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Terra Indígena Apyterewa registra queda de 90% no desmatamento

Dois anos após a retirada de invasores, a Terra Indígena Apyterewa, no Pará, mostra sinais de recuperação ambiental, mas a violência persiste.

O povo Parakanã avança na reocupação da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, dois anos após a retirada de invasores, mas ainda enfrenta desafios significativos para o controle total do território. A região, que já foi a mais desmatada da Amazônia, agora registra uma queda de mais de 90% na derrubada da floresta, evidenciando os impactos positivos da desintrusão.

Apesar da retomada, os Parakanã ainda convivem com os reflexos de anos de ocupação ilegal por produtores rurais e grileiros. O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, destacará em sua próxima edição o trabalho dos órgãos governamentais para manter a Terra Indígena Apyterewa livre de invasores e a organização dos indígenas para garantir a soberania sobre suas terras.

Desintrusão na Terra Indígena Apyterewa: Uma Retomada Tensa

As ações de retirada de invasores de terras indígenas, conhecidas como desintrusão, foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023. Na Terra Indígena Apyterewa, o processo teve início em outubro do mesmo ano, marcando um passo crucial para a proteção do território.

As operações de desintrusão foram coordenadas pela Casa Civil da Presidência da República, em parceria com 20 órgãos e agências federais. Elas ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal, beneficiando cerca de 60 mil indígenas. Segundo Nilton Tubino, que liderou as ações, o processo em Apyterewa foi o mais tenso de todos, principalmente devido à interferência de políticos e fazendeiros que tentaram barrar a operação.

“A grande pressão era a quantidade de gado. Nesse processo, foi construída uma vila que era utilizada próximo da base [da Funai]. No meio da terra tinha um posto de gasolina, vários comércios e igrejas”, explica Tubino, ilustrando a complexidade da ocupação ilegal.

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que mais de 2 mil não indígenas foram retirados do território nos primeiros meses. Em março de 2024, a Terra Indígena Apyterewa foi simbolicamente devolvida aos Parakanã, um marco importante na luta pela terra.

Desafios Persistem: Gado Ilegal e Ataques Violentos

Mesmo com a retirada da maioria dos invasores, as ações das agências governamentais continuam, pois parte do rebanho bovino de fazendeiros locais ainda pasta ilegalmente dentro da TI. Embora a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada pelos próprios pecuaristas durante a desintrusão, cerca de 1.300 bovinos permaneceram espalhados em 43 pontos do território, conforme monitoramento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Uma equipe de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) esteve na Terra Indígena Apyterewa em dezembro e acompanhou de perto o trabalho para manter o território livre de invasores e do gado ilegal. Na ocasião, uma operação para a retirada de animais remanescentes terminou de forma trágica com o assassinato de Marcos Antônio Pereira da Cruz, um dos 12 vaqueiros contratados pelo Ibama para auxiliar no manejo da boiada. Marcos tinha 38 anos e deixou um filho de um ano. Sua irmã, Luciane Pereira, relatou que ele sempre expressou preocupação com a periculosidade da região.

No fim de janeiro, a Polícia Federal anunciou a prisão de um suspeito do assassinato e de atentados contra os indígenas, mas as investigações seguem em sigilo. Marcos Kaingang, secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do MPI, enfatizou a importância de responsabilizar os envolvidos: “A morte do Marcos não pode ficar impune e não ter nenhum responsável identificado nessa ação porque foi um ataque contra o Estado brasileiro, porque ele estava a serviço de uma determinação judicial”.

As ameaças e ataques contra os Parakanã não cessaram. No mês seguinte ao assassinato do vaqueiro, o carro da associação Tato’a, que representa o povo, foi alvejado, e o assessor que conduzia o veículo conseguiu escapar pela mata. Mamá Parakanã, cacique-geral da Terra Indígena Apyterewa, denuncia oito ataques às aldeias desde a desintrusão, resultando em um indígena baleado na perna. “A gente recebia e recebe até hoje muita ameaça. Mas a gente está firme aqui porque essa terra foi demarcada, homologada, registrada. Então essa terra é nossa. Não é do fazendeiro, não é do deputado, não é do senador”, afirma o cacique.

Recuperação Ambiental: Menos Desmatamento, Mais Vida

A Terra Indígena Apyterewa, com uma área de 773 mil hectares e lar de cerca de 1.400 Parakanã, começou a ser demarcada no início dos anos 1990 e foi homologada em 2007. Contudo, nas últimas décadas, continuou a ser invadida, principalmente por pecuaristas. Por causa da criação de gado ilegal, a Terra Indígena Apyterewa tornou-se a mais desmatada da Amazônia.

Segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a derrubada da floresta atingiu seu ápice em 2022, com 102 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento. Após a desintrusão, houve uma queda superior a 90%, chegando a 7,5 km² de desmatamento em 2025, um indicativo claro da eficácia da medida protetiva.

Os Parakanã já sentem os efeitos positivos da retirada dos invasores. Oaea Parakanã, por exemplo, que antes voltava de suas caçadas com as mãos vazias devido à destruição promovida pelos ocupantes ilegais, agora observa a recuperação da fauna. “Agora eu acho que está recuperando. Agora tem jabuti, porcão, dá pra gente ver mutum”, conta o indígena, refletindo a esperança e a renovação da vida na floresta. As desintrusões têm garantido que os povos indígenas consigam fazer a manutenção devida de seus territórios e modos de vida tradicionais.

Perguntas Frequentes

O que é a Terra Indígena Apyterewa?
A Terra Indígena Apyterewa é um território demarcado no sudeste do Pará, habitado pelo povo Parakanã, com uma área de 773 mil hectares, que foi alvo de intensa invasão e desmatamento por grileiros e pecuaristas.

O que foi o processo de desintrusão na Apyterewa?
A desintrusão foi uma operação coordenada por órgãos federais, determinada pelo STF, para retirar invasores ilegais (grileiros, pecuaristas e não indígenas) da Terra Indígena Apyterewa, iniciada em outubro de 2023.

Quais os principais resultados da desintrusão na Terra Indígena Apyterewa?
A desintrusão resultou na retirada de mais de 2 mil não indígenas e uma redução de mais de 90% no desmatamento. Contudo, desafios como a presença de gado ilegal e ataques contra os indígenas ainda persistem.


2 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Bruno Peres/Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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