Brasil

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