Mulheres protestam contra violência de gênero em 8 de março no Brasil
Manifestações em diversas cidades brasileiras marcam o Dia Internacional da Mulher com pautas pela igualdade e combate à violência.
Mulheres de todo o Brasil foram às ruas neste domingo (8 de março) em atos contra a violência de gênero e o feminicídio. As manifestações ocorreram em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, marcando o Dia Internacional da Mulher com reivindicações urgentes por direitos e segurança.
Os protestos, que reuniram milhares de pessoas, tiveram como pautas centrais o combate à violência contra a mulher em suas diversas formas, a cobrança por políticas públicas eficazes e o fim da impunidade em casos de feminicídio. A mobilização nacional demonstrou a força e a união dos movimentos feministas e sociais, que utilizaram a data para denunciar e exigir mudanças concretas.
Manifestações pelo Brasil destacam pautas urgentes
No Rio de Janeiro, a Avenida Atlântica, em Copacabana, foi palco de uma grande concentração de manifestantes. Com cartazes e palavras de ordem, as mulheres caminharam pela orla, clamando pelo fim da violência e pela igualdade de gênero. Em São Paulo, a Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais da cidade, também foi tomada por manifestantes que ecoaram as mesmas cobranças.
Em Brasília, o ato percorreu um trajeto simbólico, da Funarte ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. A escolha do percurso ressaltou a importância de levar as demandas diretamente aos centros de poder, cobrando respostas e ações efetivas das autoridades. A capital federal se tornou um ponto de convergência para diversas organizações que militam pelos direitos das mulheres, reforçando a urgência das pautas apresentadas.
A presidente da Rede de Mulheres da Amazônia, Vanessa Albuquerque, ressaltou a importância histórica do 8 de março como um dia de luta. “Historicamente, 8 de março é dia de luta, de reflexão, de ir às ruas protestar e pedir por políticas públicas. Nós queremos igualdade de gênero, combater a violência contra a mulher, o feminicídio, a violência vicária e tantas outras violências que acometem nós mulheres”, declarou Albuquerque, destacando a amplitude das pautas defendidas.
Violência de gênero e feminicídio: o foco das denúncias
Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, foi cenário de um dos protestos mais simbólicos. Na Praça da Liberdade, no Centro, 160 cruzes foram instaladas, representando as mulheres vítimas de feminicídio no estado, com uma projeção alarmante para os anos de 2025 e 2026, segundo o coletivo. A última vítima, morta a facadas na cidade de Santa Luzia justamente no Dia Internacional da Mulher, evidenciou a brutalidade e a urgência do problema. O coletivo Casa das Marias, responsável pela instalação, afirmou que “cada cruz simboliza uma história interrompida, uma família marcada pela violência e uma falha coletiva na proteção dessas vidas”. O grupo defende que o 8 de março seja também um dia de denúncia e mobilização, lembrando que “não há o que celebrar enquanto mulheres continuam sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres”.
A mobilização em Belo Horizonte também abordou outras formas de violência de gênero. Uma marcha contra a violência sexual infantil foi realizada no Centro da capital mineira, com participantes exibindo cartazes com a frase “criança não é esposa”. O protesto foi um ato de repúdio à decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que havia inocentado um homem acusado de violentar uma menina de 12 anos, sob a justificativa de que ambos viviam um relacionamento amoroso. Após intensa mobilização popular, a decisão foi reformada, mas o episódio acendeu um alerta para a necessidade de proteger crianças e adolescentes.
Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, uma performance artística marcou a manifestação. Integrantes de um grupo teatral marcharam segurando sapatos femininos manchados com um líquido que simulava sangue. Os calçados simbolizaram as vítimas de feminicídio no estado, e as integrantes do grupo, em um ato de memória e denúncia, também gritaram seus nomes enquanto caminhavam pelas ruas.
Mobilização busca direitos e fim de injustiças
Salvador, na Bahia, teve seu protesto convocado sob o mote: “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”. As manifestantes se concentraram no Morro do Cristo e caminharam até o Farol da Barra, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem que ecoavam as demandas nacionais e locais. A inclusão da pauta da “escala 6×1” reflete a preocupação com as condições de trabalho e a dupla jornada enfrentada por muitas mulheres, que são afetadas pela precarização e pela falta de direitos trabalhistas.
Em Belém, no Pará, a manifestação reuniu centenas de mulheres, principalmente integrantes de coletivos feministas. O protesto saiu da Escadinha da Estação das Docas e percorreu diversas ruas do Centro da capital paraense. A mobilização na Amazônia destacou a necessidade de combater, além do feminicídio, a violência vicária e outras formas de opressão que atingem as mulheres, especialmente em regiões com desafios sociais e ambientais específicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre a gravidade da situação, afirmando que “não podemos nos conformar com homens matando mulheres”. A declaração reflete a preocupação crescente com os altos índices de feminicídio e a necessidade de uma resposta contundente por parte do Estado e da sociedade. Os protestos do 8 de março reforçam essa mensagem, mostrando que a sociedade civil organizada está atenta e mobilizada para cobrar ações que garantam a vida e a dignidade das mulheres em todo o país.
Perguntas Frequentes
Por que as mulheres protestaram no 8 de março?
As mulheres protestaram no Dia Internacional da Mulher para denunciar a violência de gênero, o feminicídio e cobrar políticas públicas eficazes pela igualdade e segurança.
Quais foram as principais cidades com protestos?
As principais cidades com protestos foram Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Belém, entre outras capitais brasileiras.
O que as 160 cruzes em Belo Horizonte representavam?
As 160 cruzes instaladas na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, representavam as mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais e alertavam para a necessidade de prevenir novas mortes nos próximos anos.




