Colégio Indígena na Bahia mobiliza mais de 200 contra violência de gênero
Iniciativas em Santa Cruz Cabrália fazem parte do Março Mulher 2026 e incluem passeata, debates e atividades culturais.
Estudantes e professores do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), mobilizaram mais de 200 pessoas nesta sexta-feira (6) com ações de combate à violência de gênero, como parte do Março Mulher 2026. As atividades, promovidas pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), visam conscientizar a comunidade escolar e local sobre a importância da denúncia e da valorização dos direitos femininos.
A mobilização começou logo cedo, envolvendo ativamente os alunos na produção de faixas e cartazes com mensagens de empoderamento e defesa dos direitos das mulheres. As frases criativas e impactantes, elaboradas pelos próprios estudantes, refletiam o desejo de transformação e a luta por respeito. Em seguida, a comunidade escolar uniu-se em uma passeata vibrante pelas ruas do distrito de Coroa Vermelha, levando as mensagens de conscientização aos moradores e comerciantes locais. A caminhada chamou a atenção para a causa, gerando reflexão e diálogo entre os presentes.
Mobilização contra a violência de gênero na escola indígena
As ações de combate à violência de gênero na escola indígena Coroa Vermelha são um pilar fundamental da programação do Março Mulher 2026, que se estende por todo o território baiano. Pela manhã, os estudantes se dedicaram à confecção de faixas com frases de empoderamento e mensagens de luta por direitos e respeito. A criatividade e o engajamento dos jovens foram notáveis, expressando em cada faixa a urgência do tema. Logo depois, a comunidade escolar saiu em passeata pelas ruas do distrito de Coroa Vermelha, levando a mensagem de conscientização aos moradores locais. A caminhada, acompanhada por professores e membros da gestão escolar, reforçou a importância de levar o debate para além dos muros da instituição.
No período da tarde, a agenda seguiu com uma programação diversificada e igualmente relevante. Foram exibidos filmes temáticos que abordam diferentes aspectos da violência contra a mulher e a importância da equidade. As sessões foram seguidas por dinâmicas e rodas de conversa entre alunos e professores do turno vespertino, onde foram discutidos os conteúdos dos filmes e experiências pessoais, criando um ambiente seguro para a troca de ideias e o fortalecimento do senso crítico. Os estudantes do período noturno concluíram as ações com uma visita à Aldeia Mirapé, onde participaram de uma noite cultural especial. Este evento proporcionou um espaço para a valorização da cultura indígena e a integração da comunidade em torno da temática.
Engajamento estudantil e impacto na comunidade
A participação ativa de mais de 200 pessoas, entre estudantes e professores, demonstrou o forte engajamento da comunidade do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha. A professora Siuane de Oliveira destacou a importância de levar o debate para além dos muros da escola, relembrando um caso recente de feminicídio na comunidade indígena local. “Neste ano, sentimos a necessidade de mostrar para a comunidade que as nossas meninas não podem se calar e que devem denunciar todo tipo de violência”, afirmou a professora, ressaltando o papel vital da educação na prevenção e combate a esses crimes. A menção ao caso real trouxe uma camada de urgência e proximidade com a realidade dos alunos, reforçando a relevância das discussões.
A estudante Camila Tamikuã, do 3º ano, reforçou a necessidade de reflexão e ação. “A caminhada serve para conscientizar e reforçar a importância de combater a violência contra a mulher, garantindo a nossa segurança e os nossos direitos”, declarou a jovem. Sua fala ecoa o sentimento de muitos estudantes, que veem na escola um espaço de formação não apenas acadêmica, mas também cidadã. A conscientização gerada pelas atividades contribui para a construção de uma cultura de paz e respeito, fundamental para a proteção das mulheres e meninas na comunidade indígena e em toda a sociedade.
O Março Mulher 2026 e futuras ações na Bahia
As ações do Março Mulher 2026 continuam na próxima semana, prometendo ampliar ainda mais o alcance do debate sobre os direitos das mulheres e o combate à violência. De acordo com a professora Siuane de Oliveira, novos encontros já estão programados. “Realizaremos com o turno da noite uma mesa-redonda com mulheres líderes, contando com a presença da delegada da Polícia Civil de Porto Seguro, Rosângela Sousa, e outras referências da região”, adiantou. Esta iniciativa visa proporcionar aos estudantes e à comunidade a oportunidade de ouvir e interagir com figuras femininas de destaque, que servem como exemplos de superação e liderança. A presença da delegada reforça a importância da rede de apoio e dos canais de denúncia disponíveis para as vítimas de violência.
As iniciativas do Março Mulher 2026 ocorrem durante todo o mês nos colégios estaduais dos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs) da Bahia, demonstrando um esforço coordenado do governo do estado para abordar a temática em larga escala. Na próxima terça-feira (10), acontece o Dia M, com atividades pedagógicas desenvolvidas pelas unidades escolares em todo o estado, focando em diferentes aspectos da condição feminina e da luta por igualdade. Além disso, a Secretaria da Educação do Estado, por meio da Coordenação de Educação Antirracista, intensificou as ações do Projeto Oxe, Me Respeite – Nas Escolas. Este projeto, que visa combater o racismo e outras formas de preconceito no ambiente escolar, teve suas atividades formativas ampliadas, incluindo oficinas pedagógicas, intervenções artísticas e espaços de diálogo, promovendo uma cultura de respeito e valorização da diversidade. A articulação entre essas diferentes iniciativas demonstra um compromisso abrangente com a promoção dos direitos humanos e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Perguntas Frequentes
O que foi o Março Mulher 2026 no Colégio Coroa Vermelha?
O Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), realizou uma programação especial do Março Mulher 2026, com passeata, confecção de faixas, exibição de filmes, rodas de conversa e uma noite cultural na Aldeia Mirapé, mobilizando mais de 200 pessoas contra a violência de gênero.
Qual a importância das ações contra violência de gênero para a comunidade indígena?
As ações são cruciais para conscientizar a comunidade, especialmente após um caso de feminicídio recente, incentivando meninas e mulheres a denunciarem qualquer tipo de violência e garantindo a segurança e os direitos femininos dentro e fora do ambiente escolar.
Quais as próximas iniciativas do Março Mulher na Bahia?
A programação continua com uma mesa-redonda no Colégio Coroa Vermelha com mulheres líderes e a delegada de Porto Seguro, Rosângela Sousa. Em todo o estado, as escolas estaduais dos 27 NTEs promovem o Dia M em 10 de março e intensificam as ações do Projeto Oxe, Me Respeite – Nas Escolas.




