Salvador promove debate sobre equidade de gênero e educação
Seminário em Salvador reuniu rede estadual para debater equidade de gênero, educação transformadora e combate à violência.
Estudantes, professores e equipes técnicas da rede estadual de ensino participaram, nesta sexta-feira (13), em Salvador, de um seminário para promover reflexão crítica sobre educação, equidade de gênero e enfrentamento às violências contra mulheres e meninas. O evento, realizado no Instituto Anísio Teixeira (IAT), integra a programação do “Março Mulher” do Governo do Estado e foi uma iniciativa da Secretaria da Educação, por meio do IAT, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).
O seminário teve como objetivo principal fomentar a discussão, oferecer formação prática e fortalecer as redes de apoio existentes. A pauta permanente para o enfrentamento de todas as formas de violência contra mulheres e meninas foi um dos pontos centrais, ressaltando a importância de manter o tema em debate ao longo de todo o ano letivo.
Educação como Ferramenta de Transformação
A importância da educação no combate às desigualdades históricas foi enfatizada por Neia Bastos, chefe de gabinete da SPM e professora de História. Ela destacou a relevância de reconhecer as lutas das mulheres que precederam a geração atual, situando o seminário como parte de uma agenda integrada do Governo do Estado. Segundo Bastos, a educação representa um espaço plural e transformador, capaz de proporcionar a estudantes e educadores uma oportunidade para reavaliar e redirecionar modelos historicamente construídos.
A professora defendeu uma educação libertadora, inspirada em Paulo Freire, que forme cidadãos políticos capazes de questionar o patriarcado e as estruturas opressoras historicamente impostas às mulheres e minorias. A abordagem visa capacitar os participantes a se tornarem agentes de mudança, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa.
Vânia Almeida, diretora do Instituto Anísio Teixeira, corroborou a importância do seminário como parte das ações formativas do instituto, voltadas para o fortalecimento da rede estadual de ensino. Para ela, o mês de março é um período de reafirmação de direitos e conquistas femininas. A diretora ressaltou que o aumento da violência exige posturas mais efetivas e a implementação de políticas públicas robustas para enfrentar o feminicídio e outras manifestações de violência. A educação, conforme Almeida, serve como porta de entrada para a autonomia, independência e firmeza das mulheres na continuidade de suas lutas. Por isso, a iniciativa buscou reunir diferentes secretarias para articular como cada uma pode contribuir para fortalecer a rede de acolhimento, proteção e enfrentamento às violências.
Fortalecimento de Redes de Apoio e Prevenção
A programação do evento incluiu uma série de atividades interativas e palestras que visaram engajar os participantes de forma ativa. Durante a manhã, foi realizada a conferência “O Papel da Escola no Enfrentamento às Violências”, que explorou as responsabilidades e possibilidades da instituição de ensino na prevenção e combate à violência. Diversas oficinas foram oferecidas, com temas como “Protagonismo Feminino e Liderança na Escola”, incentivando a capacidade de liderança das estudantes, e “Redes sociais, cultura digital e estereótipos de gênero”, que abordou o impacto das mídias digitais na construção de identidades e na perpetuação de preconceitos.
No período da tarde, a programação continuou com a Mesa Redonda – “Rede de Proteção: como a Escola pode atuar de Forma Articulada?”. Este painel reuniu representantes de diferentes esferas governamentais e sociais para discutir a importância da atuação integrada entre a educação e as políticas públicas de proteção, visando criar um sistema de apoio mais eficiente. Novas oficinas temáticas, como “Educação sexual, respeito e equidade de gênero” e “Gênero e saúde”, aprofundaram os debates sobre temas cruciais para a formação de uma cultura de respeito e igualdade.
Voz Estudantil e Programação Detalhada
A participação ativa dos estudantes foi um dos pilares do seminário. Micaella Vitória, de 17 anos, integrante da Agência de Notícias Voz Ativa Ceclar, do Colégio Clarice Santiago dos Santos, no bairro Arenoso, considerou o evento uma oportunidade significativa de diálogo e reflexão. Segundo a estudante, o debate sobre a mulher e os fatores que muitas vezes não são abertamente discutidos é essencial. Ela destacou a importância de mulheres estarem presentes na comunicação, não apenas para informar, mas para promover a união e a solidariedade feminina, superando rivalidades e fortalecendo laços. A experiência permitiu que os jovens se sentissem parte da construção de um ambiente mais inclusivo e consciente.
Como parte das atividades, os estudantes também participaram da “Expo do Cuidado”, uma exposição que integra o projeto “Oxe, Me Respeite – nas Escolas”. Montada no Instituto Anísio Teixeira, a mostra oferece uma experiência imersiva para adolescentes de 12 a 19 anos, abordando a prevenção da gravidez não intencional na adolescência, a construção de relacionamentos respeitosos e o desenvolvimento de uma masculinidade positiva. A iniciativa visa educar os jovens sobre temas sensíveis de forma interativa e didática, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis em suas relações interpessoais.
Perguntas Frequentes
Qual foi o principal objetivo do seminário em Salvador?
O principal objetivo foi promover reflexão crítica, formação prática e fortalecer redes de apoio sobre educação, equidade de gênero e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
Quais temas foram abordados nas oficinas do evento?
As oficinas abordaram temas como Protagonismo Feminino e Liderança na Escola, Redes sociais e estereótipos de gênero, Educação sexual, respeito e equidade de gênero, e Gênero e saúde.
Quem participou do Seminário Março das Mulheres?
Participaram estudantes, professores e equipes técnicas da rede estadual de ensino, além de representantes da Secretaria da Educação, do Instituto Anísio Teixeira (IAT) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).




